O recente ataque dos Estados Unidos à Venezuela tem causado uma onda de incertezas, principalmente do ponto de vista geopolítico e no cenário econômico mundial. No Brasil, os riscos estão muito associados a influências na inflação, na oscilação do dólar e na possível migração em massa de venezuelanos, fatores que trazem uma certa preocupação.

No entanto, de acordo com o economista e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Júlio Paschoal, o mercado imobiliário não será negativamente impactado, pelo contrário. Em entrevista à AutImob, o especialista analisou o cenário atual e perspectivas futuras.

“A questão do ataque à Venezuela destrói os acordos internacionais. O grande objetivo do Donald Trump [presidente dos EUA] não é a liberdade do povo venezuelano, nem a melhoria de vida desse mesmo povo. O grande objetivo do Trump é o petróleo da Venezuela”, analisou Júlio, ao destacar que a Venezuela atualmente possui a maior reserva de petróleo do mundo.

Com a prisão do líder venezuelano Nicolás Maduro, os EUA assumiram o controle da exploração petrolífera do país, provocando um desequilíbrio nesse mercado. “Do ponto de vista econômico, a questão do petróleo na Venezuela, embora seja o mais puro do mundo, ele é vendido extremamente barato. Enquanto o petróleo B3 está na faixa de 60, 70 o barril, lá na Venezuela está sendo vendido a 26 dólares. Então, vamos dizer assim, os Estados Unidos, apossando desse petróleo, ele pode, de certa forma, desequilibrar o preço do barril no mercado externo”, avalia o economista.

Conforme Júlio, com a atuação dos EUA a tendência é de que a extração de petróleo aumente, elevando também a produtividade e comercialização do óleo mineral. “Com a presença americana a produtividade vai aumentar, e, automaticamente, isso pode aumentar a oferta de petróleo no mercado mundial. Aumentando a oferta e mantendo a demanda estável, você pode derrubar o preço do petróleo em nível mundial”, previu.

De acordo com ele, isso pode favorecer a queda do próprio preço do petróleo e impactar positivamente na inflação. “Um ponto nevrálgico da inflação no Brasil é o transporte, que representa 20% do IPCA. Então, quanto mais caro o petróleo em nível internacional, mais o transporte vai pesar no IPCA no Brasil”, afirmou.

E acrescentou: “Se você tem uma oferta maior de petróleo na economia global, tecnicamente o preço tende a cair. Caindo, isso favorece também internamente para manter a inflação em queda. Nós fechamos o ano de 2025 já com a inflação 4,4%, abaixo do teto da meta, que é 4,5%. A tendência é cair o preço do petróleo. Consequentemente, isso puxa ainda mais a inflação brasileira para baixo”, detalhou Júlio.

Queda da inflação e favorecimento do mercado imobiliário

Segundo a análise do economista, a tendência de queda do preço do petróleo, a queda do dólar e o aumento do abastecimento energético do país, por conta da estação chuvosa, são fatores determinantes para a manutenção da queda da inflação. “Aqui no Brasil, a manutenção da taxa Selic alta faz com que o investidor, o especulador, pegue o dólar lá fora barato, traga o recurso aqui para dentro, transforme em ativos financeiros e aplique com a taxa Selic de 15%. Então, mais dólares estão vindo para o Brasil, e isso faz com que haja uma queda da moeda americana em relação à moeda nacional”, destaca.

Esse ponto é o que favorece o mercado imobiliário, visto como uma opção de investimento de longo prazo mais segura. “O mercado imobiliário é um mercado seguro, nisso não há dúvida. Ele não é um mercado de alta liquidez. O que prejudica, a meu ver, muito mais do que o dólar, muito mais do que o mercado internacional, é a insistência do Banco Central em manter uma taxa Selic de 15% ao ano”, pontua o especialista.