1) Lançamentos esfriam no médio e alto padrão. A culpa é da VSO e dos estoques

As incorporadoras frearam os lancamentos no médio e alto padrão no primeiro tri, em um reflexo dos estoques mais altos e da velocidade de vendas mais fraca nos dois mercados. Foram lançados R$ 6,2 bilhões no trimestre, segundo um levantamento do Itaú BBA que considera a performance de nove empresas. A cifra implica uma queda de 1,6% quando comparada aos R$ 6,3 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Uma das maiores responsáveis pelo recuo foi a Cyrela, que lançou 62% a menos no médio e alto padrão. Even e Lavvi também contribuíram ao zerar os lançamentos no trimestre. As companhias acabaram compensando negativamente as performances positivas de Eztec - que lançou um volume recorde - e Moura Dubeux, por exemplo. Ja as vendas cresceram de R$ 5,2 bilhões para R$ 5,6 bilhões, na mesma base de comparação. Mas a velocidade de vendas recuou de 16,2% para 15,2%.

2) Boa notícia para o mercado imobiliário: Governo desiste de uso do FGTS para pagar débitos de endividados

Depois de semanas de discussão, o governo federal desistiu da proposta de permitir o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a população abater dívidas e deve apostar em uma nova fase do programa Desenrola. O governo encontrou dificuldades jurídicas para viabilizar o uso do FGTS para quitação ou redução de dívidas. A medida têm um componente eleitoral, principalmente num momento em que Lula enfrenta novamente uma fase de aprovação ruim dos brasileiros.

3) Construção sente efeitos da guerra – e vai repassar ao comprador

A construção civil já está sentindo os efeitos da guerra no Oriente Médio e deve começar a repassar os custos maiores para os compradores de imóveis. Os reajustes mais salgados de materiais e insumos começaram há cerca de um mês, segundo o SindusCon-SP, e as construtoras ainda contabilizavam o impacto dos novos preços. Mas a conta agora deve chegar ao consumidor final. "A partir do próximo mês eles terão um impacto maior e vão reajustar parcelas dos empreendimentos que têm contratos indexados ao INCC," Yorki Estefan, o presidente do SindusCon-SP, disse ao Metro Quadrado.

4) Construção de varandas em prédios antigos viraliza e expõe “puxadinhos” de luxo

As varandas instaladas em prédios antigos de São Paulo ganharam visibilidade nas redes sociais. A solução, desenvolvida pela BR Retrofit nasceu em 2012 da dificuldade do fundador, Alberto Alves, para construir uma varanda em seu apartamento. A experiência evoluiu para um negócio voltado a apartamentos amplos em bairros nobres. Segundo a empresa, o principal desafio não é a execução da obra, mas o processo de aprovação junto a condôminos, prefeitura e órgãos reguladores. A metragem adicionada é incorporada formalmente à matrícula do apartamento, o que transforma uma ampliação física em ganho patrimonial registrado. As varandas construídas pela empresa variam de 35 m² a 90 m² e obedecem limites técnicos como a chamada regra dos 5% de área não computável por andar. Em regiões com metro quadrado acima de R$ 30 mil, o custo de obra entre R$ 10 mil e R$ 13 mil por metro quadrado pode resultar em valorização estimada entre 30% e 50% do imóvel.

5) Da periferia para o centro: a nova geografia do MCMV

Em São Paulo, por exemplo, o número de unidades MCMV lançadas no chamado centro expandido (que inclui o Centro e bairros no entorno) saltou 64 vezes em 10 anos, passando de apenas 350 em 2016 para 22,5 mil no ano passado, segundo dados do Secovi. Com isso, o segmento representa 40% dos lançamentos na região, contra um percentual de 5% há 10 anos. Esse cenário tem levado até empresas que tradicionalmente atuam no médio ou alto padrão a recalcular a rota para seu landbank. A Helbor, por exemplo, vendeu 70% de um de seus maiores terrenos em São Paulo para a Cyrela construir um projeto do Minha Casa Minha Vida após entender que a vocação da área, localizada em Santo Amaro, é para a habitação econômica. Fora de São Paulo, por outro lado, ainda é mais difícil fechar a conta. Por isso, algumas cidades têm buscado oferecer outros benefícios para atrair as empresas.

