Após a redução da taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), muitos consumidores voltaram a se perguntar se este é o momento ideal para financiar um imóvel. Embora o movimento sinalize uma flexibilização da política monetária, especialistas afirmam que a queda da taxa básica de juros, sozinha, não representa uma redução imediata no custo do crédito imobiliário.

Segundo Maurício Vono, especialista em investimentos, a principal razão é que o financiamento habitacional não acompanha exclusivamente a Selic. Outros indicadores do mercado têm peso na formação das taxas praticadas pelos bancos.

"O mercado observa muito mais os juros futuros do que a própria Selic. A Selic é uma meta definida pelo Banco Central, enquanto os juros futuros refletem o risco percebido pelos investidores, como expectativa de inadimplência e risco fiscal. Na prática, eles acabam sendo um indicador mais relevante para a formação das taxas de crédito", explica.

Além disso, Vono destaca que o Sistema Financeiro da Habitação (SFH), responsável por boa parte dos financiamentos imobiliários, é abastecido principalmente por recursos da poupança. Como a remuneração da caderneta deixa de acompanhar a Selic quando a taxa básica supera aproximadamente 8% ao ano, a relação entre os dois indicadores deixa de ser direta. "Existe um impacto, mas ele não é proporcional. A Selic pode cair e isso não significa que o financiamento imobiliário vai cair na mesma intensidade. Há diversos fatores envolvidos na composição dessas taxas", afirma.

Esperar ou financiar agora?

Para o especialista, a expectativa por novas quedas da Selic não deve ser o principal fator na decisão de compra. Antes de acompanhar o cenário macroeconômico, o comprador precisa avaliar sua própria realidade financeira. "O primeiro filtro é saber se o orçamento comporta o financiamento e se este é realmente o momento da pessoa comprar o imóvel. Só depois faz sentido avaliar se existe uma oportunidade de mercado", diz.

Na avaliação de Vono, também é preciso considerar que uma eventual redução dos juros pode ser acompanhada pela valorização dos imóveis, reduzindo parte do benefício esperado por quem decidiu esperar. "Quando os juros ficam mais baixos, a tendência é aumentar a procura por imóveis. Isso pode elevar os preços. Então, nem sempre esperar significa fazer um melhor negócio."

Outro ponto destacado pelo analista é que quem financia um imóvel hoje não fica preso às condições atuais do contrato. Caso as taxas se tornem mais atrativas no futuro, é possível recorrer à portabilidade do financiamento.