1) Habitação popular e luxo impulsionam mercado imobiliário

O mercado imobiliário brasileiro consolida em 2026 uma dinâmica de crescimento dividida entre o volume recorde da habitação popular e a valorização estratégica do segmento de luxo. Enquanto os programas habitacionais impulsionam o número de unidades lançadas em todo o país, o setor de alto padrão concentra-se na rentabilidade patrimonial e no atendimento a uma demanda reprimida por ativos de alta exclusividade. O VGV da parte sul do Brasil tem crescido muito, com o estado de Santa Catarina encabeçando este movimento, especialmente sua capital. Florianópolis registrou um aumento de 91% no Valor Geral de Vendas entre 2024 e 2025, subindo para a 4ª colocação das cidades com maior VGV do país. Este avanço é impulsionado, sobretudo, pelo segmento de Médio e Alto Padrão no estado.

2) Mercado imobiliário deve ter novo “boom” em 2026, diz consultoria

O mercado imobiliário brasileiro inicia 2026 com expectativas positivas, apontando para um possível novo “boom”. Dados da Brain Inteligência Estratégica indicam que, em São Paulo, o volume de vendas acumulado em 12 meses saltou de 138,8 mil para 151,7 mil unidades entre o segundo e o terceiro trimestres de 2025. Em nível nacional, a intenção de compra de imóveis atingiu 50%. Segundo o levantamento, os jovens da Geração Z (de 21 a 28 anos) lideram a demanda, registrando 56% de intenção de compra.

3) Aluguel dispara 9,10% em 12 meses e sobe quase o dobro da inflação, Teresina lidera alta

Os preços de locação residencial começaram 2026 mantendo ritmo acima da inflação. Segundo o FipeZAP, o aluguel subiu 0,65% em janeiro, superando o IPCA (+0,33%) e o IGP-M (+0,41%) no mês. O avanço foi puxado principalmente pelos imóveis com quatro ou mais dormitórios, que registraram alta de 1,29%. Já as unidades de um dormitório tiveram variação mais moderada, de 0,41%. No acumulado dos últimos 12 meses, o Índice FipeZAP de Locação Residencial avançou 9,10%, praticamente o dobro da inflação oficial medida pelo IPCA (+4,44%) e bem acima do IGP-M, que registrou deflação de -0,91% no período. A maior alta anual foi registrada em Teresina (+20,95%), seguida por Belém (+18,14%) e Cuiabá (+17,49%).

4) Entidades da construção associam fim da escala 6x1 a aumento de preço em imóveis

O fim da escala de trabalho 6x1, que é alvo de proposta de emenda constitucional (PEC) encaminhada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), tem tirado o sono do setor da construção civil, que reclama já sofrer com a inflação e a escassez da sua mão de obra. Em coletiva de imprensa neste mês, o presidente-executivo do Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário), Ely Wertheim, se posicionou contrário à alteração. “Primeiro, trabalho não mata, não dá câncer. O fato de o cara trabalhar não quer dizer que a vida dele é ruim”, disse. A entidade enviou um posicionamento sobre o tema, no qual elenca comparações com a produtividade do trabalhador brasileiro e de países desenvolvidos que já adotam uma jornada de trabalho reduzida. “Os países que estão adotando a redução da jornada de trabalho são Noruega, Finlândia, Bélgica, vamos combinar que ainda não estamos lá”, afirmou.

5) O tamanho médio dos apartamentos para locação caiu (de novo)

Uma pesquisa do DataZAP mostra que o tamanho médio das unidades procuradas para locação caiu pelo segundo ano consecutivo no Brasil. A metragem média ficou em 58 m2 no ano passado, abaixo dos 67 m2 registrados em 2024 e dos 71 m2 de 2023. A redução é um reflexo de mudanças demográficas e econômicas que afetam o mercado imobiliário. De acordo com o último Censo, as famílias encolheram de uma média de 3,7 indivíduos por lar em 2010 para 2,8 em 2022. Além disso, quase 19% dos domicílios no País agora são ocupados por apenas uma pessoa. E com o metro quadrado mais caro nas áreas bem localizadas, reduzir a metragem virou uma forma de manter o aluguel dentro do bolso. Do lado da oferta, incorporadoras passaram a apostar em projetos mais compactos, ajustando o produto ao orçamento de quem busca morar em regiões com melhor infraestrutura.

