A população de Goiânia já passa de 1,5 milhão de habitantes, segundo dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que a capital cresceu 0,5% em apenas um ano. A cidade segue como um dos destinos para quem escolhe qualidade de vida para morar.

Esse crescimento levanta um alerta sobre os impactos que o número de pessoas pode trazer para Goiânia. A arquiteta e urbanista e Pesquisadora do Observatório das Metrópoles (Núcleo Goiânia), Maria Ester, explica que o crescimento populacional de uma cidade só impacta negativamente o planejamento quando este não é capaz de prever tal expansão, uma vez que planejar consiste justamente em simular e preparar o futuro.

Ela alerta que, em capitais como Goiânia, observa-se que a gestão muitas vezes ignora o Plano Diretor, agindo de forma reativa e "apagando incêndios" em vez de conduzir o desenvolvimento de forma estruturada. “Para que a infraestrutura de transporte, saúde, educação e saneamento acompanhem esse crescimento, o poder público precisa investir em tecnologia e manter a capacidade de execução rápida de obras, resistindo à tendência de privatização desses serviços essenciais”, diz a especialista.

De acordo com ela, a qualidade de vida urbana não está diretamente ligada ao aumento da população, mas sim à presença e eficiência do serviço público. “A ausência de manutenção básica, como a iluminação das ruas, gera uma sensação de abandono e insegurança que degrada a experiência na cidade”, pontua.

Além disso, ela acrescenta que o desenvolvimento sustentável exige a ocupação de vazios urbanos em áreas centrais que já dispõem de infraestrutura ociosa. “Isso evita o espraiamento desnecessário enquanto regiões com água, esgoto e transporte permanecem desabitadas”, diz.

Análise ambiental também precisa ser levada em conta

No aspecto ambiental, a pesquisadora diz que, normalmente, critica-se a visão de que rios e córregos atrapalham a cidade. “Em vez de canalizar cursos d'água, a gestão deveria focar no reflorestamento de fundos de vale para garantir que a cidade continue ‘respirável’ diante do aumento das superfícies cimentadas e do calor”, pontua.

Essa preocupação se estende à mobilidade, que deve ser pensada além do uso do carro. Maria Ester explica que o colapso do trânsito ocorre pela falta de investimento em calçadas para pedestres, ciclovias e transporte coletivo, sendo que a ausência dessas alternativas gera engarrafamentos até mesmo em cidades pequenas.

Ela diz ainda que não é a migração por si só que eleva os preços, mas sim a qualidade dos serviços e da urbanização oferecidos em determinada região. “Assim, o desafio maior da gestão é assumir a responsabilidade direta sobre os serviços de infraestrutura e garantir que o aumento populacional seja acompanhado por novos espaços de cultura, comércio e convivência”, completa.