O modelo atual de condomínios já não acompanha a forma como as pessoas vivem e esse descompasso deve se intensificar nos próximos anos. A avaliação é do especialista Marcus Araújo, que será um dos palestrantes do Encontro de Condomínios ECON, promovido pelo Secovi Goiás, no mês de maio, em Goiânia. Segundo ele, o setor ainda opera com uma lógica antiga, o que já impacta a funcionalidade dos empreendimentos e a convivência entre moradores.

De acordo com a análise do especialista, entre as principais mudanças estão as novas configurações familiares, a presença maior de pets e a convivência entre diferentes gerações no mesmo espaço. Esse cenário exige uma nova postura na gestão. Para Marcus, o papel do síndico deixa de ser apenas financeiro e passa a exigir habilidade na mediação de conflitos e na gestão de pessoas, com foco em escuta e adaptação.

O especialista também aponta uma mudança no comportamento do consumidor. “A ideia de imóvel definitivo perde força e dá lugar a uma moradia mais flexível, que acompanha as fases da vida”, diz. Apesar de condomínios cada vez mais completos, o uso das áreas comuns ainda é limitado. Para ele, o principal desafio agora é fazer com que esses espaços sejam, de fato, utilizados.

O chamado “futuro do morar” é impulsionado por mudanças no comportamento, na tecnologia e nas relações sociais. Para o especialista, o setor precisa agir com rapidez para acompanhar essa transformação, já que continuar replicando modelos antigos tende a ampliar conflitos e reduzir a eficiência dos empreendimentos.

A adaptação passa a ser condição básica para acompanhar o mercado. “Empreendimentos e gestores que não incorporarem essas mudanças tendem a perder relevância, enquanto aqueles que ajustarem a forma de pensar e planejar devem ganhar espaço em um cenário cada vez mais dinâmico”, avalia.