Na edição de hoje, Caio Lobo comenta sobre falta de recursos para crédito imobiliário na Caixa, aumento de juros para financiamento imobiliário pelos bancos, alta dos preços dos imóveis, entre outros assuntos.
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28/10/2024
Na edição de hoje, Caio Lobo comenta sobre falta de recursos para crédito imobiliário na Caixa, aumento de juros para financiamento imobiliário pelos bancos, alta dos preços dos imóveis, entre outros assuntos.
1)Recursos para crédito imobiliário na Caixa estão perto do limite e novos pedidos começam a travar
Faltando pouco mais de dois meses para acabar o ano, a Caixa Econômica Federal tem voltado atrás em pedidos pré-aprovados de crédito imobiliário porque já usou 85% dos recursos disponíveis para 2024. O banco tinha orçamento de R$ 75 bilhões para contratações com recursos da Poupança (SBPE) e, até setembro, já realizou operações que consumiram R$ 63,5 bilhões. Com R$ 11,5 bilhões para novos investimentos até dezembro, clientes têm recebido negativas em negociações avançadas, com a justificativa de escassez de recursos, conforme relatos colhidos pela reportagem.
2)Bancos começam a subir juro do crédito imobiliário e a apertar condições de financiamento
Com a retomada da elevação dos juros básicos (Selic) pelo Banco Central, as instituições financeiras começaram a subir as taxas do crédito imobiliário.
No começo deste mês, o Itaú Unibanco elevou a taxa média, que partia de 10,49% ao ano e foi para 10,79% ao ano. Outras instituições, como Bradesco, Santander e BRB afirmaram que também consideram reajustes levando em conta a situação da economia brasileira.
O cenário é marcado por um esgotamento na oferta de recursos da caderneta de poupança para abastecer o financiamento imobiliário.
3)Alta dos preços dos imóveis limita poder de compra e empurra classe média para apartamentos menores. Entenda
Mesmo com o aumento de lançamentos e a volta do crescimento no setor imobiliário, o perfil dos chamados “apartamentos intermediários”, aqueles que têm metragens acima de 45m² e abaixo de 100m², tem mudado pelo país. Parte desse cenário é explicado pelo aumento dos preços, puxado por uma recomposição de custos que perdura no setor desde o ano passado, e que tem limitado o poder de compra da classe média, principal público desse tipo de imóvel. Além disso, segundo especialistas, isso também explica a outra mudança que tem acontecido no mercado: a maior demanda por apartamentos menores.
4)Mesmo com restrições, Caixa projeta R$ 25 bilhões a mais em crédito imobiliário
Mesmo com as restrições de recursos no mercado para lastrear empréstimos, a Caixa Econômica Federal pretende fechar este ano com R$ 25 bilhões a mais no crédito imobiliário, ultrapassando R$ 200 bilhões em contratos ativos. Executivos do banco afirmam que a meta deve ser cumprida mesmo diante das travas impostas à população de mais alta renda, que, agora, só pode financiar imóveis de até R$ 1,5 milhão pelo SBPE. A redução ocorreu diante de saques maiores do que depósitos nas cadernetas motivados por opções mais vantajosas de retorno em aplicações do mercado. No FGTS, o bilionário fundo dos trabalhadores, a alta do emprego conteve um pouco a redução dos recursos disponíveis. O governo também tenta frear os saques-aniversários, que já retiraram cerca de R$ 100 bilhões das contas do fundo dos trabalhadores.
5) Alerta: O fantasma da inflação pode estar voltando à construção?
Um vilão adormecido pode estar prestes a assombrar o setor de construção de baixa renda. Segundo o Itaú BBA, a inflação na construção já começa a dar sinais de que voltará a ser uma realidade. O banco aponta que o setor, como um todo, se acostumou com a inflação baixa dos últimos dois anos – mas será que deveria? “Tememos que isso possa ser a calmaria antes da tempestade, já que o Brasil raramente viu o INCC permanecer no nível atual de 4-5% por muito tempo”, dizem os analistas. O que chamou a atenção do banco foi a rápida aceleração do índice. Enquanto o INCC de 2023 ficou em 3,34%, em setembro o índice já havia atingido 5,22% no acumulado de 12 meses.
