Cobertura do caso Matsunaga é anunciada com preço 30% abaixo de coberturas equivalentes no mercado
Imóvel voltou a ser anunciado em São Paulo e levanta uma questão recorrente: episódios de grande repercussão realmente desvalorizam um imóvel?
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04/08/2026
Imóvel voltou a ser anunciado em São Paulo e levanta uma questão recorrente: episódios de grande repercussão realmente desvalorizam um imóvel?
A cobertura onde ocorreu o caso envolvendo Marcos e Elize Matsunaga, em 2012, voltou aos holofotes após ser colocada à venda por R$ 2,8 milhões, em São Paulo. O imóvel, localizado na Vila Leopoldina, Zona Oeste da capital paulista, ficou conhecido nacionalmente pela repercussão do episódio e, segundo a imobiliária responsável pela venda, está anunciado por um valor cerca de 30% inferior ao de coberturas semelhantes no mesmo padrão.
O caso reacendeu uma discussão recorrente no mercado imobiliário: afinal, imóveis associados a tragédias realmente perdem valor?
Para o avaliador e perito judicial Arione José de Paula Filho, fundador da Peritos em Imóveis, a resposta depende menos do fato ocorrido e mais da forma como o mercado reage a ele. Segundo o especialista, a avaliação imobiliária segue critérios técnicos previstos na ABNT e considera evidências de mercado, comportamento dos compradores e características do imóvel.
"O imóvel não é valorizado ou desvalorizado pelo fato ocorrido, mas pela forma como o mercado reage a esse fato. Quando parte significativa dos compradores evita o imóvel, sua liquidez diminui, aumentando o tempo de venda e, em alguns casos, exigindo descontos para concretizar a negociação", explica.
Repercussão pesa mais do que o crime
De acordo com Arione, o principal fator que influencia o comportamento do mercado não é necessariamente a tragédia, mas a repercussão que ela alcança.
"O fator de maior influência é a repercussão. Um fato desconhecido dificilmente altera o comportamento do mercado. Já casos amplamente divulgados pela imprensa, documentários ou filmes criam uma associação duradoura entre o imóvel e o acontecimento", afirma.
Ele destaca que, na maioria das vezes, o impacto fica restrito à unidade onde ocorreu o fato. Entretanto, quando a repercussão é muito grande, o condomínio também pode sentir os efeitos temporariamente, principalmente pela perda de privacidade e pela redução do interesse de compradores.
Apesar do impacto inicial, o especialista afirma que esse tipo de estigma costuma diminuir com o passar dos anos.
Segundo ele, fatores como mudança de proprietário, reformas, renovação do condomínio, redução da exposição na mídia e a própria passagem do tempo contribuem para que o mercado absorva esses acontecimentos e o imóvel volte a ser avaliado principalmente por suas características técnicas.
Quando a fama pode agregar valor
O especialista ressalta, no entanto, que imóveis ligados a personalidades famosas nem sempre seguem a mesma lógica.
Segundo Arione, a simples relação com um artista ou pessoa pública não aumenta automaticamente o valor de mercado. O que normalmente muda é a liquidez, já que esses imóveis costumam despertar maior interesse e receber mais exposição. Ainda assim, continuam sendo avaliados pelos mesmos critérios técnicos aplicados a imóveis semelhantes.
Ele cita como exemplo a Graceland, antiga residência de Elvis Presley, que deixou de ser apenas um imóvel para se tornar um ativo turístico e cultural, gerando receitas por meio de visitação e exploração econômica. Já a Neverland Ranch, de Michael Jackson, permaneceu uma propriedade privada e, apesar da relevância histórica para os fãs, continua tendo seu valor relacionado principalmente às características do imóvel e às condições do mercado, já que nunca foi transformada em uma atração turística permanente.
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