A valorização dos imóveis em Goiânia nos últimos anos tem chamado a atenção do mercado. Entre 2020 e 2025, o preço médio do metro quadrado praticamente dobrou, saindo de cerca de R$ 5 mil para patamares próximos a R$ 11 mil. Para o presidente da Ademi-GO, Felipe Mellazo, esse movimento é resultado de mudanças estruturais e de um cenário global que impactou os custos da construção civil.

Um dos principais fatores foi a alteração do Plano Diretor da capital, que limitou o potencial construtivo dos terrenos. Na prática, ele explica que os empreendimentos que antes comportavam um número maior de unidades passaram a ser reduzidos. “Onde antes era possível construir 100 unidades, hoje se constrói em média 75. Isso eleva o custo por unidade, já que o valor do terreno permanece praticamente o mesmo”.

Alta de insumos também impactou

Além disso, o setor enfrentou aumento nos custos de insumos. Reflexos da pandemia, conflitos internacionais e a escassez de mão de obra contribuíram para encarecer a construção. Ainda assim, segundo Mellazo, a valorização dos imóveis ficou acima da inflação gerada por esses fatores, o que reforça a atratividade do mercado imobiliário.

Mesmo com a alta nos preços, a demanda segue aquecida. Pesquisas recentes mostram que mais de 70% da população ainda pretende adquirir um imóvel. “Esse movimento é impulsionado não apenas pela valorização do ativo, mas também pelo crescimento populacional. Goiás tem registrado aumento na migração de outros estados, atraídos pela economia local. Em 2024, cerca de 69 mil pessoas se mudaram para o estado”, analisa.

A valorização não se restringe aos bairros mais tradicionais, como Setor Marista, Bueno, Oeste e Jardim Goiás. Regiões próximas a esses pólos, como Jardim América, Serrinha, Bela Vista e Parque Amazônia, também registram alta nos preços, mostrando um movimento mais amplo na cidade.

Diante desse cenário, a orientação do setor é clara: quem pretende adquirir um imóvel deve considerar agir no curto prazo. “Se encontrou um imóvel que atende às suas necessidades e está dentro das condições financeiras, é o momento de avançar. Trata-se de um investimento de longo prazo”, afirma.

Outro ponto é a expectativa de queda da taxa Selic, o que pode impactar positivamente os financiamentos imobiliários. Para quem compra na planta, há ainda a correção pelo INCC durante a obra, índice historicamente abaixo da inflação geral. A expectativa é que, ao final da construção, o cenário econômico esteja mais favorável, com juros menores e melhores condições de financiamento.