Na edição desta semana, Caio Lobo traz as principais notícias que movimentaram o mercado imobiliário
PorDa Redação
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03/08/2026
Na edição desta semana, Caio Lobo traz as principais notícias que movimentaram o mercado imobiliário
1) Crédito imobiliário surpreende e cresce 23% no semestre, mesmo com juros altos
Nem os juros em patamar elevado esfriaram o mercado imobiliário brasileiro. O volume de concessões de crédito para compra e construção de imóveis encerrou o primeiro semestre de 2026 com um desempenho acima do esperado, movimentando R$ 180,9 bilhões. O resultado representa uma alta de 23% em relação aos R$ 147,1 bilhões registrados no mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela Abecip. Ao todo, cerca de 850 mil imóveis foram financiados entre janeiro e junho, somando as operações com recursos do SBPE, do FGTS e de carteiras livres, com compradores atraídos pela valorização dos imóveis como investimento e pela escalada do preço dos aluguéis. Para Rodrigo Werneck, da Cupola, a decisão de compra de imóvel tem sido empurrada por uma combinação de aluguéis em disparada, encarecimento de lançamentos e valorização contínua dos imóveis.
2) Lucro do FGTS pode ser usado para abater dívida da casa própria
O lucro do FGTS a ser distribuído nos próximos dias pode ser usado para amortizar, diminuir o valor das parcelas ou até quitar um financiamento imobiliário, desde que sejam cumpridas as regras do fundo. Serão pagos R$ 13,042 bilhões a 138,2 milhões de trabalhadores com saldo na conta do FGTS em 31 de dezembro de 2025. O montante corresponde a 89% do resultado do fundo em 2025, que foi de R$ 14,7 bilhões. Com a distribuição, a rentabilidade do FGTS ficará em 6,90%, o que representa ganho real de 2,53% acima da inflação medida pelo IPCA, de 4,26%. Na prática, não é possível usar apenas o lucro no financiamento da casa própria. Quando o trabalhador solicita a utilização do FGTS para amortização, o saque é feito sobre o saldo disponível na conta, que já inclui os depósitos mensais, os rendimentos e o lucro distribuído.
3) Da maquete ao balanço: por que o investidor de imóveis no Brasil agora checa quem está por trás da obra
Com o imóvel na planta cada vez mais tratado como ativo de risco, o comprador deixou de decidir pela maquete e passou a avaliar quem está por trás do projeto — e a auditoria independente virou a chancela de maior valor, hoje presente em menos de 5% das incorporadoras da região de Itajaí. Nos principais mercados imobiliários do país, uma cena virou rotina: antes de assinar um contrato de milhões por um apartamento na planta, o comprador pega o celular e começa a pesquisar. Se há alguns anos a maquete bem feita, o decorado impecável e uma boa condição de pagamento bastavam, hoje isso não é suficiente – especialmente para quem compra com cabeça de investidor.
4) Alta dos aluguéis faz brilhar paixão nacional por tijolo
Já virou piada, ou meme, a geração Z reclamar que nasceu na época em que ficou impossível ter o próprio imóvel. Preços elevados, juros proibitivos e mudanças no estilo de vida afastaram o antigo "sonho da casa própria". Pelos dados do IBGE, a parcela dos domicílios alugados passou de 18,3%, em 2016, para 23,8%, em 2025. No mesmo período, a proporção de casas próprias já quitadas caiu de 66,8% para 60,2%. A diferença entre o aumento dos aluguéis e o aumento do metro quadrado dos imóveis à venda, entretanto, é o que realmente tem chamado a atenção. Os dados de junho do FipeZap mostram que enquanto o preço dos imóveis residenciais subiu 5,59% em 12 meses, o valor pedido para locação avançou 9%. Com essa diferença, a rentabilidade bruta do aluguel chegou a 0,51% ao mês (ou 6,13% ao ano) nos últimos três meses, o maior nível desde 2011.
5) Makasí capta para dar crédito a construtoras que não acessam a Faria Lima
Segundo a CBIC, cerca de 80% das pequenas e médias empresas do setor nunca tiveram acesso a um capital profissional - e esta dor se tornou um nicho paraps do mercado imobiliário. Com essa tese, a Makasí acaba de levantar R$ 31 milhões em uma Série A liderada pela VOX Capital e pela DGF. Ap de crédito para construção vai investir os recursos principalmente em tecnologia - e assim conseguir dar mais velocidade ao seu negócio, que começa na originação, passa pela análise de risco e vai até a gestão da carteira e o acompanhamento das obras por meio da sua plataforma. A Makasí reconhece que os juros altos restringem as possibilidades para as incorporadoras, mas tem visto o mercado de capitais ocupar o espaço que os bancos estão deixando em razão da seletividade. Ap se vale de CRIs para captar os recursos que empresta.
