O cenário dos canteiros de obras no Brasil, historicamente dominado por homens, atravessa uma transformação estrutural e cultural. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) revelam que a presença feminina no setor não apenas cresce, mas se consolida com um aumento de 184% no número de mulheres com carteira assinada desde 2006.

Embora ainda representem entre 3% e 4% da força de trabalho total da construção, o ritmo de crescimento feminino superou o masculino entre 2012 e 2023, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Na engenharia, o avanço é ainda mais nítido: o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) aponta que as mulheres já ocupam 20% dos registros profissionais, um salto significativo comparado aos 4% registrados há quatro décadas.

FGR Incorporações: Indicadores acima da média

No mercado goiano, a FGR Incorporações destaca-se por manter indicadores de contratação feminina muito superiores à média do setor. Com oito canteiros de obras ativos e quase mil trabalhadores diretos, a incorporadora conta com 177 mulheres atuando na linha de frente das construções, o que representa 18% do quadro operacional. No balanço geral, somando as áreas administrativas, a proporção chega a uma mulher para cada três colaboradores, formando um contingente de 352 profissionais.

Essa representatividade reflete-se em cargos de alta gestão e liderança estratégica, como é o caso de Camila Alcântara, que comanda as áreas comercial, de marketing e relacionamento da empresa com visão estratégica, baseada em atenção ao cliente, tecnologia e processos, contribui para consolidar o “Jeito Jardins de Viver” como uma marca de alto padrão e de confiança no mercado imobiliário.

Liderança técnica e novas trajetórias no canteiro

A atuação feminina estende-se à responsabilidade técnica direta, exemplificada pela engenheira residente Emilly Brito, que lidera uma equipe de 80 profissionais no empreendimento Jardins Londres e destaca a gestão de pessoas como pilar fundamental para a consolidação de uma obra. É o segundo empreendimento do qual ela atua como engenheira residente na empresa, fato que a enche de orgulho.

“O que mais me encanta na profissão é ver um empreendimento surgir do nada, crescer e ir se consolidando. Além disso, eu gosto muito da gestão de pessoas, o que é fundamental em nosso meio, pois precisamos das pessoas para executar a obra", ressalta Emilly.

No Jardins Londres, são 45 mulheres na equipe de cerca de 800 profissionais. Lá, é possível se deparar com histórias como a da Adriana dos Santos Souza, de 31 anos. Rejuntadeira, está na construção civil há menos de um ano. Antes, era auxiliar de limpeza. Trabalhou em escritórios, apartamentos, e resolveu ir para a construção civil em busca de melhores ganhos para cuidar melhor de seus dois filhos. “Eu me adaptei bem, achei o meu lugar. Tanto que quero continuar na área e já penso em fazer faculdade de engenharia", planeja.

Na mesma obra está Karolayne dos Santos Cardoso, de 26 anos, rejuntadeira há um ano. Este foi seu primeiro emprego porque antes era casada e o marido não a deixava trabalhar. Depois de 9 anos de casamento e com um filho, foi inserida no mercado de trabalho através da construção civil. “Eu me sinto bem recebida no ambiente das obras”, diz ela.

Os números e as trajetórias individuais reforçam que a construção civil deixou de ser um território de gênero exclusivo para se tornar um espaço de competência técnica e valorização humana. A diversidade nas equipes contribui diretamente para a consolidação de marcas de alto padrão e confiança no mercado imobiliário.