Na edição desta semana, Caio Lobo traz as principais notícias que movimentaram o mercado imobiliário
PorDa Redação
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08/09/2026
Na edição desta semana, Caio Lobo traz as principais notícias que movimentaram o mercado imobiliário
1) MCMV já representa mais da metade dos lançamentos e vendas de imóveis novos no País
O crescimento do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) ano após ano já faz com que o programa "domine" o mercado imobiliário, respondendo por mais da metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais novos em todo o País. Na cidade de São Paulo, a participação do MCMV é ainda mais expressiva, representando dois terços de todos os negócios. "O Minha Casa, Minha Vida vem tomando uma proporção maior no Brasil inteiro", avalia o economista-chefe do Secovi, Celso Petrucci. "A aderência aos produtos se explica por conta da taxa de juros mais baixa. É uma taxa menor comparada com outros padrões". No programa, o financiamento para aquisição das moradias varia entre 4,5% e 8,16% ao ano, graças a subsídios do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), bancado por trabalhadores celetistas. No restante do mercado, o crédito custa por volta de 12% a 14% ao ano.
2) Compra para morar avança, mas imóvel perde espaço como investimento
O imóvel perdeu atratividade como investimento entre os brasileiros que pretendem comprar uma propriedade nos próximos seis meses. Nesse grupo, 22% apontam o investimento como objetivo, oito pontos percentuais abaixo dos 30% registrados no trimestre anterior. Na direção oposta, a parcela que busca um imóvel para morar subiu de 70% para 78%. Os dados integram a sétima edição do Índice de Confiança do Mercado Imobiliário. Entre os compradores potenciais de cada cidade, São Paulo e Goiânia têm as maiores proporções de interessados em investir, ambas com 29%. Belo Horizonte aparece com 28%, Brasília com 27%, Rio de Janeiro com 24% e Porto Alegre com 20%.
3) Pesquisa: Intenção de compra de imóveis atinge máxima da série histórica
A intenção de compra de imóveis chegou ao maior patamar já registrado pela série histórica. No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados afirmaram que pretendem adquirir um imóvel nos próximos meses, superando o recorde anterior e consolidando uma trajetória de crescimento iniciada em 2024. O resultado também está acima da média histórica de 43%, e representa um avanço de 3 pontos percentuais em relação ao mesmo período no ano anterior. Mesmo em um ambiente ainda cercado por discussões sobre juros, crédito e incerteza econômica, mais da metade dos consumidores pesquisados considera comprar um imóvel. Acesse a pesquisa completa.
4) Pró-soluto avança no MCMV e amplia risco de crédito de incorporadoras
Grandes incorporadoras do Minha Casa, Minha Vida ampliaram o uso do pró-soluto, crédito concedido diretamente ao cliente para completar o valor da compra. O instrumento ganhou espaço diante da menor disponibilidade de FGTS e da dificuldade de parte das famílias em formar poupança para a entrada. Ao facilitar a venda, porém, as empresas também acabam transferindo mais risco de crédito para o balanço. A exposição preocupa mais quando o comprador já recebeu o imóvel, pois o crédito não tem a garantia da unidade. Na Tenda, o pró-soluto pós-chaves, equivalente a 85% da carteira total dessa modalidade, subiu de 6,6% para 9,9% do VGV entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. No intervalo, o saldo com atrasos superiores a 90 dias cresceu 46%.
5) Fim da escala 6×1 avança no Senado e votação segue indefinida
A aprovação da PEC 221/2019 pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado abriu caminho para a próxima etapa da proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. Para ser aprovada, a proposta precisa ter 49 votos necessários no Plenário do Senado, em dois turnos, em uma votação que ainda não tem data definida. A PEC foi aprovada pela CCJ na quarta-feira (2), em votação simbólica. O parecer do relator, senador Omar Aziz (PSD/AM), manteve integralmente o texto aprovado pela Câmara dos Deputados e rejeitou as emendas apresentadas.
