1) Preço dos imóveis sobe acima da inflação em 12 meses; apartamentos menores lideram ganhos
Os preços dos imóveis residenciais no Brasil voltaram a subir em maio, embora em ritmo mais moderado. O Índice FipeZAP, um dos principais indicadores do mercado imobiliário, avançou 0,42% no período, desacelerando em relação a abril, quando o aumento foi de 0,51%. Entre os diferentes perfis analisados, os apartamentos de um dormitório registraram a maior alta mensal, com ganho de 0,55% nos valores. Já as unidades de três quartos apresentaram a menor variação, de +0,28%. Nos últimos 12 meses, os preços avançaram 5,59%, superando tanto a inflação medida pelo IPCA (+4,77%) quanto o IGP-M (+1,95%). Nesse intervalo, os imóveis compactos também se destacam: as unidades de um dormitório acumulam valorização de 7,35%, acima da média observada pelo índice.
2) Nas obras, falta mão de obra. Sobram soluções de AI
A dificuldade para encontrar pedreiros e engenheiros, as margens mais apertadas e a pressão para reduzir desperdícios estão criando uma nova geração deps para a construção civil. Depois de uma primeira onda focada em digitalizar contratos, documentos e processos administrativos, as construtechs começaram a avançar para problemas do canteiro. A nova leva inclui empresas que usam inteligência artificial para acompanhar o avanço físico das obras, soluções que ajudam incorporadoras a acessarem financiamento eps que desenvolvem tecnologias para construção off-site. O Secovi-SP - que hoje conta com 62ps entre seus associados - e vários desses negócios foram criados por engenheiros que já conviviam com esses problemas.
3) Juros altos por mais tempo: curva de juros já precifica fim de cortes na Selic
O fim do ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, já está precificado na curva de juros futuros, em meio a reavaliação de cenários de grandes players do mercado. Na última semana, o Itaú BBA elevou a projeção da Selic terminal de 2026 de 13,25% para 13,75%, considerando que o comportamento recente dos dados macroeconômicos e a piora da inflação global não abrem espaço para aceleração do afroxamento monetário pelo Banco Central. A XP Investimentos e o Barclays também subiram a estimativa da taxa básica de juros de 13,75% para 14% em dezembro deste ano. O BTG Pactual, por sua vez, revisou a estimativa da Selic de 13% para 14,25%. Ou seja, os agentes financeiros veem pouco espaço para a redução dos juros no Brasil e parte do mercado já trabalha com a possibilidade de que a próxima reunião Copom, em 17 de junho, marque o último corte nos juros em 2026.
4) MCMV responde por 70% das vendas de imóveis novos em São Paulo
O mercado de imóveis novos da cidade de São Paulo manteve ritmo forte em abril, sustentado principalmente pelo Minha Casa, Minha Vida. Segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário do Secovi-SP, a capital vendeu 9.588 unidades residenciais novas no mês, com VGV de R$ 4,9 bilhões. No acumulado de 12 meses, as vendas chegaram a 114,8 mil unidades e R$ 59,1 bilhões em valor geral de vendas. A procura segue concentrada em unidades menores. Imóveis de dois dormitórios responderam por 53% dos lançamentos, 64% das vendas e 56% da oferta, além de registrarem VSO de 11,3%. Por área útil, a faixa de 30 m² a 45 m² concentrou 52% dos lançamentos, 64% das vendas, 52% da oferta e o maior VGV, de R$ 2 bilhões.
5) Os novos carros voadores: como os eVTOLs estão redesenhando o skyline residencial no Brasil
Por trás das fachadas espelhadas e coberturas panorâmicas, um novo elemento começa a se impor no desenho dos maiores edifícios de luxo e alto padrão no Brasil: a infraestrutura aérea. Com a mobilidade vertical ganhando tração, construtoras estão passando a integrar, cada vez mais, plataformas de pouso para eVTOLs (aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical) como parte dos projetos residenciais. A inclusão de espaços para eVTOLs em empreendimentos de alto padrão evidencia uma meta que hoje tem sido enxergada de uma forma muito clara no mercado imobiliário de luxo: oferecer mobilidade aérea privativa como extensão do imóvel. “Com isso, o deslocamento deixa de ser um problema urbano e passa a ser visto como uma experiência de conforto”.
