Comprar para morar ou investir? O que mudou no perfil de quem busca imóveis
Com juros altos e decisões mais racionais, compradores priorizam liquidez, rentabilidade e funcionalidade na hora de fechar negócio
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07/05/2026
Com juros altos e decisões mais racionais, compradores priorizam liquidez, rentabilidade e funcionalidade na hora de fechar negócio
Comprar um imóvel para morar ou investir deixou de ser uma decisão automática e passou a exigir estratégia. Segundo o economista e mestre em Desenvolvimento Regional Aurélio Troncoso, o comportamento do comprador mudou nos últimos anos, especialmente diante dos juros elevados e da maior mobilidade profissional. “Antes, o imóvel era o porto seguro absoluto. Hoje, a liberdade pesa tanto quanto o patrimônio”, afirma.
Na prática, isso significa que quem compra para morar está mais focado em funcionalidade do que em status. Proximidade do trabalho, infraestrutura e qualidade de vida passaram a ter mais peso na decisão. Já o investidor busca retorno financeiro acima da inflação e toma decisões cada vez mais racionais. “O comprador de moradia é guiado pelo valor de uso. Já o investidor pensa no valor de troca, em renda de aluguel, valorização e vacância”, explica o economista.
Entre o valor emocional e o retorno financeiro
Entre os produtos mais atrativos atualmente, Aurélio destaca duas frentes principais: os compactos de luxo localizados em eixos estratégicos de transporte, voltados para aluguel flexível e short stay, e os imóveis corporativos de alto padrão, como galpões logísticos e lajes AAA. Para o pequeno investidor, outra estratégia voltou a ganhar força: comprar imóveis em bairros consolidados, reformar e revender rapidamente.
O cenário de juros altos também tem influenciado diretamente as escolhas. Segundo ele, investidores com capital próprio conseguem aproveitar melhores negociações, enquanto quem busca financiamento para moradia enfrenta um crédito mais restrito e necessidade de entrada maior. “Hoje, muitas vezes compensa morar de aluguel e manter o capital investido enquanto espera uma janela de juros menor para financiar”, pontua.
Para o especialista, o principal erro ainda é misturar emoção e investimento. Comprar um imóvel apenas por afinidade pessoal, sem analisar indicadores de rentabilidade, pode comprometer o retorno esperado. Custos como ITBI, condomínio, reformas e vacância também costumam ser ignorados no cálculo final. “Moradia é uma despesa necessária que pode se tornar patrimônio; investimento é um negócio que deve ser gerido friamente”, resume.
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