1) Copom mantém Selic em 15% ao ano, mas indica redução em março

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (28) pela manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. A decisão foi unânime e já era amplamente esperada pelo mercado. A novidade no comunicado, no entanto, é que o colegiado agora sinaliza uma queda dos juros na próxima reunião, que acontece em março. Assim, a decisão abre espaço para discussões sobre qual será a magnitude do próximo corte. “Em relação ao ritmo, permanece uma divisão entre 25 e 50 bps no diagnóstico. Dito isso, a apreciação do câmbio e a perspectiva de dados um pouco mais fracos referentes a dezembro tendem a fortalecer a hipótese de um corte de 50 bps, enquanto a possibilidade de 75 bps também passa a ganhar alguma probabilidade”, diz Victal.

2) Governo vai aumentar faixas de renda do Minha Casa, Minha Vida

O governo federal vai aumentar o limite das faixas de renda do programa Minha Casa Minha Vida. A faixa 1, que atualmente vai até R$ 2850, deve ser ampliada para famílias com renda de até R$ 3.200. A faixa 2 irá dos atuais R$ 4.700 para algo em torno de R$ 5.000. A decisão deve ser tomada pelo Ministério das Cidades até o final da semana. No mês que vem, a mudança será proposta ao Conselho Curador do FGTS, que decide pela aprovação das novas regras.

3) Financiamento imobiliário deve crescer 16% em 2026, projeta Abecip

O volume de financiamento imobiliário deve crescer 16% em 2026, após um avanço de 3% em 2025, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). A projeção é sustentada principalmente pela expectativa de queda da Selic no segundo semestre deste ano. A estimativa é que as concessões com recursos da poupança (SBPE) avancem 15%, alcançando R$ 180 bilhões. Já os financiamentos com recursos do FGTS, destinados à habitação social, devem crescer 5%, para R$ 145 bilhões. Os recursos livres, que somaram R$ 31 bilhões em 2025, devem registrar expansão de 66% neste ano, segundo a entidade.

4) Vai faltar grua: rali do setor imobiliário vai acelerar, diz o Citi

Os ganhos robustos do setor imobiliário na Bolsa em 2025, quando o IMOB subiu 73,5% e algumas ações saltaram três dígitos, devem ser superados este ano, segundo o Citi. Num relatório sobre perspectivas globais para ações de real estate, os analistas do banco dizem que 2026 não será um ano de overperformance generalizada do setor, mas que a América Latina (com foco no Brasil) está entre as regiões que devem continuar brilhando. Ventos macro favoráveis, como uma possível queda dos juros e da inflação e uma aceleração da atividade, devem ajudar, mas também há questões idiossincráticas em jogo.

5) Em vitória dos cartórios, Corregedoria de São Paulo proíbe o registro de tokens imobiliários

O corregedor Geral de Justiça de São Paulo, Francisco Eduardo Loureiro, decidiu acatar um pedido dos registradores imobiliários para proibir qualquer anotação que vincule matrícula de imóvel a um token de blockchain. Esta é mais uma vitória judicial dos cartórios contra as empresas que trabalham com tokenização imobiliária, ou seja, no registro em blockchain e negociação de tokens que representam um imóvel. Em outubro do ano passado, a Justiça do Distrito Federal já havia suspendido uma resolução do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) que regulava a atividade de tokenização de imóveis.

6) Reforma tributária: aluguel por temporada pode ter imposto de até 44% para PF

O que mudou: A Lei Complementar nº 214/2025 consolidou essa mudança ao estabelecer que a locação por temporada, definida como contratos inferiores a 90 dias, passa a ser tratada como serviço de hospedagem, equiparado a hotéis e pousadas. Com isso, a atividade fica sujeita ao IBS e à CBS, com aplicação de um redutor de 40% sobre a alíquota padrão. “Antes da reforma, a pessoa física pagava basicamente Imposto de Renda, com alíquota máxima de 27,5%, sem tributos sobre consumo e sem obrigação de emissão de documentos fiscais”, explica. Com o novo modelo, além do IR, passam a incidir IBS e CBS. Em um aluguel de R$ 10 mil, a carga tributária total da pessoa física pode chegar a aproximadamente 44%, enquanto uma pessoa jurídica no lucro presumido pode ter carga próxima de 27%, ou até menor, dependendo do aproveitamento de créditos.

