A iluminação deixou de ser um detalhe técnico para ocupar um lugar de destaque dentro dos projetos contemporâneos. Mais do que iluminar, o item traduz sensações, organiza a rotina da casa e valoriza cada escolha feita na arquitetura e na decoração. Em um mercado cada vez mais atento à experiência de morar, falar de curadoria luminotécnica é falar de estratégia.

O engenheiro eletricista Rodrigo Fernandes chama atenção para um equívoco bastante comum. Segundo ele, ainda existe a ideia de que a luz branca ilumina mais do que a amarela, quando, na prática, o que define a intensidade é a quantidade de lúmens. “A temperatura de cor cumpre outro papel. Ela constrói o clima do ambiente. Ignorar essa lógica é abrir mão de um dos recursos mais poderosos dentro de um projeto”, explica ele.

Se antes a iluminação se resolvia com pontos distribuídos de forma quase automática, hoje ela exige curadoria. É escolha, é composição, é leitura de espaço. “Cada ponto de luz precisa dialogar com o uso do ambiente, com os materiais, com a entrada de luz natural e, principalmente, com as sensações que se deseja provocar. Iluminar bem é, também, saber o que não iluminar”, esclarece ele.

A importância da temperatura correta

A temperatura de cor entra como elemento central nessa construção. Rodrigo explica que luzes mais quentes, entre 2.400 e 2.700K, convidam ao descanso, estimulam a produção de melatonina e criam atmosferas acolhedoras, ideais para salas e quartos.

Já as tonalidades mais frias ativam o estado de alerta, associadas à produção de cortisol, funcionando melhor em áreas de serviço como lavanderias e garagens. “Entre esses extremos, a luz neutra, em torno de 3.000K, equilibra funcionalidade e conforto, sendo uma escolha precisa para cozinhas, banheiros e salas de jantar”, pontua.

Para o especialista, esse cuidado vai além da estética. Ele atravessa o corpo e impacta diretamente o bem-estar. “A iluminação interfere no ritmo biológico, no humor e até na forma como percebemos cores e texturas. Um mesmo ambiente pode parecer frio ou acolhedor, amplo ou limitado, sofisticado ou comum, dependendo exclusivamente da luz que o envolve”, acrescenta.