O setor imobiliário teve um crescimento de 7,5% no mercado de capitais em 2025. De acordo com dados do 2º Boletim Setor Imobiliário da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de dezembro de 2024 a setembro de 2025, o segmento movimentou R$ 697 bilhões em volume financeiro no país. Além disso, o mercado de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) apresentou aumento de 9,6% no período, o equivalente a R$ 245 bilhões.

À AutImob, Diego Siqueira, CEO da Trinus.Co., destacou que está havendo uma mudança estrutural na forma como o setor imobiliário se financia no Brasil. Essa alteração no padrão fez com que a oferta do crédito tradicional para incorporadoras, cuja origem é no SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), tivesse uma redução da oferta do crédito tradicional, tornando o financiamento mais criterioso para incorporadores, e mais voltado para o consumidor final.

“Nesse cenário, o mercado de capitais está se tornando alternativa natural. Esse crescimento no volume investido é impulsionado por instrumentos como CRIs e fundos imobiliários, que crescem de forma consistente. Esses instrumentos oferecem capital de longo prazo, com governança mais robusta e um processo de estruturação que dá mais segurança para investidores e para quem precisa do recurso. Em resumo, estamos vendo menos crédito bancário para incorporadoras e mais apetite do mercado de capitais”, ressaltou Diego.

O CEO da Trinus ainda ponderou que o dinheiro está migrando para onde se consegue financiar projetos com mais transparência, mais dados e mais previsibilidade. “O setor imobiliário responde muito rápido quando encontra esse tipo de funding”, acrescentou.

Destaque regional

Diego explica que, como o boletim CVM reúne dados nacionais de forma agregada, não há como especificar o montante movimentado somente em Goiás. No entanto, de acordo com ele, é possível ter uma ideia de como o segmento cresceu no Estado de forma ativa.

“Para dar um recorte concreto e observável, podemos citar o Fundo Imobiliário TG Ativo Real, o TGAR11, gerido pela TG Core Asset, gestora que faz parte do grupo Trinus.Co. O patrimônio líquido do fundo é de R$ 2,56 bilhões, e 33% deste valor está alocado em Goiás atualmente, o que significa cerca de R$ 840 a 850 milhões em projetos no Estado. Goiás é o Estado com maior volume investimento no portfólio do FII, que é o maior fundo de desenvolvimento imobiliário do Brasil em patrimônio”, citou.

Segundo ele, essa informação é um exemplo concreto do volume significativo de capital imobiliário direcionado atualmente em Goiás. “Isso não significa que todo o investimento no Estado esteja concentrado nesse fundo, mas indica claramente que Goiás já capta uma parcela relevante de capital imobiliário estruturado, e que os grandes investidores estão atentos às excelentes oportunidades que existem aqui”, elucidou Diego.

LEIA TAMBÉM: Alternativas governamentais prometem favorecer o mercado imobiliário em 2026

Impacto direto na economia nacional

Ao longo dos últimos anos, o mercado de capitais foi assumindo um papel que antes era majoritariamente do crédito bancário. Conforme Diego, isso impacta diretamente a economia nacional, movimentando todos os setores.

“Quando você tem bilhões de reais entrando via CRIs, FIIs e outras estruturas, isso significa mais projetos saindo do papel, mais emprego na construção civil e mais atividade econômica nas cidades. A construção tem um efeito multiplicador enorme. Movimenta indústria, comércio, serviços e aumenta arrecadação. Além disso, esse movimento traz uma maturidade importante para o país. As operações feitas pelo mercado de capitais exigem muita governança, dados auditáveis, garantias mais sólidas e um monitoramento constante. Isso eleva o padrão do setor imobiliário como um todo e reduz risco sistêmico. Ou seja, o crescimento não é só em volume, é em qualidade institucional”, ressaltou o CEO.

Para ele, quando o mercado de capitais cresce dentro do setor imobiliário, a economia ganha duas coisas ao mesmo tempo: mais investimento produtivo circulando e um padrão mais consistente e profissional na forma como o país financia o desenvolvimento urbano.

Crescimento do setor imobiliário e perspectivas para 2026

Em Goiás, o setor imobiliário se mostra como um dos motores impulsionadores da economia e do desenvolvimento urbano. O PIB goiano cresce acima da média nacional e, atualmente, a construção civil acompanha esse ritmo. Em julho deste ano, por exemplo, a economia goiana cresceu 9,3% enquanto a média brasileira foi de 1,1%.

“Goiás tem uma dinâmica imobiliária muito forte, tem demanda consistente por moradia e cidades que seguem expandindo, sem falar do ecossistema de desenvolvedores experientes, capazes de entregar projetos com qualidade e boa velocidade de absorção. Esse conjunto mantém o mercado aquecido não só na capital, mas também em polos regionais que vêm crescendo de forma bem estruturada”, afirmou Diego.

De acordo com Diego, a projeção é de que em 2026 o setor continue crescendo ainda mais. “A demanda por habitação segue resiliente, mesmo com os juros elevados, especialmente em mercados que combinam expansão populacional e boa velocidade de vendas, como Goiás”, destacou.

Diego acrescentou que as ações implementadas pelo governo federal em 2025, como a ampliação e criação de uma nova faixa no programa Minha Casa, Minha Vida, fortaleceram as vendas e a economia no setor imobiliário. “Isso é positivo para todo o mercado, porque reforça o lado da demanda justamente em um momento em que as famílias precisam de condições mais acessíveis para financiar a casa própria”.

Por fim, ele avalia que a tendência é que o mercado de capitais se consolide cada vez mais como alternativa de funding. “Naturalmente, esses investidores privilegiarão projetos mais estruturados, com governança sólida, dados claros e riscos bem controlados. Em resumo, há espaço para crescer, mas o crescimento vai ser puxado por quem estiver preparado, com eficiência, qualidade e capacidade de leitura de mercado”, ponderou.