7) Inflação do aluguel sobe em janeiro, mas segue em queda em 12 meses

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como “inflação do aluguel”, registrou alta de 0,41% em janeiro de 2026. O indicador, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira (29), voltou ao campo positivo após leve retração de 0,01% em dezembro de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses, no entanto, o movimento foi de queda: o índice baixou 0,91%. Este também foi o terceiro mês consecutivo de retração na base de comparação anual. Um ano antes, em janeiro de 2025, o IGP-M havia subido 0,27% no mês, acumulando alta de 6,75%.

8) O Rio quer mais MCMV. E mudou a lei da cidade para isso

A nova legislação substitui as normas de 2009, que vinham travando empreendimentos do programa habitacional nas duas regiões e já não acompanhavam as regras do Plano Diretor, do Código de Obras e da lei de parcelamento – revisadas recentemente. Além disso, foi incluída na nova lei a recém-criada Faixa 4 do MCMV, lançada no ano passado pelo governo federal para famílias com renda mensal de até R$ 12 mil - e que já tem incentivado novos projetos. As regras antigas da lei do Rio só liberavam no máximo 500 unidades por condomínio para habitações de interesse social; eram rígidas para o desenho e a implantação dos blocos; e exigiam um número fixo de vagas de garagem, independentemente do perfil do terreno ou da região. Agora, os projetos deixam de ter essas limitações e passam a seguir critérios do Plano Diretor de 2024, que variam conforme o zoneamento de cada área da cidade.

9) Gestora põe andar do Copan por R$ 32 milhões

A gestora Ilion Partners está pedindo até R$ 32 milhões pela laje, num movimento que quer surfar a valorização da região central de São Paulo, que tem atraído mais escritórios de empresas e empreendimentos residenciais. O imóvel tem 3,8 mil metros quadrados de área locável,  alcançando toda a extensão do edifício projetado por Oscar Niemeyer nos anos 1950, e ocupa o espaço que equivale ao primeiro andar, acima do térreo onde estão os restaurantes e as lojas. A gestora, que tem a tradição de investir em edifícios na região central, adquiriu o ativo em 2020 por R$ 14 milhões. Antes, o andar pertencia à carteira de ativos imobiliários da Telefônica Brasil.

10) Apagão de engenheiros: cresce a urgência de reencantar os jovens com a Engenharia

Vivemos um paradoxo alarmante: enquanto o mundo se transforma com base em soluções tecnológicas, engenheiros se tornam figuras escassas no Brasil. Os dados mais recentes mostram que apenas 6% dos universitários brasileiros estão matriculados em cursos de Engenharia. Isso coloca em xeque não apenas a sustentabilidade do nosso desenvolvimento econômico mas também a própria capacidade do Brasil de competir em um mundo moldado por inovação, infraestrutura e indústria de alta complexidade. Esse dado revela um desafio estrutural para o futuro do país.

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Caio Lobo, o incorporador


Caio Lobo é Diretor de Incorporações e Sócio da Mitro Construtora e Incorporadora, empresa sediada em Goiânia (GO) e especializada no segmento popular de habitação e no médio padrão. É formado em Engenharia Civil pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e é Pós-graduado em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Produz conteúdo sobre incorporações imobiliárias e mercado imobiliário para o canal @oincorporador, que conta com mais de 100mil seguidores nichados, é editor da newsletter IncorporaNews, professor no Curso Incorporações Imobiliárias Financiadas e é um entusiasta do mercado imobiliário.