O mercado imobiliário de Goiânia encerrou o ciclo de 2025 reafirmando sua posição como um dos cenários mais dinâmicos e resilientes do Brasil. Mesmo diante de um ambiente macroeconômico pressionado por juros elevados, a capital goiana manteve um desempenho robusto, impulsionada pelo vigor do agronegócio e por um crescimento econômico estadual que avança acima da média nacional há cerca de 15 anos.

Dados apresentados pela Ademi-GO e pela Brain Inteligência Estratégica revelam que o Volume Geral de Vendas (VGV) na capital atingiu a marca de R$8 bilhões em 2025. O índice de valorização média do metro quadrado foi de 13,4% no último ano, superando a inflação e consolidando um movimento histórico: em apenas quatro anos, o valor médio do metro quadrado em Goiânia praticamente dobrou, saltando de R$5.600 para aproximadamente R$10.500.

Fundamentos do Crescimento Acima da Média

A performance diferenciada de Goiânia em relação ao restante do país é sustentada por fundamentos demográficos e estruturais. Enquanto a população brasileira cresceu cerca de 7% entre os censos de 2010 e 2022, o estado de Goiás registrou um avanço de 20% , quase o triplo da média nacional.

Esse fluxo migratório, somado à capitalização gerada pelas safras recordes do agro, gera uma demanda contínua tanto para a primeira moradia quanto para o movimento de upgrade imobiliário. “O crescimento econômico gera upgrade imobiliário e a valorização é sustentada por fundamentos reais”, destaca o setor.

Intenção de Compra em Patamar Histórico

Um dos dados mais expressivos da última rodada de pesquisas é o índice de intenção de compra, que atingiu o maior nível da série histórica recente. Atualmente, 50% dos brasileiros declaram interesse em adquirir um imóvel, o que significa que, a cada dez pessoas, cinco manifestam disposição para investir no setor.

Essa demanda estruturada encontra um mercado com estoque equilibrado, onde o segmento de alto padrão responde por cerca de 80% das operações. No entanto, o programa Minha Casa Minha Vida também ganha relevância local, representando 22% do estoque disponível em Goiânia e apresentando forte tendência de aceleração.

Perspectivas e Pressão de Custos

Para o presidente da Ademi-GO, Felipe Melazzo, a tendência para 2026 é de continuidade na alta dos preços. A valorização é pressionada por fatores como o aumento nos custos de construção e as mudanças regulatórias do Plano Diretor de 2022, que reduziu o potencial construtivo dos terrenos entre 15% e 25%.

Com menos unidades permitidas por terreno, o custo por apartamento tende a subir, tornando o momento atual estratégico para o comprador. "Quem comprar agora tende a se beneficiar da valorização", reforça Melazzo, apontando que uma possível queda na taxa de juros deve injetar ainda mais liquidez e pressão de demanda sobre os preços nos próximos meses.