1) Mercado imobiliário espera recuperar classe média em 2026 com queda nos juros e novas regras de crédito

Após 2025 de juros nas alturas, o mercado imobiliário brasileiro projeta para 2026 um cenário de recuperação, impulsionado por um pacote de medidas governamentais e uma expectativa de queda gradual da taxa dos financiamentos. "A expectativa é crescer nas vendas de imóveis [no volume de unidades]. Temos capacidade de crescer 10% em 2026, apesar da taxa de juros alta, porque a demanda continua crescendo, e as pessoas, comprando imóveis", afirmou Renato Correia, presidente da CBIC. No acumulado de janeiro a novembro do ano passado, segundo a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), os financiamentos somaram R$ 140,1 bilhões, uma queda de 17,1% em relação ao mesmo período de 2024. A expectativa da CBIC é que, com as novas regras, R$ 37 bilhões sejam injetados no crédito habitacional em 2026.

2) Miami e Tóquio lideram risco de bolha imobiliária; São Paulo é a com menor risco

Os riscos de bolha diminuíram nos principais mercados imobiliários residenciais do mundo pelo terceiro ano consecutivo em 2025, mas cidades como Miami e Tóquio ainda apresentam preços altamente distorcidos e outras como Dubai e Madri registraram uma piora de dinâmica. São Paulo, por outro lado, é a cidade com o menor risco, dado o elevado patamar da Selic. É o que mostra o Global Real Estate Bubble Index, um estudo anual do UBS que analisa a saúde imobiliária de 21 metrópoles com base em cinco métricas: índices de preço/renda e de preço/aluguel, variações das relações entre hipoteca e PIB e atividade construtiva e PIB, e a relação entre os preços da cidade e os preços do país.

3) Aluguel sobe quase 10% em 2025 e supera inflação pelo quarto ano seguido

O mercado de aluguel residencial encerrou 2025 com alta média de 9,44%, segundo o Índice FipeZAP. O ritmo perdeu força frente aos três anos anteriores, mas voltou a superar com folga a inflação e consolidou mais um ano de reajustes reais no setor. No mesmo período, o IPCA, índice oficial da inflação no Brasil, ficou em 4,26% O desempenho também contrastou com o IGP-M, tradicional referência contratual, que recuou 1,05% no período. Mesmo com a desaceleração, o setor entrou em 2026 em ritmo positivo. A valorização nos aluguéis permanece acima da inflação, o que reforça a pressão sobre inquilinos e a atratividade para proprietário.

4) Governo espera contratar 1 milhão de moradias do MCMV em 2026

O governo federal projeta contratar 1 milhão de unidades habitacionais pelo Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em 2026, mantendo o impulso na construção civil durante ano eleitoral. A meta foi anunciada pelo secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Rabelo. O programa conta com orçamento recorde do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de R$ 144,5 bilhões para habitação. Das 1 milhão de moradias previstas, 390 mil serão destinadas a famílias com renda bruta mensal de até R$ 2.850, na faixa 1. Destas, 140 mil serão integralmente subsidiadas pelo governo federal, com investimento de R$ 8,567 bilhões. As outras 250 mil unidades serão contratadas por financiamento.

5) Mercado imobiliário: metro quadrado mais caro do Brasil continua sendo o do Leblon

Segundo o Índice FipeZAP, os preços de venda de imóveis residenciais subiram 6,52% em 2025, superando o avanço do IPCA — a inflação oficial do país —, que acumulou 4,46% até novembro, de acordo com o IBGE. O desempenho de 2025 foi o segundo melhor dos últimos 11 anos, atrás apenas de 2024, quando a valorização chegou a 7,73%. O índice, calculado a partir de dados de 56 cidades, é desenvolvido pela Fipe em parceria com o Grupo OLX. Dentro desse cenário, um grupo restrito de bairros de alto padrão voltou a se destacar — com o Leblon, no Rio de Janeiro, reafirmando sua posição histórica como o metro quadrado mais caro do Brasil.

