Dados recentes do IBGE mostram que o número médio de moradores por domicílio caiu de forma significativa ao longo dos últimos 40 anos e hoje gira em torno de 2,7 pessoas por residência. O avanço das famílias formadas por apenas um morador também tem alterado o perfil da demanda por moradia nas grandes cidades.
Em Goiânia, essa transformação já se reflete diretamente no mercado imobiliário. Dados da Ademi-GO mostram que 73% dos imóveis comercializados na capital no terceiro trimestre de 2025 possuíam até 74 metros quadrados, evidenciando a força dos empreendimentos compactos e de médio porte.
Compactos ganham espaço nos lançamentos
Para o especialista do mercado financeiro Caio Lobo, o crescimento da oferta é uma resposta das incorporadoras a uma demanda que já existia. "Tem muita gente que olha para o aumento dos compactos, por exemplo, e acredita que existe um excesso de oferta. Quando analisamos os dados, vemos justamente o contrário. O mercado está respondendo a uma demanda reprimida que já existia em Goiânia."
Esse movimento pode ser observado na oferta de novos empreendimentos. Levantamento realizado pela plataforma AutImob identificou 22 empreendimentos compactos em comercialização na capital, entre imóveis já entregues e projetos com previsão de conclusão até 2028.
Os lançamentos estão concentrados principalmente em bairros como Marista, Bueno, Jardim América, Pedro Ludovico e Setor Universitário. As datas de entrega também chamam atenção. Além de empreendimentos já concluídos, o levantamento aponta novos projetos previstos para 2026, 2027 e 2028, o que aponta para uma aposta de longo prazo das incorporadoras nesse segmento.
Segundo Caio Lobo, a demanda pelos compactos é sustentada por diferentes fatores. Além da redução do tamanho das famílias, o mercado passou a ser impulsionado pelo crescimento das plataformas de locação por curta temporada, como Airbnb e Booking.
"Goiânia possui um turismo hospitalar muito forte e também um turismo de negócios relevante. Isso cria uma demanda constante por hospedagem e por imóveis compactos voltados para locação", explica o especialista.
Ele também destaca que a expansão urbana da capital tem aumentado a valorização de imóveis bem localizados. "À medida que a cidade cresce e o trânsito se torna mais desafiador, as pessoas passam a valorizar cada vez mais a proximidade do trabalho, dos serviços e das áreas de lazer. Nesse cenário, o compacto bem localizado ganha relevância."
A expectativa é que esse movimento continue nos próximos anos. Para Caio Lobo, o segmento ainda está distante de um cenário de saturação. "Eu não acredito que exista excesso de oferta hoje, nem que isso aconteça nos próximos anos. A demanda deve continuar crescendo e os compactos tendem a permanecer como um dos segmentos mais ativos do mercado imobiliário."