Goiânia alcançou o terceiro lugar entre os mercados imobiliários mais atrativos do país para empreendimentos de alto padrão. Para o especialista do mercado financeiro Caio Lobo, o crescimento da capital está diretamente ligado à combinação entre desenvolvimento econômico, fortalecimento do agronegócio, expansão do setor de serviços e percepção positiva sobre segurança e qualidade de vida.

“Eu vejo que Goiânia pesa muito pelos bons produtos que temos no mercado do alto padrão, somado à segurança que a cidade oferece hoje e ao fato de ser vista como um hub de saúde e um hub de negócios”, diz. O especialista explica que o setor de serviços está bastante movimentado, isso atrai pessoas para comprar e morar na capital. Além do agro, que historicamente vem ajudando muito nisso.

A análise acompanha os resultados mais recentes do Índice de Demanda Imobiliária (IDI-Brasil), elaborado pelo Ecossistema Sienge, CV CRM e Grupo Prospecta em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O último levantamento posicionou Goiânia na terceira colocação nacional em atratividade para imóveis de alto padrão, atrás apenas de Brasília e São Paulo.

Protagonismo do Centro-Oeste

O desempenho reforça o protagonismo crescente do Centro-Oeste no setor imobiliário premium, em um cenário historicamente dominado pelo Sudeste. Brasília, inclusive, manteve a liderança nacional pelo segundo trimestre consecutivo. Mas, segundo Caio Lobo, embora as duas capitais ocupem posições de destaque, os fatores que sustentam cada mercado são distintos.

“São dois mercados que não concorrem diretamente, são públicos muito diferentes procurando coisas distintas. Brasília se torna atrativa mais pela quantidade menor de imóveis disponíveis diante do potencial que a cidade tem. Para mim, são motivos totalmente diferentes, mas ainda assim os dois figuram entre os destaques”, analisa.

Além da valorização dos empreendimentos, o especialista aponta que mudanças no comportamento populacional ajudam a explicar o crescimento imobiliário do Centro-Oeste. Dados recentes mostram uma intensificação do fluxo migratório para cidades fora dos pólos tradicionais do Sudeste, favorecendo regiões com melhor percepção de segurança e qualidade urbana.

“Enquanto São Paulo ainda sofre muito com problemas ligados à segurança urbana, Goiânia já está com isso muito mais resolvido, e isso tem reflexo direto no mercado imobiliário. Quando olhamos o fluxo migratório, o Centro-Oeste está atraindo pessoas de outros estados. São Paulo, que historicamente recebia mais gente, começa a registrar um movimento diferente.”

Na avaliação do especialista, o impacto desses movimentos tende a ser duradouro e pode consolidar cidades do Centro-Oeste entre os principais mercados imobiliários do país nos próximos anos. “Eu vejo essa lista se consolidando. Acredito que as cidades do Centro-Oeste vão permanecer no Top 10. Goiânia tende a ficar entre os destaques não só no alto padrão, mas também nos segmentos médio e popular.”