1) A guerra está inflacionando a construção civil – um duro ‘déjà vu’ para o setor

A disparada recente da inflação da construção provocada pelo conflito no Irã já começa a lembrar o choque vivido pelo setor na pandemia. No Índice Nacional do Custo de Construção (INCC-M), a categoria materiais e equipamentos acelerou de uma alta de 0,28% em março para 1,4% em abril - o maior avanço mensal desde junho de 2022. "É quase tão impactante quanto a alta que tivemos durante a pandemia, que foi muito difícil para a administração de contratos. Estamos realmente com bastante atenção e preocupação nesse movimento," disse Renato Correia, o presidente da CBIC, durante uma apresentação de indicadores. A alta começou a ganhar força após o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, com impacto sobre petróleo, combustíveis, frete e outros insumos industriais. "Esse incremento de custo nao era esperado para o início do ano," disse a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos.

2) Sonho da casa própria fica mais distante para a classe média e aluguel dispara no País

Achatada entre os ricos e os pobres, a classe média é mais impactada pelos juros altos no financiamento, não tem os subsídios do segmento econômico e sofre para acumular o dinheiro da entrada do imóvel. “Sabe aquele meme ‘como juntar dinheiro para emergências se minha vida é um eterno pronto-socorro?’”, brinca a consultora de comunicação Carol Herling. Um estudo da empresa de análise de crédito imobiliário FC Análise indica que a classe B (que recebe entre R$ 4.607,01 e R$ 16.186,00) é o maior grupo no mercado de aluguel. O perfil corresponde a 49% das propostas realizadas em 2025. A classe A (acima de R$ 16.186,01) realiza 22% das propostas e a classe C (de R$ 1.525,01 a R$ 4.607,00) aparece com 17%.

3) Ata do Copom não sinaliza cortes diante de incertezas no Oriente Médio

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) afirmou em ata publicada nesta terça-feira, 5, que a extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio mantém o cenário incerto. Por isso, a magnitude e a duração do ciclo de corte de juros serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises. Na última quarta-feira, 29, o Copom reduziu a taxa de juros em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic foi de 14,75% para 14,5% ao ano. No entanto, o Comitê não sinalizou os próximos passos da política monetária.

4) Preço de imóveis residenciais voltam a acelera em abril, indicando retomada

Os preços de venda de imóveis residenciais voltaram a ganhar fôlego em abril, indicando que está em curso uma retomada gradual do mercado após um início de ano mais moderado. Conforme levantamento, o Índice FipeZAP registrou no último mês uma alta de 0,51%, acelerando em relação ao percentual de janeiro, que chegou a 0,20%, de fevereiro, com alta de 0,32%, e de março 0,48%. Apesar do ritmo em 2026, o desempenho no acumulado em 12 meses segue positivo. O Índice FipeZAP acumula alta de 5,63%, acima tanto da inflação ao consumidor medida pelo IPCA, que 4,62%, quanto do IGP-M (+0,61%).

5) STJ decide que aluguel de imóvel residencial em condomínio por Airbnb depende de autorização de dois terços dos condôminos

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a locação de imóveis residenciais em condomínios para estadias curtas – como as realizadas por plataformas no modelo Airbnb – depende de autorização em assembleia com aprovação de pelo menos dois terços dos condôminos. Em nota, o Airbnb afirmou que a decisão se refere a caso pontual, não é definitiva e não proíbe a locação. Diz ainda que restringir a locação é inconstitucional e vai recorrer da decisão.

6) Mercado de capitais dá primeiros passos no crédito imobiliário pós-chaves

O mercado de capitais está abrindo uma nova fronteira, com o surgimento dos primeiros veículos de investimentos destinados a financiar o comprador de imóveis - um mercado com potencial para movimentar dezenas de bilhões de reais. Nos últimos anos, as incorporadoras recorreram a fundos, debêntures e certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) para financiar as compras de terrenos e as obras, além de dívidas corporativas. Agora, chegam à ponta final da cadeia, com a busca por recursos para cobrir o repasse do consumidor após a entrega das chaves.

7) Mercado fracionado de imóveis amadurece e reduz estoques

Ao setor de multipropriedades - aquele em que o imóvel é vendido para vários donos, com direito de uso por algumas semanas - está passando por uma fase de amadurecimento. Após vários anos seguidos de expansão no Brasil, os lançamentos de novos projetos recuaram, com as empresas mais focadas em reduzir o volume do estoque. “Este é o primeiro ano em que o volume de lançamentos deu uma caída, mas as vendas foram bem e vimos uma redução dos estoques”, diz o consultor Caio Calfat. “Isso foi importante, porque a absorção do estoque trouxe o mercado para um patamar mais saudável”. O mercado brasileiro tem, hoje, 224 empreendimentos do gênero em 99 cidades, apenas 4% mais que o começo do ano passado (data da última pesquisa), quando eram 216.

8) Como a Alea, de casas de madeira pré-fabricadas, virou ponto de discórdia entre acionistas da Tenda

Grupo de investidores passou a cobrar o conselho de administração para dar um basta na queima de caixa e na série de prejuízos da Alea; Tenda nega que irá fechar subsidiária. “Não consideramos descontinuar a Alea”, ressaltou o diretor financeiro e de relações com investidores da Tenda, Luiz Maurício de Garcia, ao ser questionado sobre o tema. “O conselho e a diretoria acreditam que Alea tem potencial para ser geradora de valor.”

9) Para o Itaú BBA, as incorporadoras de baixa renda ficaram baratas após a guerra

O banco reconhece que o momento exige uma cautela maior com as empresas que atuam no Minha Casa Minha Vida, por terem menos espaço para repasse dos custos, mas avalia que a recente desvalorização das ações não se justifica. Nas duas últimas semanas, as ações de incorporadoras do segmento caíram entre 15% e 25%, enquanto o Ibovespa recuou 7%. “Se o mercado estiver precificando o pior cenário possível, nosso cenário base implica um grande potencial de alta, e se a inflação de custos não aumentar significativamente, as empresas que aumentarem os preços poderão entregar margens recordes,” escreveram os analistas.

10) Justiça cancela alerta de possível fraude em matrícula de habitação popular em SP

A Justiça de São Paulo determinou que os cartórios da capital retirem das matrículas imobiliárias as anotações que apontavam investigação por possível fraude em moradias enquadradas como HIS (Habitação de Interesse Social) e HMP (Habitação de Mercado Popular). A medida, destacada em reportagem da Folha, desfaz um mecanismo adotado no ano passado para alertar compradores sobre possível questionamento judicial por desvirtuamento das regras de habitação popular. Com a decisão, os registros passarão a informar somente se o imóvel e classificado como Habitação de Interesse Social ou Habitação de Mercado Popular, sem menção à existência de apuração sobre irregularidades.