1) Inflação da construção dispara e ameaça elevar preços de imóveis na planta

A disparada da inflação da construção civil pegou de surpresa o mercado imobiliário e pode ser mais um complicador para as vendas do setor, que já enfrenta a barreira dos juros elevados. Com a guerra no Oriente Médio, aumentaram os preços das matérias-primas de vários materiais usados para erguer edifícios. Essa alta de custos dos materiais, antes fora do radar das construtoras e incorporadoras, pode pressionar os orçamentos das obras em andamento e levar a uma correção de preços dos imóveis. Isso pode atingir diretamente também os interessados em comprar um apartamento na planta, já que a pressão de custos turbina o índice que corrige o valor das prestações e pode adiar o sonho da casa própria.

2) Setor imobiliário vê 2026 forte, mas já trata 2027 com mais cautela

O setor imobiliário brasileiro já olha para 2027 com mais cautela, diante do ambiente de juros altos, das incertezas fiscais e de desafios estruturais que ainda limitam uma expansão mais robusta da construção. Em painel realizado na última semana no Construsummit, em Florianópolis (SC), representantes do setor afirmaram que o mercado deve seguir em crescimento no curto prazo, embora em ritmos diferentes entre crédito, obras e indústria de materiais. A avaliação predominante foi a de que 2026 deve continuar sendo um ano forte para o crédito imobiliário, impulsionado sobretudo pelo Minha Casa Minha Vida e pelo FGTS. Já 2027 dependerá mais claramente de uma melhora do cenário macroeconômico para destravar o segmento de média e alta renda.

3) Selic no fim de 2026 continua em 14,00% e segue em 12,00% para final de 2027, projeta Focus

A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 14,00%. Há um mês, a projeção era de 13,50%. A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 seguiu em 12,00%. Um mês atrás, era de 11,50%. Levando em conta apenas as 32 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana caiu de 12,25% para 12,00%. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoveu cortes de 0,25 ponto percentual nos juros nas três primeiras reuniões de 2026, levando a Selic a 14,25% ao ano.

4) Doações de imóveis batem recorde antes de novas regras do ITCMD

As escrituras públicas de doação de imóveis atingiram o maior volume da série histórica no Brasil. Dados do Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal mostram que os cartórios realizaram 185.861 atos em 2025. Foi um crescimento de 59% em relação a 2020, quando foram registradas 116.225 escrituras. Especialistas associam o avanço à tentativa de famílias de antecipar a transferência de patrimônio antes das novas regras do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Com a reforma tributária, as alíquotas do ITCMD passarão a ser obrigatoriamente progressivas, conforme a Emenda nº 132, de 2023. Além disso, a Lei Complementar nº 227, de 2026, prevê que a base de cálculo deixe de usar o valor patrimonial e passe a considerar o valor de mercado, geralmente mais alto. A alíquota máxima continuará em 8%.

5) Distrato de imóvel popular: o que o aumento dos pedidos revela

Voltou a circular no setor um número que assusta antes de explicar: o pedido de distrato no imóvel popular estaria crescendo. Convém desconfiar. No mercado imobiliário, o número solto engana, e o distrato é um dos indicadores que mais pedem contexto. O distrato como sintoma, não diagnóstico. O que os dados agregados mostram vai, à primeira vista, na direção oposta do alarme. O distrato funciona como termômetro. Sobe quando o crédito é negado depois da assinatura, quando a Selic elevada encarece a prestação e trava o reenquadramento, e quando a promessa que sustentava a compra deixa de valer. O que precisamos perguntar não é se o número subiu, mas o que ele está medindo.

6) Multifamily cresce e chega a 14 mil unidades. Setor avalia que oferta poderia ser maior

O mercado de edifícios residenciais destinados exclusivamente à locação profissionalizada - o chamado multifamily - já ultrapassou o status de principiante e caminha para amadurecimento no Brasil: são cerca de 14 mil unidades em todo o país, 90% delas em São Paulo, num setor que movimentou R$ 1,1 bilhão em 2025, segundo dados da Newmark. A consultoria projeta crescimento superior a 30% no estoque de unidades para multifamily nos próximos anos. A fatia de mercado, no entanto, ainda é pequena. O modelo ainda não representa 0,1% dos aluguéis do país, de acordo com levantamento do GRI Institute. Os obstáculos vão desde a cultura brasileira de desejo pela casa própria até o elevado custo de capital, já que o modelo exige alto investimento de longo prazo e gera retorno gradualmente por meio dos aluguéis.

7) Bancos deixam mercado imobiliário de R$ 400 bilhões sem crédito, mostra levantamento

Empresas médias com bons projetos esbarram em exigências de porte, governança e volume mínimo de operação, enquanto FIDCs ganham espaço como alternativa de crédito para obras fora do circuito bancário tradicional. De acordo levantamento da Pilar Capital, divulgado em primeira mão pela EXAME, apenas cerca de 0,7% das empresas do setor atendem ao critério de grande porte, enquanto mais de 95% são micro, pequenas ou médias.

8) CIX Capital entra no MCMV com fundo de R$ 330 milhões

A CIX Capital, da família Zogbi, acaba de captar R$ 330 milhões para o seu primeiro fundo imobiliário voltado ao Minha Casa Minha Vida. A oferta superou a meta inicial de R$ 280 milhoes e marca a entrada da gestora no mercado de produtos voltados ao investidor pessoa fisica, depois de anos estruturando operacoes para investidores institucionais, multifamily offices e clientes de alta renda. Com aplicação mínima de R$ 1 mil, o fundo será cetipado e distribuído pela XP. "O Minha Casa Minha Vida tem muito produto estruturado para investidores institucionais e sempre enxergamos no varejo uma falta de produtos que tivessem acesso ao programa," Eduardo Fonseca, o CEO da CIX Capital, disse ao Metro Quadrado.

9) Escassez de mão de obra atinge 80% dos empregadores no Brasil, aponta pesquisa

Oito em cada dez empregadores brasileiros (80%) afirmam ter dificuldade para encontrar os profissionais de que precisam, aponta a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, que ouviu 39.063 empregadores em 41 países entre 1º e 31 de outubro de 2025. O percentual representa leve recuo ante os 81% registrados em 2025, mas mantém o país em patamar elevado desde 2022, quando o indicador brasileiro saltou de 52% (2019) para 81%. A média global de emrpegadores instatisfeitos com a contratação é de 72%, também em leve queda ante 74% no ano anterior.

10) Dois imóveis por habitante: o que explica a matemática improvável de Xangri-Lá no RS

Hoje, a cidade de 16 mil habitantes tem 32 mil residências, uma média de dois imóveis por habitante, muitos deles ultrapassando a bagatela de R$ 10 milhões — fator determinante para o boom no VGV da cidade que chegou a R$ 1.5 bi em 2025. A cidade de Xangri-Lá, a pouco mais de 130 km de Porto Alegre, tem se mostrado uma cidade pequena com números de metrópole. Com pouco mais de 16 mil habitantes, o município do litoral gaúcho movimenta um Valor Geral de Vendas (VGV) de aproximadamente R$ 1.5 bilhão em imóveis. Em um primeiro olhar, a conta não fecha. Mas basta se aproximar um pouco da realidade local para perceber que a região não segue as regras tradicionais do mercado imobiliário brasileiro – ela escreve as próprias.