O bom momento vivido pela construção civil no Brasil trouxe um desafio que preocupa empresários do setor: a dificuldade para encontrar mão de obra qualificada. Apesar de a taxa de desemprego ter recuado para 5,6% no trimestre encerrado em maio, a menor da série histórica, as empresas continuam enfrentando obstáculos para preencher vagas, especialmente em atividades ligadas aos canteiros de obras.

Uma pesquisa global do ManpowerGroup mostra que 77% dos empregadores dos setores de construção e imobiliário relatam dificuldades para contratar profissionais. O índice coloca o segmento entre os mais afetados pela escassez de talentos no país, reflexo de um mercado aquecido e da oferta insuficiente de trabalhadores qualificados.

Em Goiás, o cenário também preocupa. Um estudo realizado pelo Sebrae Goiás em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) aponta que a construção civil perdeu cerca de 22 mil trabalhadores entre 2012 e 2021. Enquanto o setor empregava aproximadamente 91 mil pessoas em 2012, esse número caiu para cerca de 69 mil em 2021, criando um déficit que ainda não foi recomposto.

De acordo com o levantamento, a dificuldade é ainda maior para preencher vagas operacionais, como pedreiros, carpinteiros, armadores, eletricistas e demais profissionais especializados. Entre os fatores apontados estão o envelhecimento da mão de obra, o baixo interesse dos jovens pela construção civil e a concorrência com setores como tecnologia, comércio e serviços.

Para o analista do Sebrae Goiás, Bruno Lyra, a escassez de profissionais qualificados é uma das principais reclamações dos empresários, sobretudo entre os pequenos negócios. Segundo ele, empresas de menor porte encontram dificuldades para competir com grandes organizações na oferta de salários, benefícios e programas de capacitação, o que limita a contratação e a retenção de trabalhadores.

A diretora de Comunicação Social do Sindicato da Indústria da Construção no Estado de Goiás (Sinduscon-GO), Carolina Lacerda, avalia que o problema é estrutural e resulta do descompasso entre a expansão da construção civil e a formação de novos profissionais. Além de dificultar as contratações, a escassez de mão de obra tem pressionado os custos do setor, com reajustes salariais acima da inflação oficial e impacto direto sobre o planejamento das empresas.