Do vertical ao horizontal: o luxo goianiense também está migrando para o campo
Levantamento do Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil) colocou a capital goiana na 3ª posição em demanda por alto padrão entre 81 cidades pesquisadas no primeiro trimestre de 2026
PorDa Redação
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07/09/2026
Levantamento do Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil) colocou a capital goiana na 3ª posição em demanda por alto padrão entre 81 cidades pesquisadas no primeiro trimestre de 2026
Goiânia vive, há alguns anos, um boom mensurável de sofisticação. Levantamento do Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil) — realizado pelo ecossistema Sienge, CV CRM e Grupo Prospecta em parceria com a CBIC — colocou a capital goiana na 3ª posição em demanda por alto padrão entre 81 cidades pesquisadas no primeiro trimestre de 2026, atrás apenas de Brasília e São Paulo. Dados da própria Ademi-GO mostram que o valor médio do m² praticamente dobrou entre 2020 e 2025 nas regiões mais valorizadas da cidade.
A capital consolidou, assim, seu protagonismo no alto padrão vertical. Mas o capítulo mais recente — e talvez o mais revelador — desse amadurecimento não está mais só nos arranha-céus: está migrando para fora da cidade, ganhando forma horizontal em condomínios fechados e, cada vez mais, no campo.
O modelo que nasceu em São Paulo
O símbolo mais claro dessa migração nacional é a JHSF. O grupo, dono de marcas como Fasano e Cidade Jardim, construiu na Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz (SP), um dos condomínios mais valorizados do país, hoje com cerca de mil propriedades, hotelaria própria, shopping center e um ecossistema completo voltado à alta renda. O sucesso do modelo foi tanto que a companhia decidiu replicá-lo: no último sábado (29), anunciou oficialmente a Fazenda Santa Helena, novo empreendimento em Bragança Paulista, a cerca de uma hora da capital paulista.
O projeto dá a dimensão do apetite do mercado por esse tipo de produto: são 6 milhões de m² de área total, dos quais 1,5 milhão será destinado à preservação de mata nativa e lagos, com 450 residências entre lotes, villas e estâncias de até 20.000 m². A infraestrutura inclui campo de golfe de 18 buracos assinado por Jack Nicklaus, country club, hotel e centro comercial próprio. Segundo o CEO da JHSF, Augusto Martins, o VGV potencial do empreendimento é de R$ 7 bilhões.
O discurso por trás do produto é revelador de para onde caminha esse mercado: o objetivo declarado da companhia é levar para o campo os mesmos pilares que sustentam o consumo de luxo urbano — moradia, hospitalidade, serviços e lazer — tudo dentro do mesmo perímetro, sem que o morador precise voltar à cidade para nada.
O que define esse "novo luxo" do campo
Olhando para os principais empreendimentos desse nicho pelo país, alguns elementos se repetem e ajudam a explicar por que o modelo funciona:
Escassez planejada: são projetos com poucas unidades frente à dimensão do terreno, o que sustenta valorização e exclusividade a longo prazo.
Barreiras de entrada: a dificuldade regulatória para aprovação de novos loteamentos em regiões de interesse turístico e ambiental funciona como proteção natural contra a concorrência.
Ecossistema completo: hospitalidade, gastronomia, esporte e bem-estar deixam de ser diferenciais e passam a ser pré-requisitos.
Público que já mora bem na cidade: o produto não compete com a residência principal — ele a complementa, oferecendo o que a rotina urbana não permite.
Pirenópolis: o novo epicentro goiano
Em Goiás, esse movimento tem um endereço cada vez mais evidente: Pirenópolis. A cidade histórica, que soma proximidade estratégica com Goiânia, Anápolis e Brasília a um patrimônio natural e cultural raro, se consolidou nos últimos anos como a "segunda casa" da elite do Centro-Oeste — e recentemente ganhou também reconhecimento internacional, figurando entre os dez melhores destinos do mundo em hospitalidade no Traveller Review Awards 2026, a única cidade brasileira na lista.
O aquecimento imobiliário tem acompanhado esse reconhecimento — e não só na percepção. Dados da ADU-GO em parceria com a Brain Inteligência Estratégica mostram que o Valor Geral de Vendas (VGV) lançado em loteamentos na região de Goiânia saltou 129% no último trimestre de 2025 frente ao mesmo período do ano anterior, ultrapassando R$ 1,2 bilhão — sinal de que o segmento horizontal de alto padrão, do qual a região de Pirenópolis é hoje uma das vitrines mais evidentes, vive uma aceleração real de ritmo e não apenas um interesse pontual. A região passou a atrair, nos últimos dois anos, uma nova geração de condomínios horizontais de alto padrão — projetos com poucas unidades, forte apelo de natureza preservada e um discurso de "slow living" que conversa diretamente com o mesmo público que já consome o luxo vertical em Goiânia. É a mesma lógica de escassez e exclusividade vista em São Paulo, agora replicada na paisagem do Cerrado.
Pirenópolis também entra no radar internacional do paisagismo
O reconhecimento de Pirenópolis já começa a se refletir também no desenho dos próprios empreendimentos da região. O Fazenda da Matta, um dos condomínios de segunda moradia da cidade, concorre em três categorias do International Property Awards — Landscape Architecture, Masterplan e Architecture Single Residence —, uma das premiações mais tradicionais do mercado imobiliário mundial. O projeto é assinado pelo escritório De Pieri, de Brasília. É um indicativo de que a sofisticação técnica desses empreendimentos já está sendo avaliada fora do Brasil, e não apenas pelo mercado consumidor local.
Um mercado em maturação
O que esses dois movimentos têm em comum — o boom vertical de Goiânia e a ascensão horizontal de Pirenópolis — é a percepção de que o alto padrão goiano amadureceu o suficiente para deixar de olhar apenas para dentro do estado. A régua de comparação deixou de ser regional e passou a ser nacional: os mesmos ingredientes que sustentam os maiores lançamentos do país — arquitetura de assinatura, curadoria internacional de marcas, escassez planejada e um ecossistema completo de lazer e hospitalidade — já aparecem, ano após ano, com mais frequência nos empreendimentos goianos, tanto na cidade quanto agora no campo.
Se a tendência nacional se confirmar, é razoável esperar que Pirenópolis se consolide, nos próximos anos, como a principal vitrine desse novo capítulo do luxo goiano: o momento em que o alto padrão local deixou os arranha-céus e foi ocupar o horizonte do Cerrado.
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O empreendimento foi apresentado em meeting realizado nesta quarta-feira (21)
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