Inaugurado em 1942, durante o Batismo Cultural de Goiânia, o Teatro Goiânia se tornou um dos principais símbolos da arquitetura Art Déco e acompanhou a vida cultural da cidade desde os seus primeiros anos
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07/08/2026
Inaugurado em 1942, durante o Batismo Cultural de Goiânia, o Teatro Goiânia se tornou um dos principais símbolos da arquitetura Art Déco e acompanhou a vida cultural da cidade desde os seus primeiros anos
Quem cruza hoje a Avenida Anhanguera talvez veja apenas um dos edifícios mais conhecidos do Centro de Goiânia. Mas, em 1942, atravessar as portas do então Cine Teatro Goiânia era entrar no espaço mais moderno e sofisticado da nova capital. As luzes se apagavam, a cortina se abria e uma cidade que ainda aprendia a caminhar também começava a descobrir o poder da arte.
As obras começaram em 1940 e terminaram dois anos depois. Projetado pelos arquitetos Jorge Félix e José do Amaral Neddermeyer, o prédio foi concebido em estilo Art Déco, com influência do Streamline Moderne. As linhas curvas e horizontais davam ao edifício a aparência de um grande transatlântico, característica que ainda hoje chama a atenção de quem passa pela região central.
A inauguração aconteceu em junho de 1942, durante o Batismo Cultural de Goiânia, evento criado para apresentar a nova capital ao Brasil. A estreia foi marcada pela exibição do filme Divino Tormento, produção da Metro-Goldwyn-Mayer, e, poucos dias depois, o palco recebeu a Companhia Eva Todor com a comédia Colégio Interno. O teatro rapidamente passou a ocupar lugar de destaque na vida cultural da cidade.
Embora tenha nascido como cine-teatro, o espaço acabou sendo utilizado principalmente para apresentações artísticas e grandes solenidades. Concertos, peças, festivais, formaturas e cerimônias fizeram parte da rotina do prédio, que acompanhou o crescimento de Goiânia e se tornou ponto de encontro de diferentes gerações.
Na década de 1970, o edifício passou por uma ampla reforma para atender melhor às artes cênicas. Reaberto em 1978, recebeu uma apresentação histórica da Associação de Ballet do Rio de Janeiro, com os bailarinos britânicos Margot Fonteyn e David Wall. Após o espetáculo, Fonteyn afirmou que a estrutura técnica do Teatro Goiânia estava entre as melhores do mundo, reconhecimento que marcou uma nova fase da casa de espetáculos.
Uma nova modernização foi realizada em 1998 e, em 2003, o Teatro Goiânia passou a integrar o conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 2010, o prédio foi reaberto após um restauro que recuperou diversos elementos originais da construção.
Mais de oito décadas depois, o Teatro Goiânia continua recebendo concertos, peças, espetáculos de dança, festivais e shows. Em uma cidade que cresceu para muito além do traçado original, ele permanece de pé como um dos edifícios que melhor preservam a memória dos primeiros anos da capital e o lugar onde gerações de goianienses aprenderam a ocupar uma plateia.
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