Com juros em patamares elevados no país, decisões ligadas ao financiamento imobiliário passaram a exigir mais planejamento financeiro. Escolhas como contratar taxas fixas ou atreladas à inflação, antecipar parcelas ou manter recursos investidos podem alterar significativamente o custo final do imóvel.


Para o planejador financeiro e conselheiro patrimonial Maurício Vono, financiamentos indexados ao IPCA, embora atrativos pelas parcelas iniciais menores, exigem atenção diante do histórico inflacionário brasileiro. Segundo ele, a aparente vantagem no curto prazo pode se transformar em pressão sobre o orçamento familiar nos anos seguintes.


“O problema é que a pessoa se acomoda com aquela parcela menor e depois a inflação acaba aumentando o custo. Isso muitas vezes atrapalha o cenário financeiro da família”, afirma. “Nosso país tem um descontrole fiscal que pode trazer consequências na inflação.”


Já modalidades com juros fixos oferecem maior previsibilidade ao comprador, uma vez que permitem estimar o comportamento da dívida ao longo do contrato. “Você sabe exatamente qual será o valor da parcela e, de forma geral, ela tende a ser decrescente ao longo do tempo”, explica Vono.


Vale a pena amortizar?


O atual cenário econômico também levanta um questionamento entre proprietários: vale a pena amortizar o financiamento ou investir o dinheiro disponível? 


De acordo com o especialista, a resposta depende da taxa contratada. Quem financiou imóveis há alguns anos, quando os juros eram mais baixos, pode encontrar maior rentabilidade em aplicações financeiras do que na antecipação da dívida.


Ele acrescenta que ste a pessoa contratou um financiamento com juros de 7% ou 8% ao ano e hoje encontra aplicações rendendo acima disso, pode ser mais interessante manter o dinheiro investido e quitar futuramente.


Quando a escolha é pela amortização, antecipar parcelas futuras costuma gerar maior redução no saldo devedor. “Isso ocorre porque o abatimento incide sobre juros que ainda seriam cobrados ao longo do contrato”, orienta o especialista. 


Além da gestão do financiamento, a escolha entre comprar imóvel pronto ou financiar terreno e construção também envolve avaliação financeira. 


Segundo Vono, construir pode representar maior geração de patrimônio pela valorização criada durante a obra, mas exige análise criteriosa dos riscos.


“Existe oportunidade porque você agrega valor ao imóvel durante a construção, mas há riscos trabalhistas, operacionais e financeiros que precisam ser observados em cada caso”, afirma.