1) Financiamento direto com construtora ganha espaço diante de juros altos no crédito imobiliário
Em meio ao cenário de juros elevados e maior rigor na concessão de crédito pelos bancos, construtoras brasileiras tem ampliado modelos próprios de financiamento imobiliário como alternativa para facilitar o acesso à casa própria. A estratégia busca atender principalmente compradores que enfrentam dificuldades para obter crédito bancário ou comprovar renda suficiente para aprovação no financiamento tradicional. Dados da Abecip mostram que o crédito imobiliário segue relevante no país, mas enfrenta mudanças no cenário de financiamento. "O financiamento direto com a construtora surge como uma alternativa para muitas famílias que enfrentam dificuldades para aprovação no crédito bancário. Muitas vezes, o comprador possui renda suficiente para pagar o imóvel, mas não consegue comprovar tudo formalmente. Nesse modelo, conseguimos analisar cada caso com mais flexibilidade".
2) Caixa vai reconhecer renda de motoristas e entregadores de aplicativos como formal
Segundo a instituição financeira, a comprovação de renda será feita com base nos extratos de recebimentos oferecidos pelas próprias plataformas e que antes eram considerados renda informal. Com a mudança, os trabalhadores dessas plataformas poderão ter acesso a serviços e produtos do banco que se adequem à sua capacidade de pagamento. O banco afirma que, embora esses profissionais já pudessem comprovar renda e acessar produtos financeiros, a formalização "permite uma análise ainda mais completa da sua capacidade de pagamento".
3) Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida amplia concorrência e muda dinâmica do crédito imobiliário no Brasil
A criação da Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida foi apresentada como uma ampliação do acesso ao crédito habitacional para famílias de renda média. Mas seu impacto mais relevante está sendo amplamente subestimado. Mais do que elevar o limite de renda ou permitir a compra de imóveis de até R$ 600 mil, a medida corrige uma distorção histórica do mercado imobiliário brasileiro: a excessiva dependência de uma única instituição financeira para viabilizar o financiamento da casa própria. Pela primeira vez desde a criação do programa, a contratação de crédito habitacional deixa de gravitar quase exclusivamente em torno da Caixa e passa a incorporar, de forma estruturada, a participação de bancos privados. Trata-se de uma mudança que deveria receber muito mais atenção. Afinal, a falta de concorrência sempre foi um dos principais problemas do crédito imobiliário no Brasil, ainda que raramente seja tratada dessa forma.
4) Na Trisul, as vendas crescem, mas os distratos quase dobram
O aumento dos distratos ofuscou a previa operacional da Trisul no segundo tri. Embora a incorporadora tenha ampliado lancamentos e vendas na comparacao anual, o crescimento de 91% nos cancelamentos levou o Itau BBA a considerar fracos os resultados. Os distratos somaram R$ 64,7 milhões entre abril e junho, o equivalente a 12% das vendas brutas da companhia. No mesmo período do ano passado, essa fatia era de 10%, enquanto no primeiro tri havia ficado em 9%. A Trisul não é a primeira a acender o sinal amarelo nos distratos. Na Eztec, a prévia do segundo tri mostrou que os distratos corresponderam a 14,4% das vendas brutas do trimestre, contra 8,3% registrados no trimestre anterior.
5) Startup brasileira 'tokeniza' US$ 1,8 bilhão em imóveis de luxo nos EUA
Uma startup brasileira está transformando o acesso de investidores latino-americanos ao mercado imobiliário de luxo dos Estados Unidos. Em parceria com a incorporadora americana Vertical Developments, a Mannah digitalizou fundos atrelados a um portfólio de US$ 1,8 bilhão em empreendimentos premium na Flórida, incluindo branded residences de marcas como Armani/Casa, Fendi Casa e Elle Residences Miami. O modelo permite que investidores institucionais — como family offices e gestoras qualificadas — participem de fundos de alto padrão com processos regulados e acessíveis on-chain via Hathor Network. "Durante muito tempo o mercado tratou a tokenização como uma promessa conceitual. O que está acontecendo agora é diferente. Os ativos são reais, os investidores são institucionais e a distribuição já está acontecendo em ambiente regulado".