6) Inadimplência de aluguel atinge menor nível em oito meses

A inadimplência de aluguel no Brasil começou 2026 em queda e atingiu, em janeiro, a menor taxa dos últimos oito meses: 3,29%. O índice recuou 0,15 ponto percentual em relação a dezembro (3,44%) e 0,40 ponto frente a novembro (3,69%), segundo o Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica. No acumulado do ano passado, a média de inadimplência ficou em 3,50%, praticamente estável em relação a 2024 (3,49%). Para Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica, a queda no início do ano é um sinal positivo. Ele diz, no entanto, que o cenário ainda inspira cautela.

7) Estoque acende sinal amarelo para incorporadoras da média e alta renda

Os lançamentos entre as listadas cresceram 29% no ano passado, mas não foram acompanhados pelo ritmo de vendas (com alta de apenas 1%), o que provocou um aumento de 32% nos estoques do segmento, aumentando as preocupações de investidores e analistas de real estate. Um levantamento do BTG mostra que as companhias do segmento encerraram o ano com um estoque de 36,4 mil unidades, o que equivale a 16,6 meses de vendas - o maior número desde 2022. A maior parte desse total ainda está em construção, mas 9,9 mil unidades já estão prontas.

8) STF julga papel dos cartórios na alienação fiduciária

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma um julgamento que pode ter consequências importantes para o setor financeiro, em especial em relação ao crédito imobiliário. Trata-se, basicamente, da necessidade de contratos de alienação fiduciária terem escrituração pública ou não, ou seja, serem registrados em cartório. A indústria sempre funcionou com uma interpretação da lei 9.514 de que não era preciso fazer escrituração pública, bastando um instrumento particular. Entretanto, em 2024, o então presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Luis Felipe Salomão, editou os provimentos 172 e 175, afirmando que a alienação fiduciária sem escrituração pública não valia para qualquer caso, sendo permitida somente para financiamentos imobiliários. Assim ficaram de fora todos os outros tipos de transação que usam alienação fiduciária, como contratos de locação, compra e venda, loteamentos, crédito rural e certificados de recebíveis imobiliários (CRIs).

9) Cury (CURY3) lidera momento de lucros entre construtoras, aponta BBI; confira as projeções

A prévia de resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) reforçou o bom momento da Cury (CURY3) em relação a outras construtoras, segundo relatório publicado pelo Bradesco BBI. De acordo com os analistas Bruno Mendonça e Wellington Lourenço, que assinam o documento, a companhia, que é focada em habitação popular, deve apresentar uma forte expansão de lucros entre 2026 e 2027, na casa de 19%, acompanhada de um dividend yield próximo de 8% no período. “A Cury apresenta o melhor momentum de lucros no curto prazo. Em termos de números, nossa prévia do 4T25 indica que a empresa deve ser o destaque do setor [na temporada de balanços]”, escreveram.

10) Queda de Maduro provoca inesperado boom imobiliário na Venezuela

A prisão de Nicolás Maduro e as discussões sobre investimentos em petróleo impulsionaram os preços, embora corretoras afirmem que o entusiasmo está superando a demanda em uma economia frágil. A possibilidade de liberdade política e de uma economia mais saudável tem gerado entusiasmo entre os venezuelanos, tanto no país quanto no exterior. Esse otimismo alimentou um aumento no interesse por imóveis, à medida que expatriados, alguns dos quais acumularam economias no exterior, consideram retornar — ou pelo menos investir — pela primeira vez em anos, de acordo com corretores de imóveis que notaram um aumento nas consultas.