Na edição desta semana, Caio Lobo traz as principais notícias que movimentaram o mercado imobiliário
PorDa Redação
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14/09/2026
Na edição desta semana, Caio Lobo traz as principais notícias que movimentaram o mercado imobiliário
1) MPF defende Airbnb e Booking sem autorização prévia do condomínio
O Ministério Público Federal defendeu que a locação por temporada, inclusive por plataformas digitais (como Airbnb e Booking), mantém natureza residencial. Por isso, a atividade não dependeria de autorização prévia do condomínio quando a convenção trouxer apenas uma cláusula genérica de destinação residencial. No parecer apresentado ao Superior Tribunal de Justiça em 28 de agosto, o MPF afirma que a oferta digital não altera, por si só, o uso do imóvel. Para impedir a locação de curta duração, seria necessária uma proibição expressa na convenção condominial.
2) Empregados da Caixa rejeitam proposta final e greve continua
Os empregados da Caixa Econômica Federal rejeitaram a proposta final apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Com a decisão, a greve iniciada na quinta-feira (10) continua por tempo indeterminado. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), mais de 90% das bases sindicais rejeitaram o texto anterior apresentado pela Caixa. Com a nova rejeição nesta sexta, a greve permanece por tempo indeterminado.
3) Deflação de agosto abre caminho para novo corte da Selic
O IPCA de agosto trouxe uma boa notícia: deflação de 0,32%, mais intensa do que a queda de 0,28% esperada pelo mercado. É o primeiro resultado negativo do índice cheio em alguns meses e reforça a percepção de que o cenário inflacionário brasileiro melhorou de forma consistente. Entre junho e agosto, a inflação acumulada ficou praticamente em zero. Com isso, a inflação em 12 meses, que estava em 4,44%, desceu para 4,22%, abaixo do teto da meta, de 4,5%. O mercado segue projetando um IPCA próximo de 5% para o fechamento do ano, acima do teto. Ainda assim, o quadro atual deixa a porta aberta para mais cortes de juros pelo Banco Central.
4) Com vendas para classe média e alta em queda, setor imobiliário resiste a mudanças no modelo de financiamento
Bancos que atuam no financiamento imobiliário para o comprador de média e alta renda afirmaram, em evento da Abecip, no último mês, que estão negociando com o Banco Central (BC) uma calibragem nas regras do novo modelo de crédito. O modelo, uma novidade que começou a ser implementada de forma gradual, em outubro de 2025, e que deve entrar completamente em vigor em janeiro de 2027, envolve os financiamentos feitos com recursos da poupança, pelo SBPE. A maior crítica das instituições financeiras, como mostraram reportagens do Valor, é ao teto de 12% para os juros ao se financiar imóveis de até R$ 2,25 milhões. Seria "difícil" manter a taxa, que está abaixo da Selic, atualmente em 14%.
5) Conselho suplementa R$ 500 milhões no orçamento do FGTS para subsídio habitacional
Na 207ª Reunião Ordinária do Conselho Curador do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), foi aprovada, dia 10/09, uma suplementação de R$ 500 milhões no orçamento de 2026. Os recursos serão destinados à habitação popular ampliando o orçamento de subsídio, solicitação do Ministério das Cidades. Com essa suplementação, os recursos destinados ao subsídio habitacional do Minha Casa, Minha Vida para as faixas 1 e 2 passarão de R$ 12,5 bi para R$ 13 bilhões em 2026.
6) BB, Caixa e cooperativas firmam acordo para tokenizar crédito imobiliário
O Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os grupos cooperativos Ailos, Sicoob, Sicredi e Unicred vão trabalhar conjuntamente em um projeto para reduzir a burocracia no processo de financiamento de imóveis. As instituições financeiras assinaram um Acordo de Cooperação Técnica com o Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONS), que prevê a criação de uma infraestrutura digital baseada em blockchain. A iniciativa busca agilizar o processo de crédito imobiliário por meio da tokenização, tecnologia que transforma contratos e registros em ativos digitais seguros e, assim, permite que a troca de dados ocorra de forma mais rápida.
7) Bancos concentram até R$ 10 bi em imóveis retomados
Os cinco maiores bancos do país mantinham R$ 11 bilhões em ativos para venda em 30 de junho de 2026. Desse total, estima-se que cerca de R$ 10 bilhões seriam imóveis retomados após operações de crédito não pagas. O cálculo é da nova pesquisa Mapa Resale, noticiada pelo Valor, e abrange 27.004 unidades – de todos os bancos citados, exceto o Itaú. A Caixa Econômica Federal concentrava R$ 6,03 bilhões dos ativos mantidos para venda. Na sequência, apareciam Bradesco, com R$ 2,53 bilhões; Santander, com R$ 1,59 bilhão; Itaú, com R$ 598 milhões; e Banco do Brasil, com R$ 302 milhões. Bradesco, Santander e Itaú não se pronunciaram sobre o levantamento.
8) Itaú direciona canhão do crédito para negócios com imóveis comerciais
crédito para negócios com imóveis comerciais Leia a reportagem › O Itaú reorganizou suas estruturas internas para buscar uma participação maior nas operações de crédito envolvendo propriedades comerciais, como galpões logísticos, prédios de escritórios e shopping centers. Esses setores estão em um ciclo de expansão no Brasil. Há uma procura crescente de empresários e gestores por soluções de crédito para desenvolvimento de projetos, compra e venda de ativos, venda de imóvel com locação (sale and leaseback), instrumentos de dívida com garantia imobiliária, veículos de investimento com classes de cotas, uso de cotas como forma de pagamento, entre outras modalidades customizadas. É nesse mercado que o Itaú quer crescer.
9) Vendas de apartamentos de luxo caem pela metade na cidade de São Paulo após boom de 2025
Após recorde de lançamentos e vendas em 2025, o mercado de apartamentos de alto padrão e luxo na cidade de São Paulo está recuando em 2026. O estoque maior, os juros altos por tempo prolongado e as incertezas sobre os rumos do País têm feito até as famílias mais ricas postergarem a decisão de compra. No primeiro semestre, as unidades vendidas caíram 39% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os lançamentos recuaram 53%, de acordo com pesquisa da Brain Inteligência Imobiliária, divulgada com exclusividade para Estadão/Broadcast. No segundo trimestre, a queda foi mais acentuada, chegando a 53%. "O mercado chegou a um topo. A partir daí, não tem como crescer mais", avaliou o presidente da consultoria, Fábio Tadeu Araújo.
10) Gafisa negocia aporte para concluir obras atrasadas
concluir obras atrasadas Leia a reportagem › A Gafisa negocia com investidores uma injeção de recursos para concluir obras, segundo apuração da Coluna do Broadcast, do Estadão. A dívida associada aos projetos gira em torno de R$ 500 milhões, de acordo com fontes ouvidas pela publicação. A Gafisa busca há meses uma solução para financiar as conclusões. Entretanto, distratos e multas por atraso reduzem a atratividade de alguns projetos. Por isso, as conversas podem se concentrar em dois ou três empreendimentos considerados viáveis. Esse recorte permitiria avançar em parte das entregas, mas não resolveria toda a carteira. A companhia informou ao Estadão que não concederia entrevista por estar em período de silêncio.
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