Embora ainda seja visto por muitos brasileiros como uma novidade, o Steel Frame vem conquistando espaço na construção civil ao oferecer uma alternativa à alvenaria convencional. Baseado em perfis de aço galvanizado e componentes industrializados, o sistema promete reduzir prazos de execução, minimizar desperdícios e garantir maior previsibilidade durante a obra.
Para o engenheiro civil Sérgio Borges, especialista em construção a seco, o principal diferencial do Steel Frame está na forma como a obra é planejada e executada. Segundo ele, todos os elementos da estrutura são definidos ainda na fase de projeto, o que reduz improvisos durante a construção e proporciona maior controle sobre cronograma, consumo de materiais e custos.
"O Steel Frame é uma tecnologia construtiva consolidada mundialmente há décadas. Em vez de depender de etapas úmidas, como assentamento de blocos, reboco e longos períodos de cura, o sistema trabalha com componentes produzidos industrialmente, proporcionando mais precisão, menos desperdício e maior previsibilidade da obra", afirma.
Essa organização também reflete diretamente no prazo de execução. Borges cita como exemplo uma residência de 189 metros quadrados cuja estrutura e o forro acartonado foram concluídos em 45 dias. Segundo ele, a mesma etapa, se executada em alvenaria convencional, normalmente ultrapassaria 100 dias.
Além da rapidez, o engenheiro destaca a redução de resíduos, o menor consumo de água e o conforto térmico e acústico proporcionado pelo sistema quando corretamente especificado. Como a estrutura é mais leve, a carga sobre as fundações também tende a ser menor, o que pode representar ganhos técnicos e econômicos, dependendo das características do projeto.
Na avaliação do especialista, o principal obstáculo para uma adoção mais ampla do Steel Frame no Brasil ainda é cultural. "Muitos consumidores associam robustez às construções em concreto e alvenaria, apesar de o aço ser um material de alta resistência. Outro desafio é a formação da mão de obra, historicamente voltada aos métodos convencionais, embora o tema comece a ganhar espaço nos cursos de engenharia e arquitetura", acredita.
Mitos sobre a qualidade e confiança
Se a falta de conhecimento ainda dificulta a expansão do Steel Frame, também alimenta dúvidas sobre sua segurança e durabilidade. Para o engenheiro de produção Gustavo Lourenço de Sousa, essas percepções não encontram respaldo técnico quando o sistema é projetado, executado e mantido conforme as normas brasileiras.
Segundo ele, o Steel Frame não se resume à estrutura metálica. O sistema reúne perfis de aço galvanizado, painéis, mantas hidrófugas, parafusos, telas e outros componentes que atuam de forma integrada para garantir o desempenho da edificação.
Entre os principais mitos, Gustavo destaca a ideia de que as paredes seriam frágeis por não serem de alvenaria. "A resistência da construção depende do conjunto estrutural e dos sistemas de fechamento, e não apenas do revestimento superficial", diz.
Ele também rebate a percepção de que o método teria menor durabilidade. "A vida útil da edificação está diretamente relacionada ao projeto, à proteção contra umidade e à manutenção preventiva, assim como ocorre em qualquer sistema construtivo", explica.
Outro equívoco frequente, segundo o engenheiro, diz respeito à segurança contra incêndios. Ele ressalta que as edificações em Steel Frame utilizam sistemas de proteção passiva ao fogo e devem atender aos requisitos estabelecidos pelas normas técnicas.
Hoje, o Steel Frame tem encontrado maior aplicação em empreendimentos comerciais, impulsionado pela necessidade de acelerar cronogramas e colocar os negócios em operação mais rapidamente. Gustavo avalia que a tendência é de expansão para outros segmentos à medida que o mercado se familiarize com o sistema, acompanhando o crescimento da construção a seco no país.
Para ele, o mercado imobiliário brasileiro caminha para uma maior diversificação dos métodos construtivos. "A busca por produtividade, o avanço da industrialização das obras e a adoção de soluções mais eficientes devem ampliar o espaço do Steel Frame nos próximos anos, tanto em empreendimentos comerciais quanto em projetos residenciais", conclui.