O Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, inaugurado em 1974, é um dos principais palcos do automobilismo brasileiro. O local já foi palco de centenas de competições nacionais e internacionais, como incluindo Stock Car e Fórmula Truck.

Vale lembrar que Goiânia já recebeu anteriormente o MotoGP, eventos ocorridos entre 1987 e 1989. Depois disso, a categoria passou por São Paulo em 1992 e teve sua última fase no país entre 1995 e 2004, no Autódromo Internacional Nelson Piquet.

Pelo circuito goiano já passaram nomes importantes do automobilismo brasileiro, como Rubens Barrichello, Felipe Massa, Nelson Piquet Júnior, Ricardo Zonta e Tony Kanaan. Com a reforma e o retorno da MotoGP ao país, o autódromo volta a ocupar posição de destaque no calendário internacional do esporte a motor.

Mudança estrutural

Com 50 anos de funcionamento, o autódromo passou entre janeiro de 2025 e março de 2026 pela maior reforma de sua história. De acordo com informações divulgadas pelo Governo de Goiás, o custo estimado das obras foi de R$250 milhões. A reconstrução foi definida durante as negociações para trazer o campeonato ao Brasil e atendeu a exigências da Federação Internacional de Motociclismo (FIM) para homologação do circuito. O foco principal das intervenções foi ampliar os padrões de segurança da pista.

De acordo com o governo, grande parte da estrutura do autódromo foi demolida e reconstruída. Apenas a arquibancada fixa onde também funcionam algumas salas, o espaço dos 22 boxes já existentes e o prédio administrativo não foram totalmente derrubados.

Além disso, foi construída uma nova área de escape com 69 mil metros quadrados de caixas de brita, com 25 centímetros de profundidade. O circuito também recebeu quase 3 quilômetros de barreiras de pneus, que utilizam cerca de 57 mil unidades. A zebra foi refeita e cerca de 14 mil litros de tinta foram utilizados na pintura do novo traçado.

Também foi construído um novo centro médico junto à torre de controle. Para isso, a estrutura anterior foi demolida e reconstruída do zero. De acordo com o governo, o espaço terá área para primeiros atendimentos, sala de raio-x e estacionamento para ambulâncias, que antes ficavam fora do prédio. O complexo também abriga a torre de controle de corridas, salas para fiscais de pista, posto de bandeiras, depósitos e mantém um heliponto ao lado.

Os boxes também passaram por ampliação. Antes eram 22 e agora chegam a 30, após a construção de um novo prédio ao lado do antigo, que passou por reformas internas. No segundo andar ficam camarotes e salas de apoio.O vão entre os dois prédios passou a abrigar o novo pódio do autódromo. Os boxes não terão divisórias fixas, permitindo que cada equipe organize o espaço conforme suas necessidades, a mudança seguiu exigências da FIM.

A pista também foi completamente reconstruída. A camada asfáltica foi substituída,também por exigência da federação, e a reta principal foi alargada de 12 para 15 metros. O traçado recebeu ajustes em alguns pontos, como no “S”, que foi alongado para permitir maior aceleração na reta oposta. A extensão total da pista, no entanto, permanece em 3.835 metros.

Para atender às normas internacionais, também foi construído um novo viaduto de serviço. Como não era possível alterar a altura do viaduto original, existente desde a fundação do autódromo, a nova estrutura foi erguida no lado oposto do circuito. O viaduto tem 4,4 metros de altura e passa sobre a pista no trecho da reta oposta.

Além disso, novos banheiros foram instalados ao longo do autódromo e arquibancadas móveis foram montadas para receber o público durante este sábado (21) e domingo (22). Antes da homologação final, o circuito passou por um evento-teste entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março, com simulações de corrida e participação de comissários, equipes de resgate e médicos.

MotoGP recoloca o Brasil no calendário mundial

A etapa final do MotoGP em Goiânia coloca o país de volta ao maior campeonato de motovelocidade do planeta. A escolha da capital goiana ocorreu após negociações com a Dorna Sports, organizadora do campeonato. Assim, a capital receberá o circuito pelos próximos cinco anos.

Além do impacto esportivo, o evento deve gerar forte movimentação econômica no estado, com foco principal em Goiânia e na região metropolitana. Segundo estudo do Instituto Mauro Borges (IMB), a etapa da MotoGP deve movimentar cerca de R$868 milhões na economia goiana.

A expectativa é de público de 150 mil pessoas durante o fim de semana de corridas, sendo 32% de visitantes de outros estados e 12% do exterior. Aproximadamente 67 mil espectadores deverão precisar de hospedagem, ocupando hotéis em Goiânia e cidades próximas como Aparecida de Goiânia, Anápolis e Trindade.

Segundo o levantamento, cada visitante deve gastar em média R$3.180 com ingressos, alimentação, transporte e lazer. A estimativa é de geração de mais de 4 mil empregos diretos e indiretos e arrecadação tributária de aproximadamente R$130 milhões.