6) Preços dos imóveis sobem 0,61% em julho, mas valorização em 12 meses desacelera de 17,49% para 15,78%
Os preços dos imóveis residenciais voltaram a ganhar ritmo em julho, mas continuaram desacelerando quando considerada a janela de 12 meses. O Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), da Abecip, avançou 0,61% no mês, depois de alta de 0,38% em junho. No acumulado em 12 meses, porém, a taxa recuou de 17,49% para 15,78%, quarto mês consecutivo de desaceleração após atingir 19,76% em março. Entre janeiro e julho, o IGMI-R acumulou valorização de 5,64%, abaixo dos 8,25% registrados no mesmo período de 2025 e dos 8,10% de 2024. Apesar da perda de intensidade na comparação anual, todas as dez capitais acompanhadas pelo levantamento acumularam alta dos preços em 2026, mostrando que a valorização continua disseminada, mas com diferenças relevantes entre os mercados locais.
7) Com crédito escasso, FIDC de incorporadora ganha tração
Em um momento de juros elevados, escassez de liquidez bancária e queda na velocidade de venda de empreendimentos, fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) têm crescido como alternativa mais flexível de financiamento para incorporadoras e outros players do setor imobiliário. O movimento é recente e ganhou força em meio à perda de relevância do SBPE como principal fonte de recursos do setor ao longo dos últimos anos. Um levantamento feito pela empresa de dados Uqbar, mostra que o patrimônio líquido (PL) somado de FIDCs com participação em incorporadoras passou de R$ 995,15 milhões, em julho de 2024, para R$ 1,75 bilhão em julho deste ano, uma alta de 76%. Atualmente, há 24 fundos do tipo em funcionamento, sendo que dez deles têm pelo menos 12 meses de operação.
8) Projeto propõe nova regra para liberar FGTS na compra de outro imóvel
O Projeto de Lei 481/2026 propõe flexibilizar o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na compra da moradia própria. Pelo texto, ter outro imóvel residencial deixaria de impedir o saque quando essa propriedade estiver a mais de 50 quilômetros do local onde o trabalhador mora ou exerce sua ocupação principal. A mudança alcançaria inclusive imóveis situados em municípios vizinhos ou na mesma região metropolitana. O projeto determina que os 50 quilômetros sejam calculados pela malha viária, e não em linha reta. Assim, o critério pretende considerar o percurso disponível entre os locais. A metodologia de comprovação, porém, ainda dependerá de regulamentação caso a medida seja aprovada e sancionada.
9) Itaú perto de fechar com a Eztec a maior locação da história de SP
O Itaú Unibanco está muito perto de acertar com a Eztec a locação de 100% das duas torres do Esther Towers. A negociação, que tende a ser concluída nas próximas semanas, seria a maior locação de escritórios da história de São Paulo, com cerca de 90 mil metros quadrados de ABL, 45 mil em cada torre. O complexo corporativo desenvolvido pela incorporadora da família Zarzur está em fase final de construção e fica na Av. Chucri Zaidan, um dos trechos da cidade que tem se beneficiado da falta de espaço e dos preços elevados em áreas mais consolidadas. Com o avanço das conversas pelo Esther Towers, o Itaú deixou de lado as negociações pelo Alto das Nações, que também está em fase final de construção e também tem cerca de 90 mil m² de área disponível. O novo escritório se somará às operações do banco na Av. Faria Lima e no Jabaquara. O Itaú já era o maior ocupante de escritórios de São Paulo e vai ampliar a sua liderança.
10) Mansão de dono da Marabraz vai a leilão após calote
O slogan que marcou os comerciais da Marabraz - "preço menor ninguém faz" - agora será aplicado à mansão do CEO Nasser Fares, um dos filhos do fundador da varejista. Com a companhia imersa em dívidas, disputas familiares e um pedido de recuperação judicial (mais uma para a lista), a casa de 2,6 mil metros quadrados no Alphaville está indo a leilão com um lance mínimo que soa como uma pechincha se comparado ao valor de outros imóveis vendidos no bairro recentemente. O imóvel será leiloado em outubro pela plataforma Bayit com um pedido inicial de R$ 72,8 milhões. "Não é todo dia que surge um negócio assim", Avraham Dichi, o fundador da Bayit, disse ao Metro Quadrado. E o valor pode ficar ainda menor: está previsto um desconto de 30% caso o leilão vá para a segunda praça, reduzindo a pedida mínima para R$ 51 milhões.
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