6) Construtoras têm resultados mistos no quarto tri de 2025

Cinco construtoras listadas na B3 divulgaram prévias dos balanços do quarto trimestre de 2025 na quinta-feira (15), com resultados divergentes nas vendas líquidas. Direcional (DIRR3), Even (EVEN3) e Pacaembu (PCBU3) registraram crescimento, enquanto Cyrela (CYRE3) e Lavvi (LAVV3) apresentaram quedas no período.

7) Poupança registra saída de R$ 85,568 bilhões em 2025

Os depósitos em caderneta de poupança superaram os saques em R$ 5,410 bilhões em dezembro, como divulgado nesta sexta-feira pelo Banco Central (BC). No acumulado de 2025, a saída foi de R$ 85,568 bilhões. A poupança registra saídas anuais consecutivas desde 2021. No mês passado, os brasileiros depositaram R$ 432,806 bilhões e sacaram R$ 427,395 bilhões da poupança. O rendimento no período foi de R$ 6,360 bilhões e o saldo da caderneta ficou em R$ 1,022 trilhão. Já considerando o ano de 2025, os depósitos na poupança foram de R$ 4,272 trilhões e os saques de R$ 4,358 trilhões.

8) Investimento em residenciais para renda, conhecidos como multifamily, soma R$ 1,1 bi em 2025

Investidores movimentaram R$ 1,1 bilhão em negócios de residenciais para renda em 2025, segundo levantamento da consultoria CBRE. É o segundo maior valor em dez anos para o segmento multifamily, embora corresponda a apenas 3% do total investido por Fundos imobiliários (FIIs), multifamily offices, fundos de pensão e investidores de private equity em ativos imobiliários no período. O setor de galpões logísticos e industriais lidera os investimentos imobiliários, com 34% de participação, seguido por shoppings (29%) e escritórios (17%). Em 2021, o multifamily registrou mais do que o dobro de aportes, R$ 2,7 bilhões, representando 11% do total, impulsionado pela operação da Brookfield com a Luggo, da MRV.

9) Ocupação de escritórios de alto padrão bate recorde e vacância encosta em mínima histórica

A ocupação de lajes de alto padrão para escritórios atingiu o maior nível desde 2016, ultrapassando os recordes registrados em 2018 e 2019, período pré-pandemia e que antecedeu a entrega de milhares de metros quadrados de imóveis em bairros de elite nas zonas oeste e sul de São Paulo. Dados analisados pela consultoria de mercado SiiLA mostram que a absorção líquida de metros quadrados do ano passado ficou em 215,5 mil. Esse indicador mostra a diferença entre o que foi devolvido e que foi locado. A taxa de vacância ficou em 16,28%, acima apenas dos 16,09% registrados em 2019.

10) Trump Anuncia Programa de US$ 200 Bilhões para Tentar Reduzir Juros Imobiliários nos EUA

O presidente dos EUA Donald Trump anunciou o lançamento de um programa de compra de títulos hipotecários no valor de US$ 200 bilhões (R$ 1,074 trilhão) , com o objetivo de reduzir as taxas de juros dos financiamentos imobiliários nos Estados Unidos. A iniciativa foi apresentada como uma resposta ao problema da acessibilidade econômica, tema que o próprio Trump já havia classificado anteriormente como uma “farsa” criada pelos democratas. Segundo o presidente, o programa deve contribuir para a queda das taxas de hipoteca e para a redução dos pagamentos mensais das famílias.


Caso queira receber a IncorporaNews direto no seu e-mail, cadastre-se em: https://oincorporador.com.br/incorporanews. 


Caio Lobo, o incorporador


Caio Lobo é Diretor de Incorporações e Sócio da Mitro Construtora e Incorporadora, empresa sediada em Goiânia (GO) e especializada no segmento popular de habitação e no médio padrão. É formado em Engenharia Civil pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e é Pós-graduado em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Produz conteúdo sobre incorporações imobiliárias e mercado imobiliário para o canal @oincorporador, que conta com mais de 100mil seguidores nichados, é editor da newsletter IncorporaNews, professor no Curso Incorporações Imobiliárias Financiadas e é um entusiasta do mercado imobiliário.