Comprar um imóvel continua sendo um desafio em escala global. Um levantamento divulgado em maio pelo Centro de Demografia e Políticas da Chapman University analisou 95 dos maiores mercados imobiliários do mundo e concluiu: em nenhum deles o preço médio das casas é compatível com a renda média local.
Segundo o estudo, para que um mercado seja considerado “acessível”, o valor de um imóvel não deveria ultrapassar três vezes a renda média anual da população. No entanto, nenhuma cidade atingiu esse patamar. Pior: 12 foram classificadas como “impossivelmente inacessíveis”.
Onde os preços pesam menos
Entre os mercados avaliados, Pittsburgh, na Pensilvânia, aparece como o mais “barato”, embora ainda classificado como moderadamente inacessível. Lá, os imóveis custam em média 3,2 vezes a renda anual dos moradores.
Na lista das cidades menos caras também estão Cleveland, St. Louis e Rochester, nos Estados Unidos; Edmonton, no Canadá; e as inglesas Sheffield, Middlesbrough e Durham. Mesmo nesses casos, as proporções continuam acima do ideal.
Ranking dos 10 mercados mais acessíveis do mundo
1. Pittsburgh — 3,2
2. Cleveland — 3,3
3. St. Louis — 3,5
4. Rochester, Nova York — 3,6
5. Edmonton, Canadá — 3,7
6. Middlesbrough e Durham, Inglaterra —3,7
7. Oklahoma City — 3,7
8. Omaha, Nebraska — 3,7
9. Sheffield, Inglaterra — 3,8
10. Cincinnati — 3,9
11. Detroit — 3,9
Preços em alta nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o cenário é ainda mais preocupante. De acordo com a Associação Nacional de Corretores de Imóveis (NAR), o preço médio de uma casa já construída chegou em junho a US$ 435,3 mil (R$ 2,35 milhões), o maior da série histórica. Esse é o 24º mês consecutivo de valorização.
Um estudo da própria NAR, em parceria com o site Realtor.com, mostra que famílias com renda anual de US$ 75 mil (cerca de R$ 405 mil) deveriam ter acesso a quase metade das casas anunciadas para que o mercado fosse considerado equilibrado. Na prática, só conseguem comprar pouco mais de 21% das propriedades disponíveis. Já quem recebe acima de US$ 250 mil (R$ 1,35 milhão) tem acesso a 80% da oferta.
Apesar da alta de preços, mercado imobiliário brasileiro mantém oportunidades e mostra resiliência
O aumento dos preços dos imóveis no Brasil, acima da evolução salarial, tem tornado o acesso à casa própria mais desafiador para muitas famílias. Porém, ao mesmo tempo em que encarece o sonho do primeiro imóvel, esse movimento também evidencia aspectos positivos que reforçam a força e a atratividade do setor no país.
Um dos pontos mais relevantes é a valorização do patrimônio. Quem já possui imóveis tem visto seus ativos crescerem acima da inflação e de outros investimentos tradicionais, reforçando a confiança no setor como forma segura de preservar e multiplicar capital.
Outro aspecto é a diversidade regional do mercado. Enquanto capitais como São Paulo, Vitória e Balneário Camboriú registram valores de metro quadrado entre os mais altos do país, cidades médias e regiões do interior ainda oferecem imóveis em patamares mais próximos da renda média. Esse cenário abre espaço para que famílias e investidores encontrem oportunidades fora dos grandes centros.
Além disso, programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida têm desempenhado papel essencial ao subsidiar parte dos custos e ampliar o teto de financiamento, beneficiando milhares de famílias em busca do primeiro imóvel. Somado a isso, o Brasil segue como um dos países que oferecem prazos mais longos de financiamento, chegando a até 35 anos, o que ajuda a diluir parcelas e tornar o crédito habitacional mais acessível.