Após prolongado período de juros elevados, com a taxa básica de juros - a taxa Selic - sendo mantida a 15% ao ano por quatro meses consecutivos, a expectativa é que 2026 inicie com redução. Especialistas acreditam que a próxima reunião do Comitê de Política Monetário (Copom) do Banco Central (BC), prevista para ocorrer nos dias 27 e 28 de janeiro, deverá trazer um respiro, propiciando um cenário econômico mais atrativo também para o mercado imobiliário.

Segundo estimativas da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), cada redução de 1 ponto percentual na Selic pode permitir que cerca de 160 mil famílias voltem a ter acesso ao financiamento habitacional. Em entrevista à AutImob, o economista e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Júlio Paschoal, afirmou que é esperado que o Copom aprove ao menos uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros já nesta primeira reunião do ano.

“Há uma pressão do próprio mercado para que comecem a reduzir a taxa Selic. Mas, mesmo havendo uma tendência de queda da Selic, ela vai ser extremamente pequena e com intervalos maiores. Por exemplo, o máximo que ela pode cair esse ano, que eu acredito, seria de 15% para 14%, o que ainda é excessivamente alto”, avalia o economista.

O especialista considera a redução mínima de 0,25% a cada reunião. Ao longo do ano serão oito ao todo, com intervalos de 45 dias. Paschoal explica que um dos motivos do Copom manter a taxa a 15% por período prolongado decorre de uma tentativa de conter a inflação.

“Ele [o Copom] mantém a taxa Selic alta, em partes, para conter a inflação, mesmo ela não sendo de demanda, porque ela trava o crédito, e também para atrair dólar de fora. Na minha concepção, vão continuar [com a taxa a níveis acima de 14%], porque a satisfação é dada aos interesses do mercado financeiro, e não ao desenvolvimento do país”, avalia.

E analisa: “o que atrapalha o mercado imobiliário nesse momento é a manutenção da taxa Selic a 15%, porque ela é um direcionador dos juros do mercado. E ela representa 40% dos contratos do mercado”, afirma Júlio Paschoal.

No entanto, agentes do mercado projetam um cenário mais positivo do que o apresentado pelo economista, ao longo do ano, com uma redução entre 2 e 3 pontos percentuais nas taxas de juros. Se isso se consolidar, promoverá a ampliação do acesso ao crédito imobiliário, sobretudo para a classe média, mais sensível ao custo do financiamento.