6)Dois a cada três brasileiros desistem de negociar imóveis por causa do preço, revela Datafolha
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha em parceria com o Grupo QuintoAndar revelou que dois em cada três brasileiros já desistiram de negociar imóveis devido ao preço, temendo fazer um mau negócio. O estudo apontou que 84% das pessoas têm dificuldade em obter informações precisas sobre o valor adequado de um imóvel. Boa parte dessa incerteza é resultado da cultura de precificação inflacionada no Brasil, onde os proprietários tendem a aumentar o valor do imóvel para ter margem de negociação. De acordo com o estudo, 53% dos entrevistados acreditam que os donos utilizam essa estratégia, e mais da metade dos proprietários (56%) admite que infla os preços esperando um pedido de desconto.
7) Jogo sujo: Ex-gerente é indiciada por invasão de CRM da imobiliária
Uma ex-funcionária da Lokatell Imóveis, de Cascavel-PR, e uma imobiliarista concorrente foram indiciadas por "invasão de dispositivo informático". Segundo o advogado da vítima, as acusadas podem responder pelos crimes de associação criminosa, concorrência desleal, falsa identidade e violação de direito autoral. Conforme o relatório policial, as suspeitas teriam acessado o sistema da Lokatell com os logins e as senhas da vice-diretora e também de uma consultora da empresa. O objetivo seria acessar os dados dos locadores e captar os imóveis para a concorrente. Além de realizar o contato com os proprietários, as acusadas ainda teriam divulgado, no site da concorrente, os imóveis que fazem parte da carteira da Lokatell.
8)Alívio para quem produz imóveis econômicos: CNJ estabelece medidas para combater litigância predatória no Judiciário
Nesta terça-feira (22), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou um novo ato normativo com o objetivo de identificar, tratar e prevenir a litigância predatória no sistema judiciário brasileiro. O conceito de litigância abusiva é definido como um desvio ou excesso no uso do direito de acesso ao Poder Judiciário. A decisão do CNJ também reflete a preocupação do setor da construção, tornada prioridade pela CBIC, especialmente com o projeto Vícios Construtivos e Garantias Pós-Obra, desenvolvido pela entidade, que estará em vigor entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025. Essa iniciativa visa combater a indústria de ações predatórias vinculadas ao programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV), trazendo estabilidade jurídica ao setor imobiliário por meio de prazos claros de garantia para as unidades e de prescrição para o ajuizamento de ações.
9)Carrefour vende 15 imóveis para fundo imobiliário da Guardian por R$ 725 milhões
O Carrefour anunciou nesta terça-feira, 22, que vendeu para o Fundo de Investimento Imobiliário Guardian Real Estate, gerido pela Guardian Gestora, 15 imóveis próprios onde estão localizadas lojas operadas pela companhia ou suas afiliadas sob a bandeira Atacadão, no valor total de R$ 725 milhões. A transação inclui a celebração de contratos de locação na modalidade “sale-leaseback” (a empresa busca vender o imóvel que possui enquanto celebra um contrato de locação com o comprador do prédio), com prazo inicial de 13 anos, renováveis por períodos adicionais de cinco anos. As despesas com aluguel desses imóveis serão de aproximadamente R$ 4,8 milhões por mês.
10) Cidade fantasma de US$ 100 bi na Malásia é reflexo da crise imobiliária da China
Foi um projeto imobiliário audacioso realizado há uma década por uma incorporadora chinesa: uma cidade de US$ 100 bilhões na Malásia, construída sobre areia e mangues arbustivos e vendida como um luxuoso “paraíso dos sonhos” para a classe média da China. A gigantesca incorporadora imobiliária chinesa Country Garden sonhou com Forest City como uma “cidade verde futurista”, abrangendo 12 milhas quadradas (31 km²) e quatro ilhas artificiais. Deveria haver 700 mil apartamentos, mas apenas uma ilha, com 26 mil unidades em várias dezenas de torres, foi construída.
Caio Lobo é Diretor de Incorporações e Sócio da Mitro Construtora e Incorporadora, empresa sediada em Goiânia (GO) e especializada no segmento popular de habitação e no médio padrão. É formado em Engenharia Civil pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e é Pós-graduado em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Produz conteúdo sobre incorporações imobiliárias e mercado imobiliário para o canal @oincorporador, que conta com mais de 100mil seguidores nichados, é editor da newsletter IncorporaNews, professor no Curso Incorporações Imobiliárias Financiadas e é um ENTUSIASTA DO MERCADO IMOBILIÁRIO.
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