O mercado de crédito imobiliário em 2026 reflete um cenário dividido. Enquanto a Caixa Econômica Federal acelera a concessão de financiamentos, impulsionada pelo Minha Casa Minha Vida, bancos privados seguem mais cautelosos diante de juros elevados e incertezas econômicas.

De acordo com o gestor de investimentos Lucas Sigu, esse movimento ainda é reflexo do período pós-pandemia. “Os bancos só percebem o real impacto no mercado de crédito alguns anos depois. Ainda estamos em um processo de estabilização”, afirma.

Segundo ele, o aumento de recuperações judiciais, especialmente no setor agrícola, também pressiona o sistema financeiro e contribui para a restrição do crédito. “Isso acaba refletindo em outras áreas, inclusive no imobiliário”, diz.

Cenário sustentável

O gestor explica que com a taxa básica de juros ainda elevada, os bancos privados tendem a segurar novas concessões. “Eles preferem não entrar nessa competição”, resume.

Na contramão, a Caixa mantém o protagonismo, com taxas subsidiadas que ampliam o acesso à moradia. “Com créditos abaixo de 7% ao ano, frente a uma SELIC de até 15%, o subsídio é muito relevante”, explica o especialista.

Apesar da diferença entre as condições de crédito, o cenário é visto como sustentável no longo prazo. “O setor imobiliário sempre tende a ter demanda. O mercado deve se ajustar e continuar aquecido”, avalia Lucas.

Para ele, o principal ganho está no acesso à casa própria, enquanto o maior desafio segue sendo a disparidade entre os custos do crédito no país.

“Quem financia fora do imobiliário paga taxas muito mais altas. Alguém absorve essa diferença”, conclui.