O mercado de horizontais na Região Metropolitana de Goiânia, que engloba mais de 19 cidades, vive uma das menores taxas de estoque dos últimos 10 anos. Os dados foram apresentados em uma reunião organizada pela Associação de Desenvolvedores Urbanos de Goiás (ADU-GO), na última quarta-feira (28), na sede do Secovi Goiás.

De acordo com Marcelo Gonçalves, consultor da Brain Inteligência Estratégica, empresa que realiza estudos regulares sobre o mercado imobiliário local, foi registrado um aumento não somente do número de lançamentos do tipo, mas também na quantidade de vendas. “Nós lançamos mais, mas vendemos mais também. Então o mercado está mais aquecido e isso reduz a taxa dos nossos estoques”, explicou.

“Em um ano em que o Brasil cresceu 20%, chegamos a quase 50% acima disso, tanto no mercado horizontal quanto no vertical”, comparou o consultor. Outro ingrediente é a diversificação dos produtos de públicos-alvo, que vão desde alto padrão a opções mais populares, passando pelo segmento mais voltado para o padrão médio e econômico.

Expectativas de manutenção do quadro positivo    

Para 2026, a expectativa é que esse quadro se mantenha, com impacto direto sobre preços e liquidez. A projeção de queda da taxa básica de juros, hoje em patamar elevado, aparece como um dos principais vetores de sustentação do mercado.

A redução da taxa Selic tende a aliviar o custo do crédito para desenvolvedores e compradores e, ao mesmo tempo, a reduzir a atratividade da renda fixa, empurrando investidores para ativos reais. Nesse contexto, os lotes voltam a ganhar protagonismo como alternativa de proteção patrimonial e potencial de valorização.

Ainda conforme a análise da ADU, o comportamento do investidor é peça-chave nessa equação. Com juros menores, cresce a busca por ativos que permitam antecipar ganhos antes de novos reajustes de preço.

O loteamento, por sua própria natureza, oferece essa possibilidade em um mercado onde a oferta não reage rapidamente ao aumento da demanda. Diferentemente de outros segmentos imobiliários, o estoque horizontal não se recompõe no curto prazo, o que confere maior previsibilidade e estabilidade ao setor.

A Região Metropolitana de Goiânia tem se beneficiado ainda de um movimento de descentralização residencial. Municípios como Senador Canedo vêm absorvendo parte relevante do crescimento, com empreendimentos que combinam padrão construtivo, infraestrutura urbana e preços mais acessíveis do que os praticados na capital. Esse deslocamento reforça a atratividade do mercado horizontal, associado à busca por mais espaço, qualidade de vida e planejamento urbano.