1) Cury vê ‘brecha’ para renegociar custos de materiais

O aumento dos custos da construção provocado pela guerra no Oriente Médio tem preocupado as incorporadoras, mas a Cury diz que está começando a ver uma abertura para renegociar preços de materiais. Como há uma expectativa de que o encarecimento dos projetos possa diminuir a demanda do mercado, os fornecedores estão mostrando que há uma "brecha" para rever valores, disse Paulo Curi, o co-CEO responsável pela área de engenharia. "A cada dia temos uma notícia diferente da guerra. Enquanto tivermos toda essa incerteza, vamos ficar muito atentos a qualquer ajuste necessário," ele disse numa call com analistas. Paulo, no entanto, indicou que essa margem para negociações não necessariamente vai resultar em uma economia no custo da obra. "O que eu acho que podemos falar é que estaríamos mantendo o nosso preço de hoje," ele disse.

2) Crédito imobiliário pode ter juros diferentes por renda e valor do imóvel

O Banco Central espera que o novo modelo de financiamento da casa própria aprofunde a diferença entre as taxas cobradas de famílias de menor e maior renda. Segundo Gilneu Vivan, diretor de regulação e organização do sistema financeiro e de resolução da autarquia, em reportagem do Valor, esse movimento já começou a aparecer em novembro de 2025 e atingiu cerca de 0,4 ponto percentual, com juros relativamente menores para os grupos de renda mais baixa. Em contratos de 30 anos, afirmou, essa diferença já produz efeito relevante no valor total pago pelo mutuário.

3) Santander muda regras e amplia financiamento para até 90% do valor do imóvel

O Santander passou a admitir financiamentos imobiliários de até 90% do valor do imóvel em operações selecionadas, acima do padrão de 80% praticado no mercado privado. Na prática, a mudança reduz a entrada mínima potencial de 20% para 10% e altera de forma relevante a conta de aquisição para compradores e investidores. Em um imóvel de R$ 300 mil, por exemplo, a entrada cairia de R$ 60 mil para R$ 30 mil, liberando capital próprio para outras aplicações ou para custos acessórios da compra. As taxas de juros praticadas atualmente pelo Santander variam entre 11,69% e 12,29% ao ano, precificadas conforme o perfil e análise de crédito de cada cliente.

4) Aluguel residencial tem maior alta em um ano; Nordeste lidera valorização

O mercado de aluguel residencial voltou a acelerar em abril e atingiu o maior ritmo de reajuste em um ano, em um movimento que começa a mudar o mapa da valorização imobiliária no Brasil. O Índice FipeZAP de Locação Residencial avançou 1,04% no mês, acima da alta de 0,84% registrada em março, impulsionado principalmente por capitais do Nordeste e cidades médias. Em 12 meses, os aluguéis acumulam valorização de 8,40%, praticamente o dobro da inflação oficial medida pelo IPCA, que ficou em 4,39% no mesmo período, enquanto o IGP-M acumula 0,61%.

5) Brasília consolida liderança em imóveis de luxo e desbanca São Paulo

A nova edição do Índice de Demanda Imobiliária (IDI-Brasil), divulgada nesta terça-feira, 12, mostra uma mudança importante no mapa da atratividade imobiliária do país. Se no fim de 2025 o estudo já indicava uma pulverização do mercado para além do eixo Rio-São Paulo, os dados do primeiro trimestre de 2026 consolidam um novo movimento com o avanço do Centro-Oeste no segmento de alto padrão e o crescimento da demanda em cidades médias fora dos grandes polos tradicionais.

6) O mercado agora é para profissionais, diz co-CEO da Cyrela

Raphael Horn, co-CEO da Cyrela, considera que o mercado de alto padrão em São Paulo está separando os amadores dos profissionais. Ele admite que o cenário piorou, mas ainda está "bem ok" para quem não está começando agora. "Estamos em um nível para jogador profissional. É challenger, não é amador," ele disse numa call com analistas. Para o executivo, já ficou no passado o ritmo de vendas observado até 2024, quando havia mais resiliência dos consumidores aos juros altos e "os amadores podiam jogar." "A gente estava na Suíça. Agora, para quem estiver pensando em montar incorporadora de médio e alto padrão, eu diria que é um momento difícil para começar," ele disse. "Mas para quem é profissional, dá para ganhar um bom dinheiro."

7) Home equity cresce 25% no 1° tri e bate recorde de R$ 3 bi

O home equity (crédito com garantia de imóvel) começou 2026 em ritmo de expansão. No primeiro trimestre, as concessões de crédito da modalidade somaram R$ 3,166 bilhões, alta de 25,83% em relação ao mesmo período do ano passado. Foi o maior volume já registrado para o período na série histórica da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), iniciada em 2018. Também chamada de crédito com garantia imobiliária (CGI), a modalidade permite que o consumidor use um imóvel quitado ou financiado como garantia para conseguir empréstimos com juros menores e prazo mais longo do que no crédito pessoal tradicional.

8) A Reforma Tributária vai mudar a forma como imóveis são precificados

A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram, no dia 30 de abril, o Regulamento do IBS e da CBS. O texto detalhou a aplicação da Lei Complementar nº 214 e aprofundou pontos operacionais que já estavam, em essência, previstos. O rótulo oficial “Reforma Tributária do Consumo” entrega bem menos do que aquilo que efetivamente está em curso. O que se reformou não foi apenas o cálculo do tributo, e sim a forma de fazer negócios. A nova lógica tributária impõe adaptações de estratégia para precificar, anunciar, captar, negociar, contratualizar e defender comissão. Modifica-se, em síntese, o playbook e o repertório com que se contornam objeções. E quem dominar primeiro as novas regras, seguramente, sairá na frente neste novo cenário.

9) Estrangeiros ampliam compra de estúdios na Zona Sul do Rio de Janeiro

Os estúdios em construção na Zona Sul do Rio de Janeiro passaram a atrair mais compradores estrangeiros. Levantamento da Patrimóvel aponta que pessoas de fora do país responderam por 32% das 54 vendas de imóveis compactos realizadas entre novembro de 2025 e abril de 2026 em Copacabana, Ipanema e Leblon. Os argentinos lideram a procura. Além da Argentina, a imobiliária identificou compradores da Espanha, Romênia, Suíça, França, Inglaterra e Nova Zelândia. O movimento reforça o interesse internacional por imóveis compactos em bairros com forte demanda turística e residencial. A procura está concentrada principalmente em estúdios, modelo que costuma atrair investidores interessados em liquidez, locação por temporada e potencial de valorização. Na Zona Sul carioca, o crescimento desse perfil acompanha o avanço de lançamentos voltados tanto para moradia quanto para investimento.

10) Prédio mais alto de SP ficará pronto e busca inquilinos para escritórios

Com as obras perto do fim, o prédio mais alto da cidade de São Paulo está entrando na fase de comercialização, com a abertura oficial das conversas para atrair potenciais inquilinos. O Edifício Paseo Alto das Nações será entregue entre setembro e outubro, após cinco anos de obras. O empreendimento terá 42 andares e 219 metros de altura, com 98 mil metros quadrados de área para escritórios (algo equivalente a 12 campos de futebol). O empreendimento será inaugurado em um momento de recuperação do mercado de escritórios.