Em uma Goiânia ainda cercada pelo Cerrado, havia um lugar onde o calor parecia dar trégua. Nos fins de semana e nas férias escolares, famílias inteiras estendiam toalhas na grama, crianças disputavam espaço no trampolim e jovens mergulhavam nas águas limpas do Lago das Rosas. Muito antes de a capital se tornar conhecida pelos parques urbanos, aquele era o principal destino de lazer da cidade.
Nas décadas de 1940 e 1950, o Lago das Rosas era o cartão-postal de uma Goiânia que ainda dava seus primeiros passos. O parque reunia moradores de diferentes bairros para banhos, piqueniques, passeios de bicicleta e tardes ao ar livre. Em uma cidade que ainda crescia entre grandes áreas de vegetação nativa, o lago era um verdadeiro refúgio e ficou conhecido como a "praia" dos goianienses.
A história desse espaço começou ainda durante a implantação da nova capital. A área integrava a antiga Fazenda Crimeia e foi escolhida para abrigar o Horto Florestal de Goiânia, criado em 1938 por recomendação de especialistas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O local reunia nascentes do córrego Capim Puba, vegetação preservada e condições ideais para formar uma grande área verde destinada ao lazer e à conservação ambiental.
Com a construção da represa, surgiram os jardins que deram origem ao nome Lago das Rosas. As roseiras ornamentavam o parque e ajudaram a transformar o espaço em um dos principais cartões-postais da jovem capital. Naquela época, o lago marcava praticamente o limite da cidade. Depois dele, predominavam o Cerrado e a estrada que seguia em direção a Campinas.
Foi também nesse período que nasceram duas das estruturas mais conhecidas do parque: a mureta e o trampolim, construídos em estilo Art Déco, a mesma linguagem arquitetônica que marcou a fundação de Goiânia. Enquanto a mureta delimitava a represa, o trampolim se tornou o grande símbolo do lazer no local. Hoje, ambos permanecem preservados e tombados como patrimônio histórico da cidade.
A partir da década de 1950, o parque começou a ganhar novas funções. Em 1956, foi inaugurado o Jardim Zoológico de Goiânia, ampliando a vocação do espaço para a educação ambiental e a conservação da fauna. Alguns anos depois, os banhos no lago deixaram de ser permitidos, encerrando um dos capítulos mais marcantes da história do parque e mudando a forma como os moradores passaram a ocupar o local.
Mesmo com as transformações provocadas pelo crescimento da capital, o Lago das Rosas preservou sua importância. Foi o primeiro parque urbano de Goiânia e acompanhou a expansão da cidade, que passou a ganhar novos bairros, avenidas e áreas verdes ao seu redor. O antigo balneário deu lugar a um espaço de convivência, caminhadas e contemplação, mas continua sendo um dos lugares que melhor contam a história da capital.
Hoje, quem passa pelo parque talvez encontre apenas um lago tranquilo, árvores centenárias e pessoas caminhando ao fim da tarde. Mas basta imaginar o som dos mergulhos, das bicicletas chegando e das famílias ocupando cada canto da área verde para entender por que o Lago das Rosas ocupa um lugar tão especial na memória de Goiânia. Mais do que um parque, ele ajudou a construir a identidade da cidade.