No Brasil, mercado de imóveis usados ganha espaço entre a classe média
Com preços mais acessíveis e metragens maiores, unidades prontas se tornam a principal alternativa para famílias que pretendem comprar um imóvel
PorDa Redação
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04/08/2026
Com preços mais acessíveis e metragens maiores, unidades prontas se tornam a principal alternativa para famílias que pretendem comprar um imóvel
A intenção de compra de imóveis no Brasil chegou a 52%, maior índice da série histórica da consultoria Brain e nove pontos percentuais acima da média registrada desde 2019. Apesar do interesse crescente, a oferta de imóveis novos não acompanha a demanda da classe média, que tem recorrido ao mercado de usados para encontrar unidades com melhor custo-benefício.
Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostram que, no primeiro semestre de 2026, 70% dos 160 mil financiamentos concedidos a pessoas físicas pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) foram destinados à compra de imóveis prontos.
A criação da Faixa 4 do programa Minha Casa, Minha Vida buscou ampliar o acesso ao crédito para famílias com renda de até R$ 12 mil mensais, com juros reduzidos e subsídios parciais. No entanto, o limite de R$ 600 mil para o valor do imóvel nem sempre é suficiente para a compra de unidades novas nos grandes centros, onde os preços costumam ser mais elevados.
Na prática, muitas famílias procuram imóveis entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, com plantas maiores e espaços voltados ao uso familiar. Nesse perfil, o mercado de usados acaba oferecendo mais alternativas, com metragens superiores e preços mais compatíveis com a capacidade de financiamento, especialmente em um momento em que a taxa Selic permanece acima de 13%.
Do lado da oferta, as incorporadoras também enfrentam desafios para desenvolver empreendimentos destinados à classe média. O aumento do preço dos terrenos, dos insumos da construção e do custo do crédito reduz a viabilidade econômica desses projetos.
Como consequência, muitas empresas concentram os lançamentos em empreendimentos de alto padrão, que oferecem maior margem de rentabilidade, ou em apartamentos compactos, que elevam o valor por metro quadrado. Esse movimento diminui a oferta de imóveis novos com metragens intermediárias, ampliando o espaço do mercado de usados para atender a demanda da classe média.
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