Custo da construção supera inflação e pressiona setor
INCC-DI acumula alta de 6,64% em 12 meses, acima dos 4,58% do IPCA; mão de obra, materiais e juros elevados estão entre os principais desafios das empresas
PorDa Redação
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05/11/2026
INCC-DI acumula alta de 6,64% em 12 meses, acima dos 4,58% do IPCA; mão de obra, materiais e juros elevados estão entre os principais desafios das empresas
O custo da construção civil continua avançando acima da inflação brasileira e pressiona o planejamento das empresas do setor. O Índice Nacional de Custo da Construção – Disponibilidade Interna (INCC-DI), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acumulou alta de 6,64% nos 12 meses encerrados em setembro de 2026. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, registrou variação de 4,58%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pressão aparece tanto na mão de obra quanto nos materiais e equipamentos. De acordo com o levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os custos com trabalhadores subiram 7,78% em 12 meses, enquanto os materiais e equipamentos tiveram alta de 6,06%.
Outro indicador acompanhado pelo setor, o Custo Unitário Básico (CUB/m²) médio nacional, calculado pela CBIC com base em informações de 21 estados, acumulou aumento de 6,84% nos 12 meses encerrados em agosto. No mesmo intervalo, a mão de obra avançou 6,72%, e os materiais e equipamentos, 6,94%. O IPCA acumulado até agosto foi de 4,22%, também abaixo da variação do CUB.
Entre os insumos que mais encareceram estão o tubo de ferro galvanizado, com alta próxima de 20%, e o fio de cobre, com aumento de quase 17% no acumulado de 12 meses até agosto. Placa de gesso, registro de pressão, emulsão asfáltica, esquadrias de correr, bloco cerâmico e cimento também aparecem entre os itens com variações superiores à inflação oficial.
Juros elevados ampliam pressão sobre empresas
Além dos custos de produção, as condições de financiamento também afetam o planejamento das construtoras. Na Sondagem da Indústria da Construção, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da CBIC, 40% dos empresários participantes apontaram os juros elevados como o principal problema enfrentado pelo setor no terceiro trimestre de 2026.
O percentual representa o maior resultado desde o terceiro trimestre de 2023 e o segundo maior da série histórica, iniciada em 2015. Segundo a CBIC, a taxa de juros está entre as principais preocupações dos empresários desde 2022 e deve continuar no centro das discussões em 2027, ao lado da reforma tributária e da escassez de mão de obra.
O relatório também aponta que a combinação entre crédito mais caro, aumento dos custos e endividamento das famílias afeta as expectativas das empresas. A construção de edifícios sente especialmente os efeitos dos juros elevados, que encarecem o crédito, enquanto a infraestrutura apresenta um ciclo de expansão associado a investimentos e projetos de maior porte.
Para 2026, a CBIC mantém a estimativa de crescimento de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil. A entidade avalia, porém, que uma aceleração mais consistente em 2027 dependerá da redução dos juros e do arrefecimento dos custos.
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