Setor Leste Universitário: das primeiras ocupações à consolidação como polo acadêmico de Goiânia
Bairro abriga duas das melhores universidades do país, além de hospitais e clínicas de referências nacional
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05/12/2025
Bairro abriga duas das melhores universidades do país, além de hospitais e clínicas de referências nacional
Avenida Universitária 1952 - Foto: Hélio de Oliveira
O Setor Leste Universitário, também conhecido apenas como Universitário, é um dos bairros mais antigos e emblemáticos de Goiânia. Localizado na região central da capital, sua formação faz menção aos primeiros anos de existência da cidade, quando trabalhadores responsáveis pela construção da nova capital goiana começaram a ocupar áreas públicas às margens do Córrego Botafogo.
Sem condições de adquirir lotes no traçado planejado – ou seja, onde a cidade já havia sido populada –, operários e moradores de baixa renda passaram a instalar-se na região leste, em terrenos que pertenciam ao governo estadual. As ocupações iniciais se espalharam gradualmente, dando origem ao que mais tarde seria reconhecido como o Setor Leste Universitário. A regularização plena do bairro, porém, só começou a ganhar força a partir da década de 1980, acompanhando o avanço da urbanização e da presença crescente de instituições de ensino.
Chegada de universidades transforma a região
A vocação educacional do Setor Universitário começou a se desenhar ainda nos anos 1960. Neste ano, a criação da Universidade Federal de Goiás (UFG), a partir da fusão de cinco faculdades já existentes – Faculdade de Direito, a Faculdade de Farmácia e Odontologia, a Escola de Engenharia, o Conservatório de Música e a Faculdade de Medicina – iniciou um processo de reorganização da educação superior na capital. O passo decisivo ocorreu em 1968, quando a Faculdade de Educação — antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFG — foi instalada em prédio próprio na região, em terreno doado pelo Governo de Goiás.
Criação da UFG - Foto: Acervo da UFG
Na mesma época, se consolidava a Universidade Católica de Goiás, atualmente nomeada como Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). A proximidade das duas universidades contribuiu para transformar o bairro em um polo universitário. As duas instituições passaram a dividir o espaço e moldar o cotidiano da região, que recebeu oficialmente o nome “Universitário” justamente por se tornar referência na formação acadêmica da cidade.
Desde junho de 1969, a Faculdade de Direito funciona em sua sede localizada no Câmpus I da UFG, na Praça Universitária, sendo uma das mais antigas do Brasil. As raízes da Faculdade de Direito remontam ao século XIX, quando foi criada a Academia de Direito de Goyaz. Pela instituição passaram grandes nomes, diversos intelectuais, políticos e juristas que moldaram o cenário jurídico e político do estado, destacando-se como um celeiro de talentos para Goiás, consolidada como uma das mais antigas e tradicionais do país.
Além do Direito, outro curso tradicional pioneiro em Goiás com sede no Setor Universitário é a Faculdade de Medicina, inaugurada em 1960. A unidade motivou a criação do Hospital das Clínicas da UFG, hoje referência em medicina regional e nacionalmente, atraindo pessoas de vários estados em busca de tratamento clínico com especialistas.
A expansão da UFG exigiu novos espaços, o que levou, em 1971, ao lançamento da pedra fundamental do Campus Samambaia, planejado para integrar cursos e abrigar estruturas maiores. Ainda assim, o Setor Universitário permaneceu como área importante para a universidade, especialmente para cursos e unidades administrativas mantidas ao longo das décadas.
Na mira de investidores
Foto aérea da Praça Universitária em 1969. Foto: Helio de Oliveira
Hoje, o Setor Leste Universitário carrega a memória da Goiânia em construção e da luta por moradia que marcou seus primeiros habitantes. Ao mesmo tempo, representa a consolidação da cidade como centro educacional, impulsionado pela presença de instituições como a UFG e a PUC Goiás, apontadas como as melhores universidades do país. Entre ruas antigas, edificações modernas e a circulação constante de estudantes, o bairro mantém viva sua identidade: a de um território onde a história urbana e a vida acadêmica se encontram.
Atualmente, o bairro está entre os mais procurados por estudantes e pessoas que precisam se hospedar na região para tratamentos médicos, por também abrigar clínicas e hospitais de referência nacionalmente. Além disso, a área ganhou destaque nos últimos anos em Goiânia, alavancada pela busca do público do interior de Goiás e outros estados.
Para atender a demanda pelo turismo de saúde e de educação, incorporadoras e construtoras estão investindo em projetos voltados para a locação. Para o mercado imobiliário, a região é vista como potencial, visando investidores.
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