6) Programa de crédito para reforma de imóveis empaca e frustra setor de materiais de construção
Uma das cartadas do governo Lula para estimular a economia, o Programa Reforma Casa Brasil avançou pouco até aqui, frustrando as expectativas de reaquecimento da comercialização de materiais de construção. As vendas do setor caíram no começo do ano, afetadas também pelos juros altos da economia e pelo endividamento das famílias. O programa consiste na oferta de empréstimos com juros reduzidos para ajudar a população a realizar reformas e melhorias em moradias. Desde o lançamento, em outubro do ano passado, a concessão de crédito ficou em apenas R$ 2,7 bilhões, uma fração de 6,7% do orçamento total de R$ 40 bilhões. Foram 117,3 mil contratos firmados, com um valor médio de R$ 23,4 mil por operação.
7) Padronização dos registros de imóveis vai deixar registro de financiamento mais ágil
A transformação digital do mercado imobiliário está avançando para uma de suas etapas mais burocráticas: o registro de imóveis. Com a padronização nacional dos registros eletrônicos, a expectativa é acelerar financiamentos, reduzir retrabalho e facilitar a troca de informações entre cartórios, bancos e incorporadoras. Embora a digitalização dos registros públicos tenha sido prevista pela Lei nº 14.382, de 2022, o tema voltou ao centro das discussões do mercado imobiliário neste ano após o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentar, por meio do provimento 228 de 2026, de junho, um modelo nacional padronizado para o envio eletrônico de informações aos cartórios de registro de imóveis, que se apresenta como uma nova infraestrutura de dados para o mercado imobiliário brasileiro.
8) Brasil ganha cinco novos corretores de imóveis a cada hora
No ano em que completa 62 anos de regulamentação, a carreira de corretor de imóveis vive um momento de ascensão. Nos últimos cinco anos, o número de profissionais da corretagem aumentou 44%. Em 2018, eram 383 mil profissionais ativos no Brasil. No fim de 2023, esse número saltou para 554 mil, conforme dados do Cofeci (Conselho Federal de Corretores de Imóveis). Em relação a 2022, o crescimento foi de 8%. Só em 2023, foram registrados 42.436 novos corretores no órgão representativo da classe. Isso significa que, por hora, uma média de cinco pessoas ingressaram na profissão no ano passado. Por dia, foram 116 novos corretores em todo o país.
9) Patrimóvel entra no filão econômico de olho em novo limite do MCMV e mira R$ 1 bilhão
A Patrimóvel, imobiliária da Lopes que opera no Rio, ampliou sua atuação para além do médio e alto padrão e prevê bater R$ 1 bilhão em vendas em 2026 com ajuda do segmento econômico. A companhia de Vitor Moura, sócio-presidente da Patrimóvel, abriu neste ano uma operação inteiramente dedicada a imóveis do Minha Casa, Minha Vida, com um time de 200 pessoas. Uma das oportunidades, segundo o empresário, é a ampliação dos limites do Minha Casa, Minha Vida, programa governamental com juros subsidiados. O teto, na chamada faixa 4, subiu de R$ 500 mil para R$ 600 mil. A renda familiar máxima também subiu para R$ 13 mil.
10) Justiça libera obra de prédio de luxo no Itaim após embargo de três anos
O caso ficou famoso porque a construtora avançou em mais da metade da obra mesmo sem alvará de construção; regularização envolveu pagamento de quase R$ 100 milhões. Agora o Tribunal de Justiça de São Paulo liberou a retomada das obras do edifício residencial de luxo da Construtora São José, que estava embargado há três anos por irregularidades na construção. No entanto, a venda dos apartamentos permanece vetada até que a conclusão do processo seja validada pelo tribunal. As regras do município inicialmente permitiam uma edificação de até 1.586 m² no terreno, mas a empresa pretendia que o prédio chegasse a um total de 6.146 m². Essa diferença de 4.559 m² deveria ter sido equalizada por meio da apresentação de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos vendidos pela prefeitura nos leilões das operações urbanas e disponíveis também no mercado secundário. Apesar de não ter os Cepacs na época, a São José avançou na construção indevida de 16 andares, de acordo com denúncia do Ministério Público.
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