6) Privacidade vira luxo dos ultrarricos e muda o mercado imobiliário de alto padrão
Compradores bilionários dos EUA, especialmente do setor de tecnologia, passam a dar prioridade ao anonimato em transações imobiliárias, mesmo que isso signifique pagar mais caro ou vender por menos. Uma classe crescente de compradores ultrarricos está deliberadamente conduzindo suas compras de imóveis por meio de empresas de responsabilidade limitada (LLCs), trusts de privacidade e as chamadas “whisper listings” (listagens discretas) que nunca chegam aos sistemas públicos de anúncio. O objetivo final deles não é conseguir o melhor negócio possível, mas manter o anonimato e reduzir rastros documentais para garantir segurança. Esse novo fenômeno é chamado de “stealth wealth buying” (compra discreta de riqueza), segundo Ken DeLeon, fundador da DeLeon Realty.
7) Italiana Pininfarina amplia atuação no Brasil e já assina 34 empreendimentos imobiliários de luxo
Conhecida por desenhar modelos icônicos de marcas como Ferrari, Maserati e Alfa Romeo, a italiana Pininfarina expandiu sua atuação nos últimos anos para o mercado imobiliário de luxo, emprestando sua assinatura a empreendimentos ao redor do mundo. No Brasil, a italiana já assina 34 empreendimentos do Sul ao Nordeste. Desses, seis já foram construídos, nove estão em obras e 17 em fase de desenvolvimento. A expansão geográfica da companhia pelo País ilustra o fascínio dos endinheirados brasileiros pelas chamadas branded residences, projetos imobiliários associados a grandes marcas.
8) Restrições do Airbnb impulsionam empreendimentos exclusivos para shortstay
Com o aumento das restrições para locações de curta temporada, investidores passam a comprar apartamentos em prédios projetados exclusivamente para a modalidade shortstay. Para atender a essa demanda, incorporadoras estruturam empreendimentos com convenções de condomínio específicas para a alta rotatividade, incluindo parcerias com gestoras profissionais de locação e características comuns ao setor hoteleiro. As unidades ofertadas costumam ser de pequeno porte, totalmente mobiliadas e equipadas; em edifícios com lavanderias coletivas, portarias com sistemas de biometria automatizada para check-in e armários para bagagens.
9) Berkshire, de Warren Buffett, está convencida de que o sonho da casa própria continuará vivo
O acordo de US$ 6,8 bilhões da Berkshire Hathaway para adquirir uma grande construtora de casas reflete a convicção de que o mercado imobiliário vai superar sua prolongada queda e se recuperar como sempre fez. Com um acordo totalmente em dinheiro firmado no domingo para a Taylor Morrison Home, a Berkshire está prestes a se tornar uma das cinco maiores construtoras dos EUA, ampliando seu crescente portfólio de empresas ligadas ao setor imobiliário. O movimento é um sinal de que um investidor de grande porte acredita que a crise do mercado imobiliário acabará passando — e quer se posicionar para aproveitar uma eventual virada. Mais de 75% dos jovens inquilinos ainda acreditam que um dia vão comprar uma casa..
10) Em crise, Patriani deixa de ser construtora e foca exclusivamente em incorporação imobiliária
Em crise e em uma nova etapa do processo de reestruturação da Patriani, a empresa deixará de executar obras diretamente para atuar exclusivamente como incorporadora. A mudança faz parte do plano conduzido pelo fundador, Valter Patriani, que retornou à gestão da companhia com o objetivo de reorganizar as operações e concluir os empreendimentos em andamento. No ano passado, a Patriani já começava a dar sinais de crise com obras paradas e atrasos nos pagamentos de fornecedores. Funcionários também ficaram com salários atrasados. Atualmente, a Patriani tem 20 obras em andamento, e a maior parte delas já foi transferida para outras construtoras.