Quem vê a correria de Goiânia, com trânsito intenso a qualquer hora do dia, buzinas, motos, ônibus e um fluxo constante de carros, talvez nem imagine que houve um tempo em que o apito de um trem era o som que marcava as chegadas e partidas na capital.
A história da Estação Ferroviária começou antes mesmo da inauguração do edifício. Enquanto diversas regiões brasileiras já contavam com transporte ferroviário desde o século XIX, Goiás só foi integrado à malha ferroviária em 1912. A expansão dos trilhos pelo estado ocorreu lentamente e a capital recebeu sua estação apenas em 1950.
Naquele período, a ferrovia era um dos principais símbolos de progresso econômico. A chegada dos trilhos significava maior circulação de pessoas, mercadorias e investimentos, fortalecendo a conexão entre o interior do país e os grandes centros urbanos.
Um estudo do historiador Givaldo Corcino mostra que a Estação Ferroviária de Goiânia foi inaugurada em 1950 e passou a receber trens de carga e passageiros da Estrada de Ferro Goyaz. O local também teve participação importante durante a construção de Brasília, servindo de apoio logístico para o transporte de materiais e trabalhadores.
Nas décadas seguintes, o avanço do transporte rodoviário reduziu gradativamente a importância das ferrovias no país. O transporte de passageiros foi sendo descontinuado até que, em 25 de junho de 1983, partiu de Goiânia o último trem com passageiros.
Os trilhos já não fazem parte da paisagem urbana, mas deixaram marcas que permanecem até hoje. O estudo conta que o antigo leito ferroviário deu origem à Avenida Leste-Oeste, enquanto outros espaços ligados à operação ferroviária ganharam novos usos ao longo dos anos.
O edifício da estação permanece como uma das construções mais importantes do patrimônio histórico goianiense. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2002, ele integra o conjunto Art Déco de Goiânia, considerado um dos mais importantes do país.
Atualmente, a antiga Estação Ferroviária pode ser visitada diariamente, das 8h às 18h, e segue como um dos espaços que melhor contam a história da formação e do crescimento da capital.