A construção civil foi responsável por gerar 13% dos postos de trabalho do país, até setembro de 2025. Em Goiânia, o setor gerou quase o dobro de empregos formais da média nacional em setembro, chegando a 24%.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a construção civil foi responsável por 218,2 mil novos postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e setembro de 2025. Somente em setembro, foram 23.855 novas vagas, resultado de 223.799 admissões e 199.944 desligamentos, resultando em um saldo de 3,075 milhões, um dos maiores patamares da série histórica.

“Em Goiânia, a construção civil gerou um quarto das vagas de trabalho na cidade até setembro deste ano, quase o dobro da média nacional. Esse dado reforça como nosso setor tem um papel fundamental para a nossa cidade, gerando empregos, renda, melhores qualidades de vida e arrecadação para o município”, ressaltou o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-GO), Felipe Melazzo.

O presidente lembrou ainda, que com o mercado aquecido e uma alta demanda por profissionais qualificados, as associadas têm investido em programas de qualificação para a formação de mão de obra. “Nós levamos algumas alternativas, principalmente para o Ministério Público do Trabalho, para fomentar a capacitação do primeiro emprego, por exemplo, já visando uma qualificação interna mais assertiva que permita o crescimento profissional do colaborador nos canteiros de obras. E, diante do cenário de falta de mão de obra qualificada que temos presenciado, essas ações de capacitação se tornaram fundamentais”, comentou Melazzo.

Aumento das vagas

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB da Construção cresceu 23% entre 2020 e o 2º trimestre de 2025, o que se reflete no aumento de 1,1 milhão de empregos formais desde o início de 2020, uma alta acumulada de 49,4%.

Conforme o MTE, o resultado de setembro foi o melhor desde abril (31.407 vagas) e ficou acima do registrado no mesmo mês de 2024 (17.065). Entre os segmentos, a Construção de Edifícios gerou 10.540 empregos, as Obras de Infraestrutura 6.236, e os Serviços Especializados 7.079.

Desafios

Segundo a economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ieda Vasconcelos, o desempenho do setor confirma uma trajetória de crescimento consistente, mas também evidencia desafios. “Há cinco anos o mercado de trabalho da Construção vem apresentando resultados positivos, refletindo o crescimento do setor”, destacou Ieda. “Entretanto, o alto patamar da taxa de juros tem gerado intensa preocupação. Há um ano, ela é considerada pelos empresários o principal problema da atividade.”

Com a alta demanda por profissionais, que acaba resultando em salários maiores, e da alta taxa de juros, o efeito para as empresas do mercado imobiliário é o aumento de custos nos canteiros. O presidente do Conselho da Ademi-GO, Fernando Razuk, comentou que as empresas do setor também vêm trabalhando com margens achatadas desde 2020 com o boom de preços dos materiais de construção. “Dessa forma, as empresas não têm espaço para absorver novas altas de custos e aumentos como esses naturalmente serão repassados para os preços dos novos empreendimentos”, enfatizou Razuk ao explicar as consequências e o efeito dominó que isso causa no setor.