Alta dos juros traz novos desafios ao setor de médio e alto padrão
Indicador da Abrainc/Deloitte revela queda na confiança e desaceleração nas vendas do alto padrão, enquanto o MCMV segue sustentando o setor
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14/06/2025
Indicador da Abrainc/Deloitte revela queda na confiança e desaceleração nas vendas do alto padrão, enquanto o MCMV segue sustentando o setor
O mercado imobiliário residencial brasileiro apresentou estabilidade no primeiro trimestre de 2025, mantendo indicadores semelhantes aos do trimestre anterior. No entanto, um levantamento da Abrainc em parceria com a Deloitte, divulgado com exclusividade pela Exame, indica um cenário de desaceleração impulsionado pela alta taxa de juros no segmento de médio e alto padrão (MAP).
Comportamento dos indicadores
A pontuação média geral em procura e venda de imóveis ficou em 1,95 e 1,96, respectivamente, numa escala que vai até 3 pontos:
O segmento popular (MCMV) atingiu nota de 2,18, enquanto o MAP recuou para 1,69, queda de 0,09 pontos em relação ao trimestre anterior.
A retração no MAP é atribuída ao encarecimento do crédito imobiliário causado pelas altas consecutivas na taxa Selic, hoje em cerca de 14,75% ao ano. Claudia Baggio, da Deloitte, aponta que “os compradores estão mais receosos quanto aos investimentos diante da taxa de juros mais alta, e consequentemente do financiamento mais caro”.
Cenário e resiliência
Apesar do impacto, a demanda se mantém resiliente, beneficiada pela alta dos aluguéis e pelo déficit habitacional persistente. No segmento MCMV, os lançamentos seguem em alta: 98% das incorporadoras planejam novos projetos, e 93% pretendem adquirir terrenos nos próximos 12 meses. Já no MAP, 89% das empresas pretendem lançar empreendimentos, e 63% planejam compra de terrenos, um crescimento em relação ao trimestre anterior.
Impacto do crédito caro
A Selic elevada também torna investimentos de renda fixa mais atrativos, o que reduz a disponibilidade de recursos para crédito imobiliário via poupança, principal fonte do SFH, limitando o acesso ao financiamento no MAP.
Perspectivas futuras
Para o MCMV, a expectativa segue positiva, especialmente com a implementação da Faixa 4, que amplia. Já o MAP deve enfrentar um 2º trimestre mais desafiador caso a Selic permaneça em níveis elevados, exigindo cautela de incorporadoras e compradores.
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