6) Expansão do MCMV estimula incorporadoras a retomar lançamentos para classe média

Além de fomentar o segmento econômico, o Minha Casa, Minha Vida pode ser o motor da produção imobiliária para a classe média nos próximos anos. As novas regras do programa, que entraram em vigor nesta semana, ampliam os limites de renda e do valor máximo dos imóveis. Incorporadoras já planejam movimentações e o setor prevê uma retomada de lançamentos de médio padrão, mas alegam que as medidas não resolvem problemas do segmento.

7) À espera de cortes na Selic, indústria de fundos imobiliários bate novos recordes

A indústria de fundos de investimentos imobiliários (FIIs) voltou a crescer em 2026, estimulada pela expectativa de cortes do juro básico no País. Assim, o ano começou batendo novos recordes de número de investidores e de movimentação de recursos, de acordo com a B3. O setor atingiu a marca de 3,1 milhões de investidores em março, maior patamar da história. Ao longo de 2025, esse número ficou praticamente estável em torno de 2,8 milhões. De novembro para cá, o mercado voltou a atrair novos participantes, contabilizando o ingresso de mais 300 mil pessoas. “Se esse ritmo de crescimento for mantido, podemos chegar a 4 milhões de investidores até o fim do ano”, estimou a gerente de Produtos de Equities da B3, Bianca Maria.

8) Prefeitura de SP cobra ITBI acima do devido em 20% das transações imobiliárias, aponta levantamento

Cerca de 20% das transações imobiliárias realizadas nos últimos cinco anos no município de São Paulo tiveram recolhimento de ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) em valores superiores àqueles devidos de fato pelos contribuintes. É o que aponta levantamento feito pelo advogado Marcus Novaes com base em cruzamento entre dados da prefeitura e de cartórios por meio da ferramenta ITBI Fácil, criada por ele. Foram identificadas nesse período 195 mil transações com cobranças do imposto considerando o valor venal de referência da prefeitura, e não o valor da transação entre compradores e vendedores, o que contraria decisões do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e do STJ (Tribunal Superior de Justiça), segundo advogados ouvidos pela Folha.

9) Alta de 115% é pouco? A preocupação de R$ 500 milhões que ronda a Tenda (TEND3), construtora queridinha do momento

A Tenda (TEND3) nunca esteve tão bem na fita, com a ação subindo mais de 115% em um ano e como favorita de vários analistas do setor. Mas, como no conto a Princesa e a Ervilha, há uma pequena perturbação no mercado que não desparece mesmo com várias camadas de colchão: a Alea, unidade de casas pré-fabricadas da construtora. “A avaliação interna é que a Tenda pisou no acelerador antes de resolver um gargalo crucial: a etapa final das obras”, afirma. Embora a produção industrializada tenha avançado, com as casas sendo fabricadas e transportadas prontas para montagem, o acabamento em campo continuou sendo um ponto crítico.

10) Claro compra prédio vizinho à sua sede, em São Paulo, por R$ 100 milhões

A Claro, operadora do bilionário mexicano Carlos Slim, acertou a compra do Quota Corporate, um prédio de escritórios triplo A bem do ladinho da sua sede, na Rua Henri Dunant, em São Paulo, mesma rua do Consulado dos Estados Unidos. O negócio foi definido pelo valor bruto de R$ 100 milhões e está na fase final de conclusão, apurou a Coluna. A Claro já ocupa duas enormes torres das quais é dona nessa mesma rua. A multinacional prioriza ser a proprietária dos imóveis que ocupa na América Latina, seguindo filosofia do próprio Slim, que também é um investidor do mercado imobiliário no México.