O que um anúncio dos anos 2000 ensina sobre vender imóveis hoje
Com as redes sociais, a publicidade imobiliária deixou de apenas apresentar características e passou a explorar histórias, experiências e novas formas de criar conexão com o público
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12/09/2026
Com as redes sociais, a publicidade imobiliária deixou de apenas apresentar características e passou a explorar histórias, experiências e novas formas de criar conexão com o público
Anunciar um imóvel nos anos 2000 era, em grande parte, apresentar suas características: metragem, número de quartos, vagas de garagem, localização e preço. Hoje, com as redes sociais, a publicidade imobiliária ganhou novas linguagens e passou a disputar a atenção do público em vídeos curtos e conteúdos que buscam criar conexão.
Um vídeo publicado recentemente pela AutImob, que resgata um anúncio imobiliário dos anos 2000, mostra parte dessa transformação. Além da evolução tecnológica, mudou a forma de contar a história de um imóvel.
Para o especialista em marketing e posicionamento Carlos Costa, a principal diferença está justamente na maneira de apresentar o produto. “Antes, a gente mostrava mais o imóvel. Hoje, a gente tenta mostrar o que é viver nele”, afirma.
Segundo ele, as informações objetivas continuam importantes, mas já não são suficientes para prender a atenção. O consumidor quer conseguir se imaginar naquele espaço, entender como seria sua rotina e o que aquele imóvel pode proporcionar.
“Ele vai deixar de ser ‘um apartamento de três quartos’ e vai passar a representar uma possibilidade de vida para quem está assistindo”, explica.
O vídeo imobiliário mudou
A transformação acompanha também a mudança na maneira de consumir informação. Com o volume de conteúdos nas redes sociais, o público se tornou mais seletivo e um vídeo precisa despertar interesse logo nos primeiros segundos.
Para Carlos, simplesmente pegar o celular e mostrar os cômodos já não é suficiente. “O bom conteúdo precisa gerar conexão. Tem que ter um motivo para as pessoas realmente pararem”, diz.
Esse motivo pode estar em uma característica do imóvel, na arquitetura, na localização, em uma vista, em uma pergunta ou em uma história. “Um imóvel precisa ter uma narrativa”, afirma.
A estratégia também passa pela autenticidade. Em meio à produção cada vez maior de conteúdos com ferramentas de inteligência artificial, o especialista acredita que vídeos mais naturais podem gerar conexão justamente por mostrarem a personalidade de quem está apresentando o imóvel.
De anúncio a relacionamento
As redes sociais também mudaram o papel de corretores e imobiliárias. Antes, a comunicação estava muito ligada à existência de um produto para vender. Hoje, o profissional pode construir relacionamento com o público mesmo quando não está divulgando um imóvel específico.
“O mercado imobiliário anunciava quando tinha algo para vender. Hoje você, como corretor, precisa estar presente antes mesmo de ter uma venda”, afirma Carlos.
Nesse processo, o conteúdo pode abordar bairros, arquitetura, comportamento, mercado, juros e outros assuntos relacionados ao setor. A ideia é construir autoridade e fazer com que o profissional seja lembrado quando surgir uma oportunidade de negócio.
O que permanece
Apesar das mudanças, a ficha técnica do imóvel continua tendo importância. Metragem, localização, número de quartos, preço e diferenciais seguem sendo informações fundamentais para quem está avaliando uma compra.
O que mudou foi a forma de apresentá-las. Em vez de começar pela lista de características, o conteúdo pode partir de uma história, uma experiência ou uma pergunta e inserir essas informações dentro de uma narrativa. “O imóvel sempre vai ser o produto, mas a forma de criar desejo mudou 100% do que antigamente era”, resume.
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