O que Goiânia e a Segunda Guerra Mundial têm em comum?
Um dos bairros mais tradicionais da capital nasceu a partir de um capítulo pouco conhecido da história mundial
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01/05/2026
Um dos bairros mais tradicionais da capital nasceu a partir de um capítulo pouco conhecido da história mundial
Qual a relação de Goiânia com a Segunda Guerra Mundial? A pergunta pode parecer sem sentido à primeira vista, mas a resposta é mais interessante do que se imagina. Um dos bairros mais tradicionais da capital, o Setor Jaó, carrega em sua origem uma história que atravessa continentes e está diretamente ligada a um dos conflitos mais marcantes do século XX.
Planejado e construído com a participação de prisioneiros alemães que vieram do Reino Unido para Goiás no pós-guerra, o bairro revela um passado pouco conhecido e ajuda a explicar parte da formação urbana da cidade.
A história começa em 1947, quando cerca de 50 oficiais da Wehrmacht, as forças armadas da Alemanha nazista, foram trazidos ao Brasil após um acordo envolvendo o governo britânico e o governo de Goiás.
Na época, o então governador Jerônimo Coimbra Bueno autorizou a vinda do grupo, considerado altamente qualificado tecnicamente. A chegada ocorreu de forma discreta, cercada por sigilo político, em um movimento que misturava interesses diplomáticos, estratégicos e urbanísticos.
Inicialmente, os alemães foram levados para uma penitenciária local. Depois, transferidos para uma fazenda na região onde hoje está o Setor Jaó, passaram a viver em acampamentos enquanto trabalhavam no planejamento urbano da área.
Foi ali, em meio a barracas improvisadas e sob vigilância, que começou a nascer o desenho de um dos bairros mais emblemáticos de Goiânia.
Nesse contexto nasce o Setor Jaó
Os prisioneiros participaram diretamente do planejamento urbano do bairro, desenhando ruas, avenidas e a própria configuração do loteamento, algo incomum para os padrões de Goiânia naquele momento.
Com influência europeia, o projeto trouxe conceitos inovadores para a época, como vias mais largas, traçado curvilíneo e valorização de áreas verdes, características que até hoje diferenciam o Jaó de outras regiões da capital.
Além do desenho urbano, os alemães também contribuíram com conhecimento técnico em áreas como saneamento e arquitetura, ajudando a estruturar um bairro que rapidamente se consolidaria como um dos mais valorizados de Goiânia.
Ao fim das obras, por volta de 1952, a maior parte desses estrangeiros deixou o estado. Muitos seguiram para países como a Argentina ou outras regiões do Brasil, enquanto alguns poucos permaneceram em Goiânia.
Há ainda outros detalhes curiosos que ajudam a entender a identidade do bairro. O nome “Jaó”, por exemplo, foi escolhido em referência a uma ave típica da região. Já algumas avenidas receberam nomes como Pampulha e Belo Horizonte, em homenagem à capital mineira, por influência de articulações políticas da época.
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