O aquecimento do mercado imobiliário em Goiânia e Aparecida de Goiânia tem impulsionado não apenas os lançamentos e as vendas de imóveis, mas também a geração de empregos na construção civil. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado do setor traz um desafio cada vez mais evidente para as empresas: a escassez de mão de obra qualificada.

Dados do estudo da Ademi-GO, elaborado pela Brain Inteligência Estratégica, mostram que a construção civil foi responsável por 11% do saldo de empregos formais gerados nas duas cidades no primeiro trimestre de 2026, percentual superior aos 10% registrados em igual período do ano anterior. O setor abriu 1.119 novas vagas entre janeiro e março deste ano.

Segundo o diretor de Pesquisas e Estatísticas da Ademi-GO, Credson Batista, a falta de profissionais acompanha um cenário de expansão do mercado imobiliário. Apenas nos três primeiros meses de 2026, foram lançadas 2.934 unidades residenciais verticais, crescimento de 16% em relação ao mesmo período de 2025. As vendas também avançaram, alcançando 2.882 unidades comercializadas no trimestre, alta de 13% na comparação anual.

“Com mais lançamentos, nós temos mais obras, e mais obras demandam mais mão de obra. Apesar do mercado ter crescido de maneira expressiva, a oferta de trabalhadores não acompanhou na mesma velocidade. Essa mão de obra ficou mais escassa e, naturalmente, passou a representar um custo maior dentro da composição das obras”, afirma.

De acordo com ele, o fenômeno não ocorre apenas em Goiás, mas acompanha o crescimento da construção civil em diversas regiões do país. Com a retomada dos lançamentos nos últimos anos e a manutenção de níveis elevados de vendas, a procura por profissionais especializados aumentou em um ritmo superior à capacidade de reposição do mercado.

Setor também enfrenta outros desafios

Além da escassez de trabalhadores, o setor também acompanha com atenção os impactos da redução da jornada semanal de trabalho. Segundo Credson, a mudança representa uma diminuição de aproximadamente 10% na disponibilidade de horas trabalhadas em um segmento que já enfrenta dificuldades para contratar. “A mão de obra já era escassa e agora teremos uma redução na quantidade de horas disponíveis. É natural que isso gere pressão sobre os custos de produção”, explica.

A questão se soma a outros fatores que vêm impactando o custo das obras, como o aumento dos preços de insumos e dos fretes, influenciados por movimentos da economia global. Para o diretor da Ademi-GO, esse conjunto de fatores ajuda a explicar a trajetória de valorização dos imóveis observada nos últimos anos.

O estudo mostra que o preço médio do metro quadrado residencial vertical em Goiânia registrou alta de 3,6% apenas no primeiro trimestre de 2026. A valorização mantém uma tendência observada há vários anos. Em 2021, o metro quadrado médio custava cerca de R$ 5,6 mil. Atualmente, esse valor já supera R$ 12,8 mil, mais que o dobro em um intervalo de quatro anos.