A manutenção da taxa Selic em patamares elevados continua impactando diretamente o crédito imobiliário no Brasil. Com juros básicos ainda altos, a tendência é que os financiamentos permaneçam mais caros nos próximos anos, dificultando o acesso ao crédito, principalmente para famílias de renda média que buscam imóveis fora dos programas habitacionais subsidiados.
Segundo projeções do mercado, a Selic deve encerrar 2026 em torno de 13,25%, cenário que reduz as chances de queda significativa nas taxas de financiamento imobiliário em 2027. Na prática, bancos têm trabalhado com custos próximos ao teto de 12% ao ano em linhas tradicionais de crédito, especialmente para imóveis acima de R$ 600 mil.
O efeito é sentido no bolso do consumidor: parcelas mais altas, necessidade de entradas maiores e redução no percentual financiado pelos bancos. Além disso, o aumento dos saques da poupança, principal fonte de recursos do crédito habitacional, tem encarecido ainda mais o financiamento, levando instituições financeiras a recorrerem a outras modalidades de captação com custos superiores.
Apesar do cenário desafiador, entidades do setor avaliam que o mercado imobiliário segue resiliente. A expectativa é que uma eventual redução da Selic ao longo dos próximos ciclos possa aliviar gradualmente os juros do crédito habitacional e impulsionar novas concessões de financiamento.
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) projeta crescimento do crédito imobiliário nos próximos anos, condicionado à trajetória dos juros no país.