6) Locação antecipada de galpões bate recorde puxada por e-commerce
A corrida para ocupar galpões logísticos bateu um novo recorde, puxada pelas empresas de comércio eletrônico que estão ampliando os centros de armazenagem e distribuição de mercadorias. Para garantir que terão imóveis dentro do tamanho e da localização desejados, essas empresas aumentaram a prática de locação dos imóveis antes mesmo da conclusão das obras. Levantamento da consultoria Binswanger Brazil mostra que 68% da área de 777 mil m² dos 14 maiores empreendimentos que ficarão prontos no terceiro trimestre no Estado de São Paulo já têm contratos de pré-locação assinados, um recorde. No segundo trimestre, eram 39% nessa situação, um nível já alto para os padrões da indústria.
7) Ambiência supera premiação financeira em importância para os corretores
Na pesquisa Panorama do Corretor Imobiliário 2026, o aspecto "ambiente harmonioso" atingiu média 4,65 em uma escala de importância de 1 a 5. E entre 17 aspectos, ficou na 6ª posição, acima até mesmo da premiação financeira. Para a sócia e VP de operações da CUPOLA, Renata Maciel, esse resultado reflete uma tendência no mercado de trabalho, que é o profissional reconhecer que tem outras necessidades além do dinheiro. Mais do que ferramentas e comissões, a saúde mental e o apoio ao desenvolvimento contínuo são fundamentais para a retenção do profissional. E este ambiente acolhedor tem mais peso quando o profissional vem de experiências insatisfatórias. "É natural que o profissional valorize quem o acolhe", Renata declara.
8) As incorporadoras estão descobrindo os influenciadores. Funciona?
Além de anunciar os lançamentos em páginas de jornal e contar com os corretores bem relacionados, as empresas têm investido milhões em conteúdos criados por personalidades das redes sociais - para com isso alcançar um público diferente. O Parque Global, da Benx, por exemplo, já gastou cerca de R$ 2 milhões em ações com influenciadores desde o relançamento do projeto, em 2020. No início, as ações da Benx reuniam artistas como Miguel Falabella, Maria Fernanda Cândido e Paulo Zulu, mas a empresa logo entendeu que seria melhor contratar influencers com maior afinidade com o público de alto padrão, como Mica Rocha e Carol Celico. "O que queremos do influenciador é que ele traga o cliente qualificado, então se quero falar de design, vou buscar um influenciador que vive nesse mundo", disse ao diretor-geral do Parque Global, André de Marchi, que já está contratando mais três criadoras de conteúdo para o segundo semestre.
9) Aluguel no Rio sobe com oferta 31,8% menor e pressão da temporada
O mercado de aluguel no Rio de Janeiro ficou mais apertado para quem busca contratos tradicionais. Segundo dados do Secovi Rio citados pelo G1, a oferta de imóveis para locação convencional caiu 31,8% entre 2023 e 2026. Com menos unidades disponíveis, inquilinos enfrentam mais concorrência, prazos de busca mais longos e preços mais altos em diferentes regiões da cidade. A pressão aparece com mais força nos novos contratos. Em contratos já vigentes, os reajustes seguem os índices previstos na assinatura, mas a menor disponibilidade muda a base de negociação para quem precisa entrar agora no mercado. A combinação de juros elevados, dificuldade de compra da casa própria e crescimento das locações por temporada ajuda a explicar a alta. O Rio recebeu 10,5 milhões de turistas brasileiros e 2,1 milhões de estrangeiros em 2025, segundo a Prefeitura. Esse fluxo incentiva proprietários, especialmente em áreas turísticas, a migrar unidades para plataformas de curta temporada.
10) Elevador de 'delivery': a aposta dessa incorporadora para faturar R$ 1 bi
O delivery deixou de ser apenas uma conveniência e passou a influenciar diretamente a arquitetura de empreendimentos residenciais de altíssimo padrão no Brasil. Para atender ao aumento de entregas a Benx Incorporadora começou a incluir elevadores exclusivos para delivery em seus novos projetos, capazes de levar refeições, medicamentos e pequenas encomendas diretamente ao hall de serviço dos apartamentos. Cada elevador custa cerca de R$ 400 mil por torre, um investimento relativamente baixo considerando que cada empreendimento que recebe o sistema tem um Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em torno de R$ 1 bilhão. "É uma mudança de comportamento que veio para ficar", afirma, destacando que a solução será uma premissa para todos os futuros empreendimentos de altíssimo padrão da empresa.