Quem passa pela Avenida Goiás e observa a fachada rosada do Grande Hotel talvez não imagine que aquele edifício já foi o endereço mais elegante da jovem capital goiana. Quando Goiânia ainda dava seus primeiros passos, hospedar-se ali era sinônimo de modernidade.
Inaugurado em 23 de janeiro de 1937, apenas quatro anos após a fundação de Goiânia, o Grande Hotel foi o primeiro hotel da capital e uma das primeiras construções erguidas na cidade. Em uma época em que ruas ainda eram abertas e muitos prédios estavam em construção, o edifício recebia autoridades, engenheiros, empresários e visitantes que chegavam para conhecer a nova capital idealizada por Pedro Ludovico Teixeira.
O prédio chamava atenção pela estrutura. Eram três pavimentos, cerca de 60 quartos, quatro apartamentos considerados de luxo para a época, restaurante, bar, garagem e até banheiros com água quente e fria, itens que representavam conforto e sofisticação na década de 1930. Sua localização também era estratégica, no coração da cidade planejada, entre importantes avenidas que concentravam a vida política e administrativa de Goiânia.
Mas o Grande Hotel não era lembrado apenas pela hospedagem. Seus salões se transformaram em ponto de encontro da sociedade goianiense. Bailes, apresentações musicais, reuniões e o primeiro carnaval da capital ajudaram a escrever parte da vida social de Goiânia. Nas noites de sábado, a música tomava conta do hotel, enquanto moradores e visitantes dividiam o mesmo espaço em uma cidade que ainda construía sua própria identidade.
Ao longo dos anos, o hotel recebeu personalidades que marcaram a história do Brasil e do mundo. Entre os hóspedes ilustres estiveram o presidente Getúlio Vargas, o escritor Monteiro Lobato, o poeta chileno Pablo Neruda e o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, que passaram por Goiânia quando a capital ainda era uma novidade no mapa brasileiro.
Além da importância histórica, o Grande Hotel também ajudou a definir a paisagem urbana da cidade. Projetado em estilo Art Déco, tornou-se um dos edifícios que simbolizam a arquitetura da nova capital e integra o conjunto tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 2003.
O hotel deixou de funcionar como hospedagem há décadas e passou por diferentes usos ao longo do tempo. Ainda assim, a fachada preservada continua sendo um dos cartões-postais do Centro de Goiânia e uma lembrança de uma época em que a cidade nascia cercada pelo entusiasmo de quem acreditava no futuro da nova capital.