O mercado imobiliário da Região Metropolitana de Goiânia chega a 2026 com sinais claros de continuidade do ciclo de crescimento, especialmente no segmento de loteamentos. Fatores como expectativa de redução da taxa Selic, valorização dos terrenos e estabilidade no setor, especialmente pelo bom retorno do investimento em lotes, demonstram crescimento promissor neste início de 2026.

Conforme dados apresentados na última quarta-feira (28), durante reunião na sede do Secovi Goiás, apesar do cenário com grandes eventos que refletem no mercado este ano, o setor segue com grandes potenciais. Em 2026, teremos eleições e Copa do Mundo de Futebol, dois eventos que refletem no mercado e podem influenciar diretamente o contexto de vendas e andamento de obras.

Nesse sentido, a Associação de Desenvolvedores Urbanos de Goiás (ADU-GO) analisou o ano de 2025 e as perspectivas para 2026, como forma de planejamento estratégico e preparação aos associados. “Antecipar toda a análise de como foi o ano de 2025 e como nos prepararmos, do ponto de vista dos nossos associados, face a esse mercado, que é tão desafiador, é bem prudente para decidirmos a partir dessa análise", pontuou o presidente da ADU-GO, João Victor Araújo.

Avaliações e perspectivas

Analisando as perspectivas para o mercado de loteamentos em 2026, Marcelo Gonçalves, consultor da Brain Inteligência Estratégica, empresa que realiza estudos regulares sobre o mercado imobiliário local, identificou alguns pontos mais relevantes. “Nos últimos trimestres e até nos últimos dois anos, tivemos um crescimento tanto a nível de mercado, quanto no lançamento quanto de vendas”, avaliou.

O primeiro ponto analisado foi a expectativa de redução da taxa Selic, de patamares elevados, como 15%, para cerca de 12% a 12,5% ao ano, o que ele aponta como um gatilho fundamental para aquecer o setor. “Não interessa o modelo do desenvolvedor urbano, se de capital próprio, funding bancário ou do mercado de capitais, os juros altos impactam em qualquer um desses modelos”, destacou Marcelo. “Com a renda fixa rendendo menos (devido à Selic menor), o investidor tende a voltar a apostar em ativos reais, como lotes, buscando maior valorização antes que os preços subam”, acrescentou.

Outro fator apontado pelo consultor da Brain foi o combo valorização e oferta. “Como o loteamento é um mercado com barreiras de entrada (dificuldade de aprovação e regulação), há uma escassez de lançamentos em diversas regiões. Isso, somado à alta demanda, aponta para uma tendência de valorização dos preços dos terrenos em 2026”, analisou.

Esse descompasso entre demanda e oferta não é um fato isolado. O mercado de loteamentos opera com barreiras estruturais de entrada, sobretudo ligadas à aprovação de parcelamentos do solo, que envolvem processos longos e complexos junto aos municípios e órgãos ambientais. Há casos, segundo o setor, de projetos que levam até uma década para sair do papel. A lentidão regulatória limita a reposição de estoque e cria um ambiente de escassez relativa, mesmo em um cenário de crescimento consistente da procura.

Marcelo Gonçalves citou ainda a estabilidade do setor, visto que o mercado de loteamentos é visto como um dos mais estáveis do mercado imobiliário, pois não costuma sofrer com a “maior oferta", devido à baixa velocidade de reposição de estoque. “Em suma, a perspectiva para 2026 é de continuidade do ciclo de crescimento do mercado, e maior liquidez para o mercado de loteamentos, impulsionado pela combinação de juros em queda e oferta limitada”, adiantou o consultor.